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segunda-feira, 20 de abril de 2026

A Banalização da Violação: Quando o feminismo transforma o crime hediondo em arma de arrependimento

 


A violação é um crime abominável. Sempre o foi. No Antigo Testamento, o violador de uma mulher era condenado à morte por apedrejamento (Deuteronómio 22:25-27). A pena capital não era negociável: o acto de forçar alguém contra a sua vontade era equiparado ao homicídio, pois destruía a integridade física, moral e existencial da vítima. A civilização ocidental, herdeira desta tradição, nunca deixou de considerar a violação — seja a vítima mulher ou homem — como um dos piores atentados à dignidade humana. Quem a comete deve ser punido com todo o rigor da lei. Ponto final.

Contudo, o que se observa hoje, em Portugal e no Ocidente, não é uma defesa intransigente da vítima, mas uma banalização do conceito de violação até ao ponto de o esvaziar de sentido. O caso recente de uma jovem que, após iniciar uma relação sexual grupal claramente consentida, diz "não" a meio do acto, ilustra esta deriva. Cristina Ferreira atreveu-se a dizer o óbvio: num cenário de sexo grupal, "dizer não a meio (...) era difícil ouvirem-na". Por isto, está a ser crucificada.

Sejamos frontalmente honestos, como exige Bérénice Levet em Libertem-nos do Feminismo. A filósofa francesa desmonta o feminismo contemporâneo que transformou a mulher de sujeito livre em eterna vítima potencial. Mas é em Camille Paglia, na sua obra Mulheres Livres, Homens Livres, que encontramos o alerta mais agudo: ao incutir nas jovens a ideia de que o "não" é um escudo mágico e instantâneo, o feminismo ideológico está a enviá-las directamente para o perigo ao ignorar a necessidade vital de prudência individual.

Paglia recorda-nos que o sexo é "daemónico" — uma força que não obedece a regras de etiqueta. Para ela, a liberdade sexual exige uma consciência vigilante dos riscos. Exercer a prudência — saber ler o ambiente, avaliar o carácter dos parceiros e não se colocar em situações de vulnerabilidade extrema com desconhecidos — não é uma limitação da liberdade, mas a sua condição de existência. A prudência é a ferramenta da mulher adulta que reconhece que o mundo real não é um campus universitário protegido.

É fundamental reiterar: defender a prudência individual não significa, de modo algum, culpar a mulher quando ocorre uma violação real. Se um homem ignora um "não" inequívoco, se usa a força ou se aproveita da incapacidade da vítima, ele é o único culpado e deve enfrentar a mão pesada da justiça. A responsabilidade penal é sempre do agressor. Todavia, reconhecer a culpa do criminoso não anula o dever de cautela da vítima potencial. Tal como trancar a porta de casa não desculpa o ladrão, mas evita o roubo, a prudência feminina serve para prevenir o horror que a lei, chegando sempre depois do acto, já não pode apagar.

O problema surge quando o acto consentido gera arrependimento e o feminismo oferece a solução de chamar "violação" a um erro de julgamento. Esta visão infantiliza a mulher. O feminismo do "meu corpo, minhas regras" nega-lhe, ironicamente, a capacidade de dizer: "assumi um risco e perdi".

A violação verdadeira — o acto cometido contra a vontade clara ou que ignora um "não" manifesto — deve ser punida com a máxima severidade. É um crime hediondo. Mas a "violação" que nasce apenas de uma reescrita da história após um arrependimento não é crime. Como diria Paglia, é o preço de uma liberdade que exige maturidade.

É urgente travar esta inflação semântica. Caso contrário, o verdadeiro violador sairá impune no meio de uma multidão de supostas "vítimas" que apenas não souberam gerir a sua própria liberdade. E será a dignidade da mulher — e a clareza da justiça — a pagar o preço mais alto.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Breve história do machismo

 



As mulheres sempre foram exploradas pelos homens. Se há uma verdade que ninguém põe em dúvida, é essa. Dos solenes auditórios de Oxford ao programa de entretenimento popular, do Collège de France à Banda de Ipanema, o mundo reafirma essa certeza, talvez a mais inquestionada que já passou pelo cérebro humano, se é que realmente passou por lá e não saiu direto dos úteros para as teses académicas.

Não desejando opor-me a tão augusta unanimidade, proponho-me aqui arrolar alguns factos que podem reforçar, nos crentes de todos os sexos existentes e por inventar, o seu sentimento de ódio ao macho heterossexual adulto, esse tipo execrável que nenhum sujeito a quem tenha acontecido a desventura de nascer no sexo masculino quer ser quando crescer.

O nosso relato começa na aurora dos tempos, em algum momento impreciso entre o Neandertal e o Cro-Magnon. Nessas eras sombrias, começou a exploração da mulher. Eram tempos duros. Vivendo em grutas, as comunidades humanas eram constantemente assoladas pelos ataques das feras. Os machos, aproveitando-se das suas prerrogativas de classe dominante, trataram logo de assegurar para si os lugares mais confortáveis e seguros da ordem social: ficavam no interior das cavernas, os malandros, a fazer comida para os bebés e a pentear os cabelos, enquanto as pobres fêmeas, armadas tão-somente com manguais, saíam para enfrentar leões e ursos.

Quando a economia de recolha foi substituída pela agricultura e pela pecuária, novamente os homens armaram-se em espertos, atribuindo às mulheres as tarefas mais pesadas, como a de carregar as pedras, domar os cavalos, abrir sulcos na terra com o arado, enquanto eles, os folgados, ficavam em casa a pintar potes e a brincar à tecelagem. Coisa revoltante.

Quando os grandes impérios da antiguidade se dissolveram, cedendo lugar aos feudos perpetuamente em guerra uns com os outros, estes logo constituíram os seus exércitos particulares, formados inteiramente por mulheres, enquanto os homens se abrigavam nos castelos e ali ficavam no "bem-bom", curtindo os poemas que as guerreiras, nos intervalos dos combates, compunham em louvor dos seus encantos varonis.

Quando alguém teve a extravagante ideia de cristianizar o mundo, tornando-se necessário para tal enviar missionários a toda a parte, onde arriscavam ser empalados pelos infiéis, esfaqueados pelos salteadores de estradas ou trucidados pelo auditório entediado com os seus sermões, foi novamente sobre as mulheres que recaiu o pesado encargo, enquanto os machos ficavam maquiavelicamente a fazer novenas perante os altares domésticos.

Idêntica exploração sofreram as infelizes por ocasião das cruzadas, onde, armadas com pesadíssimas armaduras, atravessaram os desertos para serem passadas a fio de espada pelos mouros (ou antes, pelas mouras, já que o machismo dos sequazes de Maomé não era menor que o nosso). E as grandes navegações, então! Em demanda de ouro e diamantes para adornar os ociosos machos, bravas navegantes atravessavam os sete mares e davam combate a ferozes indígenas que, quando as comiam – era uma miséria! – era no sentido estritamente gastronómico da palavra.

Finalmente, quando o Estado moderno instituiu o recrutamento militar obrigatório, foi de mulheres que se formaram os exércitos estatais, sob pena de guilhotina para as fujonas e recalcitrantes, tudo para que os homens pudessem ficar em casa a ler A Princesa de Clèves.

Há milénios, em suma, as mulheres morrem nos campos de batalha, carregam pedras, erguem edifícios, lutam com as feras, atravessam desertos, mares e florestas, sacrificando tudo por nós, os ociosos machos, aos quais não sobra nenhum desafio mais perigoso do que o de sujar as nossas mãozinhas nas fraldas dos nossos bebés.

Em troca do sacrifício das suas vidas, as nossas heroicas defensoras não têm exigido de nós senão o direito de falar grosso em casa, de queimar umas toalhas de mesa com pontas de cigarros e, eventualmente, de largar um par de meias no meio da sala para a gente apanhar.

- Olavo de Carvalho. Jornal da Tarde, 16 de agosto de 2001

segunda-feira, 9 de março de 2026

Ah, a Igualdade que Não Existe: Uma Resposta ao Choramingas Feminista de Sempre


https://estadocomarte.pt/site/wp-content/uploads/2026/03/ATMoura2-941x1024.jpg
Ah, que delícia de leitura matinal! Lá vem mais um artigo daqueles, escrito por uma ex-deputada socialista – sim, porque o feminismo é basicamente o braço armado da esquerda política –, a lamentar-se sobre como as mulheres continuam a ser vítimas eternas de um sistema patriarcal invisível, algoritmos malvados e estereótipos que, aparentemente, as impedem de conquistar o mundo. No texto "Entre Algoritmos e Estereótipos: Onde Está a Igualdade?", publicado no Estado com Arte em 7 de Março de 2026, a autora pinta um quadro apocalíptico onde as mulheres não têm os mesmos direitos e oportunidades que os homens, tudo por culpa de narrativas online que as confinam ao lar doce lar. Que original! Como se não ouvíssemos isso desde os anos 70, quando o feminismo começou a transformar queixas pessoais em agenda política para ganhar votos e subsídios.
Mas vamos lá desmontar esta falácia com um bocadinho de realidade – essa coisa chata que a esquerda adora ignorar quando não lhe convém. Porque, se formos a ver os dados reais de Portugal, quem é que está mesmo em desvantagem? Spoiler: não são as "vítimas" eternas. 
Vamos começar pelos trabalhos duros, esses que o feminismo convenientemente esquece quando fala de "segregação laboral". Em Portugal, os homens dominam os sectores mais perigosos e fisicamente exigentes, como a construção, a mineração e a indústria pesada. E adivinhem? Isso reflecte-se nos acidentes de trabalho. Segundo dados da ONU Mulheres, as lesões não fatais no trabalho afectam 3.566,5 homens por 100 mil empregados, contra apenas 1.411,9 mulheres. E nos acidentes fatais? Os homens levam a taça com 3,7 por 100 mil, enquanto as mulheres ficam em míseros 0,2. Em 2022, Portugal foi o terceiro país da UE com mais acidentes não fatais no trabalho, e o sexto em fatais, com a construção a liderar – um sector onde os homens são a esmagadora maioria. Ah, mas as feministas dirão que isso é "escolha livre". Claro, porque nada diz "oportunidade igual" como morrer no trabalho para que as mulheres possam reclamar de "estereótipos" em STEM.
E que tal falarmos de saúde mental? O artigo chora rios sobre como as narrativas online afectam as pobres mulheres, mas ignora o elefante na sala: os suicídios. Em Portugal, a taxa de suicídio masculina é de 17,7 por 100 mil habitantes, contra 5,9 para as mulheres – uma diferença de quase três vezes! Dados da OMS confirmam: os homens suicidam-se a uma taxa de 17,9 por 100 mil, as mulheres a 5,7. Porquê? Talvez porque os homens carregam o fardo de empregos stressantes, pressões sociais para serem "provedores" e uma sociedade que os ignora quando precisam de ajuda. Mas não, o feminismo prefere focar-se em "algoritmos que reforçam papéis tradicionais". Ironia: esses papéis tradicionais é que protegem as mulheres de estatísticas tão sombrias.
Agora, o golpe de misericórdia: o ensino superior. O artigo lamenta que as mulheres optem por áreas "menos remuneradas" como humanidades e cuidados, culpando os estereótipos. Mas os números contam outra história. Em Portugal, metade das mulheres tem um diploma universitário, contra apenas 34% dos homens. As mulheres representam 59,4% dos graduados em licenciaturas, 58,6% em mestrados e 52,5% em doutoramentos – acima da média da UE. Em 2023/2024, a taxa de conclusão do ensino superior para jovens de 25-34 anos é de 43,2%, com as mulheres a liderar. Menos homens a tirar cursos superiores? Que desigualdade terrível! Mas esperem, o feminismo chama a isto "sucesso feminino", não discriminação contra homens. Se fosse ao contrário, haveria marchas nas ruas e quotas obrigatórias.
No fundo, este artigo é mais um exemplo de como o feminismo, esse movimento político de esquerda disfarçado de luta por direitos, ignora os homens para perpetuar a narrativa de vitimização feminina. Mulheres sem direitos iguais? 
Por favor! Em Portugal, as mulheres vivem mais, estudam mais, suicidam-se menos e evitam os trabalhos que matam. Os homens? Bem, eles que se aguentem com os acidentes, os suicídios e os empregos "duros". Mas ei, pelo menos os algoritmos não os mandam para casa – mandam-nos para o cemitério. Que igualdade maravilhosa! Se o feminismo quisesse mesmo igualdade, talvez devesse lutar por mais mulheres na construção ou na mineração. Mas isso seria pedir demasiado a um movimento que prefere queixar-se em vez de agir.

8 de Março: A Verdadeira História Por Trás do Dia Internacional da Mulher

 

https://imagens.publico.pt/imagens.aspx/1787247?tp=UH&db=IMAGENS&type=JPG

Anualmente, o mundo assinala o Dia Internacional da Mulher entre flores, discursos sobre empoderamento e campanhas de marketing que convertem a efeméride num evento comercial inofensivo. Contudo, sob esta fachada simbólica, esconde-se uma génese que muitos preferem distorcer. A narrativa hegemónica, replicada em escolas e universidades, evoca a tragédia de 129 operárias têxteis que, em 1857, teriam sido queimadas vivas — uma lenda propagada para alicerçar uma "verdade" colectiva. Como alerta Bérénice Levet, tal celebração tornou-se a ponta de lança de uma "nova inquisição" que, sob o pretexto da emancipação, visa desconstruir a cultura ocidental e substituir a harmonia entre os sexos pelo conflito permanente.

O Mito Desmascarado: Não Houve Incêndio em 1857

Para sustentar esta visão ideológica, recorre-se frequentemente ao mito de um incêndio ocorrido a 8 de Março de 1857. Todavia, a realidade histórica é que não ocorreu qualquer greve ou imolação de operárias nessa data. Pesquisas contemporâneas, incluindo a análise de periódicos norte-americanos da época, confirmam que este relato é uma invenção posterior, sem qualquer lastro factual. A confusão deriva, na verdade, do sinistro na fábrica Triangle Shirtwaist, em Nova Iorque, ocorrido anos mais tarde, a 25 de Março de 1911. Causado por instalações eléctricas precárias, esse acidente vitimou 146 trabalhadores — 125 mulheres e 21 homens, na maioria imigrantes judeus e italianos. Longe de ser um acto criminoso contra grevistas, tratou-se de uma tragédia agravada por condições laborais negligentes, como portas trancadas para evitar furtos.

Esta distorção cronológica foi deliberadamente forjada na década de 1950 pelo jornal comunista francês L'Humanité. O objectivo era dissimular as raízes soviéticas da celebração, tornando-a mais aceitável num Ocidente anticomunista ao apropriar-se de uma fatalidade humana para romantizar a militância feminista. Hoje, o local desse verdadeiro incêndio — integrado na Universidade de Nova Iorque — ostenta uma placa que o recorda como um catalisador de reformas laborais no quadro da democracia e do capitalismo, e não como um martírio ideológico.

A Verdadeira Origem: Raízes no Socialismo e na Revolução Russa

A verdadeira origem do 8 de Março reside, portanto, no movimento socialista europeu e na Revolução Russa. Em 1910, durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhaga, a líder alemã Clara Zetkin propôs a criação de um "Dia Internacional da Mulher" para promover os direitos das trabalhadoras segundo os ideais socialistas. Embora a proposta tenha sido aprovada por representantes de 17 países, a celebração inicial, em 1911, ocorreu a 19 de Março em nações como a Alemanha e a Áustria, focando-se no sufrágio feminino.

A fixação definitiva da data deve-se aos acontecimentos em Petrogrado. A 8 de Março de 1917 (23 de Fevereiro no calendário juliano), milhares de mulheres saíram às ruas exigindo "Pão e Paz", protestando contra a fome e a participação russa na Primeira Guerra Mundial. Esta mobilização evoluiu para uma greve geral que derrubou a monarquia czarista e abriu caminho à ascensão dos bolcheviques. Consequentemente, em 1921, a Conferência Internacional das Mulheres Comunistas em Moscovo oficializou a data, e Vladimir Lénine instituiu-a como feriado soviético. Foi apenas em 1975, durante o Ano Internacional da Mulher, que a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu a efeméride, transformando um marco da revolução comunista no evento global que hoje conhecemos.

O Socialismo Soviético e a "Emancipação" da Mulher: Uma Prisão Ideológica

Inspirados nos escritos de Karl Marx, que descreviam o casamento e a família como instrumentos de opressão, os bolcheviques pregaram a "emancipação feminina" através da transição do lar para o trabalho operário. Para Lénine, o trabalho doméstico "embrutecia" a mulher, impedindo a sua plena participação política. Esta visão materializou-se em políticas como o Código da Família de 1918 e a legalização do aborto em 1920 — tornando a URSS o primeiro país a fazê-lo. Sob a influência de figuras como Alexandra Kollontai, promoveu-se a liberdade sexual e o fim da dependência económica no matrimónio, argumentando-se que só o socialismo resolveria as contradições entre a vida familiar e laboral.

Na prática, porém, esta liberdade significava servir o Estado. As mulheres foram incorporadas na força de trabalho, mas o prometido "lar comunal" nunca se concretizou plenamente. Mais tarde, em 1936, Estaline reverteu o rumo com políticas conservadoras para estabilizar a sociedade através da família nuclear. Tal como as agendas feministas modernas — que reclamam o divórcio facilitado e a "libertação" da maternidade —, este projecto constituía uma guerra contra o patriarcado e o capitalismo, bandeiras do colectivo "Pão e Rosas". Contudo, o que se vende como empoderamento é uma ideologia que prioriza o regime sobre a família, substituindo a protecção do marido pela dependência de um Estado totalitário.

Uma Data Esvaziada: Do Revolucionário ao Comercial

Com o colapso do bloco socialista, o mito das operárias queimadas serviu para "limpar" as origens comunistas da data, permitindo a sua aceitação no Ocidente capitalista. Hoje, o 8 de Março é frequentemente reduzido a flores e campanhas corporativas que ocultam a sua essência política. Todavia, no século XXI, a data recuperou o seu carácter revolucionário. Em Portugal, a Rede 8 de Março — Greve Feminista, apoiada por dezenas de colectivos (incluindo Bloco de Esquerda, LIVRE e PAN), organizou manifestações em Lisboa e Porto com lemas como "Pela Libertação de Todas as Mulheres" e "Enfrentamos o fascismo, exigimos avançar!".

Estas marchas reuniram mais de mil pessoas que, ao denunciarem retrocessos imaginários, promoveram pautas radicais de género, antirracismo e antimilitarismo. Tais eventos, descritos como resistência à "opressão patriarcal", mantêm vivo o espírito confrontacional original, transformando a data num palco de polarização ideológica. Ao perpetuar uma guerra de sexos, ignora-se os avanços reais alcançados pela sociedade democrática e pelo mercado de trabalho moderno. Como recorda Bérénice Levet, a verdadeira liberdade não reside na rejeição da nossa natureza, mas no resgate da dignidade feminina e na harmonia com o homem — libertando-nos do feminismo para recuperar a nossa humanidade.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Maria Antónia Palla: Um Viés Ideológico Evidente

 



A notícia publicada no Observador, intitulada «Há 50 anos, foi a tribunal por causa de uma reportagem sobre o aborto. Hoje, Maria Antónia Palla alerta: “Não se conquista nada para sempre”», apresenta-se como uma peça jornalística retrospectiva, mas revela-se, na essência, um veículo de promoção do activismo feminista de esquerda. Com uma forte tónica pró-aborto, o texto retrata Maria Antónia Palla, de 93 anos, como uma figura icónica da luta pelas liberdades femininas, ignorando contradições flagrantes no seu legado familiar e político em prol de uma narrativa romantizada que serve mais a uma agenda ideológica do que ao jornalismo rigoroso.

O artigo mergulha na biografia de Palla, destacando a sua trajetória como jornalista pioneira antes e após o 25 de Abril, a sua influência feminista e a célebre reportagem de 1976 sobre o aborto clandestino, que resultou num processo judicial e no seu despedimento da RTP. O tom é de celebração: Palla é pintada como uma mártir da liberdade de expressão. Contudo, as estimativas alarmantes de 300 mil abortos anuais são apresentadas sem o devido contraditório. Esta abordagem reforça a visão de que o aborto é uma "escolha livre" fundamental, omitindo perspectivas éticas ou científicas que questionam o procedimento. Palla utiliza o mote "não se conquista nada para sempre" para alertar contra alegados retrocessos, visando especificamente propostas do partido Chega ou declarações de João Cotrim de Figueiredo. Esta selectividade ataca apenas as visões conservadoras, silenciando os potenciais impactos demográficos ou psicológicos da liberalização do aborto.

O viés ideológico é cristalino na repetição do número de 300 mil abortos clandestinos por ano. Esta estatística, usada para dramatizar uma suposta "epidemia" mortal, é um exemplo clássico de exagero militante sem base científica. Sendo o aborto clandestino uma prática ilegal e sem registos, seria impossível quantificá-lo com tal precisão. Fontes institucionais e históricas desmentem esta hiperbolização:

  • APF e Rede de Médicos Sentinela (anos 90): Estimavam cerca de 20 mil abortos ilegais anuais antes da despenalização de 2007.
  • Estudo Médico (Matias Dias, Marinho Falcão e Falcão, 1993-1997): Apontava para cerca de 40 mil casos anuais, com base em internamentos e diagnósticos hospitalares.
  • OMS e Relatórios Internacionais: Sugeriam valores entre 17 mil e 40 mil, baseando-se na proporção de nados-vivos e complicações hospitalares.
  • Contexto da década de 70: Embora houvesse quem apontasse para 100 a 200 mil, tratava-se de extrapolações grosseiras. O número de 300 mil surge quase exclusivamente em narrativas militantes (entrevistas de Palla e publicações feministas), sem qualquer metodologia declarada.

Conclusão: O número de 300 mil é insustentável e propagandístico — inflacionado para justificar a despenalização como uma "salvação de vidas". Contradiz os dados demográficos: Portugal registava entre 150 a 180 mil nados-vivos por ano; 300 mil abortos implicariam que mais de 60% das gestações seriam interrompidas, um cenário sem paralelo na Europa. A realidade pós-2007 confirmou a falácia: os abortos legais estabilizaram entre os 15 e os 18 mil anuais (Dados da PORDATA / DGS), provando que o número real era da ordem das dezenas de milhar, e não das centenas.

O activismo transparece ainda na separação conveniente entre a vida pessoal de Palla e a política. O texto insiste que a mãe de António Costa "não mistura" família e ideologia, ignorando hipocrisias gritantes. Sob a governação do seu filho, foi aprovada a Lei da Autodeterminação de Género (Lei n.º 38/2018), que permite a "mudança de sexo" sem requisitos médicos rigorosos. Isto resultou em situações distópicas: homens que se identificam como mulheres a entrar em espaços exclusivos, como os balneários ou a Prisão de Tires, onde reclusas são obrigadas a conviver com indivíduos do sexo masculino biológico. Haverá maior atentado aos direitos das mulheres do que esta erosão de categorias biológicas? O artigo, ao elevar Palla a guardiã do feminismo, silencia sobre como as políticas do seu filho contradizem o seu suposto legado de protecção feminina.

Em suma, esta peça do Observador falha ao não oferecer uma visão equilibrada, optando por uma hagiografia que serve o progressismo radical. Ao omitir contradições e amplificar números sem fundamento, o jornalismo abdica da sua missão de informar para passar a persuadir, alimentando uma polarização desnecessária em temas de extrema sensibilidade social.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Homens Constroem, Feminismo Destrói

 


Desde a década de 60 que se vislumbra um ataque à masculinidade; na verdade, os ataques começaram antes, mas ganharam grandes proporções e contornos explícitos a partir da segunda vaga feminista. Uma verdadeira campanha, não pró-igualdade entre ambos os sexos, como tentam disfarçar, mas sim um intenso desejo de atribuir ao homem rótulos depreciativos. E, embora não o declarem tão abertamente, vão mais longe: almejam o fim da própria mulher.

Betty Friedan, através do livro A Mística Feminina, publicado em 1963, difundiu a sua tese de infelicidade da mulher ao desempenhar as tarefas domésticas. Assim, cuidar do marido, dos filhos e da casa seria um papel imposto às mulheres e desprovido de prazer. Friedan defendeu no seu livro que as mulheres, ao dedicarem-se às actividades domésticas, eram infelizes, sentiam as suas vidas incompletas, choravam sem motivo e zangavam-se com as crianças (parece que ela descobriu a tensão pré-menstrual). A "senhora sabe-tudo", que batia e tentou esfaquear o marido, citando o Rev. Theodore Parker, afirmou:

Obrigar metade da raça humana a esgotar as suas energias unicamente nas funções de governanta, esposa e mãe é um monstruoso desperdício do mais precioso material criado por Deus.

O site feminista Valkirias, em crítica a Friedan, declara que ela era «uma mulher que se sentia profundamente insatisfeita dentro de casa, com o seu casamento e com o que lhe fora dito que seria a sua vida; e, mais tarde, como alguém que não soube abrir os seus horizontes para além das suas dificuldades e problemas».

Como se percebe, as feministas levam para o centro do debate público as frustrações que vivem no privado. Apesar de se considerarem intelectuais, desconsideraram que todas as pessoas, sejam homens ou mulheres, passam por momentos de angústia, tristeza e dúvida; isso não significa que devamos pautar a vida em sociedade a partir do que estas mulheres entendem como a solução para as suas frustrações e incómodos. O livro Uma Confissão, de Liev Tolstói, também fala de angústias, medos, frustrações e, na verdade, de redenção. A questão é que ninguém ousa apontar os problemas descritos pelo autor com base no facto de ele ser homem. Os problemas humanos não se originam exclusivamente nos órgãos genitais. Homens e mulheres sofrem, e ponto final.

O problema é que essa discussão ganhou eco, invadiu os lares e mudou a sociedade. Convenceram grande parte das mulheres de que trabalhar fora de casa, prover e produzir riquezas é superior à função de educar um ser humano, que porventura é o seu próprio filho. Cuidar da alma humana e ensinar valores é mesmo sem importância? Contraditório para quem surge justamente de uma crítica ao capitalismo.

Em A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, publicado em 1884, Friedrich Engels e Karl Marx defendem a ideia de que as mulheres são oprimidas pelos homens. Resumidamente, os autores dizem que os homens teriam usado a sua superioridade física para dominar a mulher, tornando-a sua escrava sexual, a fim de garantir a continuidade dos seus bens entre os descendentes. Para os marxistas, esta opressão está ligada ao surgimento da propriedade privada e a solução passaria pelo fim do capitalismo. Pois, numa sociedade semelhante ao modo de vida dos primórdios, não haveria espaço para o Estado, para a propriedade privada e, consequentemente, para o casamento monogâmico, bem como para a prostituição.

Um ser mau, perverso, dominador e opressor: eis o que são os homens para estas correntes. Eles lideraram as comunidades, formaram o Estado e a política, compuseram os mais diversos espaços públicos; logo, a responsabilidade pela exploração do trabalhador, e também da mulher, é do homem. O que fazer diante deste cenário? Destruí-lo!

Contudo, que ser tão maligno e perverso é este, que deixa a mulher em casa, longe de todos os riscos que a caça e os trabalhos desgastantes e insalubres produzem, e que ainda leva o alimento — ou, de forma mais moderna, o dinheiro — para casa? Enquanto a retórica feminista foca no "patriarcado opressor", a realidade estatística em Portugal desmente a narrativa de privilégio absoluto. Segundo os dados da PORDATA e da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), a esmagadora maioria das vítimas de acidentes de trabalho mortais em Portugal são homens. Em sectores como a construção civil, pescas e indústria pesada — trabalhos que garantem o teto e a energia das próprias feministas — o risco é constante. Os homens não apenas fazem os trabalhos que ninguém quer fazer; eles morrem a fazê-los para sustentar as suas famílias.

Que ser tão 'indiferente' é este que procura saber quem são os seus filhos e lhes destina, sem que estes precisem de qualquer esforço, tudo o que conquistou com trabalho árduo? O homem não precisaria das mulheres para se alimentar ou vestir e, se fosse tão horrendo como se apregoa, não teria dificuldade em obter sexo de forma puramente transacional. No entanto, decide partilhar o fruto do seu trabalho com a mulher e os filhos. Há, claramente, uma incongruência entre a realidade e as teses de certa literatura feminista. Os homens são, efetivamente, essenciais.

Sob outra perspetiva: prefeririam as mulheres ser tratadas com a generalidade dedicada às demais, ou optariam por um homem que lhes garantisse atenção exclusiva e proteção à sua prole? O preço seria a fidelidade — uma troca cuja resposta parece evidente. Não surpreende que, ainda hoje, as mulheres tendam a ser as maiores entusiastas do matrimónio. Tal não anula a opção de uma vida sexual livre, embora esta escolha as coloque, invariavelmente, em desvantagem face às restantes.

«Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico ou económico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermédio entre o macho e o castrado que qualificam de feminino.» Lemos este excerto em O Segundo Sexo (1949), de Simone de Beauvoir. Esta declaração ecoa até aos nossos dias e ganhou um fôlego renovado na chamada "terceira vaga" feminista, que passou a debater freneticamente as questões de género enquanto construção social. Para estas feministas, as concepções e os papéis de ambos os sexos não passam de construções sociais — "contos de fadas" repetidos para enganar e inferiorizar, sobretudo, as mulheres. Imaginemos como terá começado esta história: algures, numa terra muito distante, os homens orquestraram um plano maligno para oprimir o sexo feminino. Imagino, até, que deva existir uma acta dessa reunião.

Entre as principais teóricas da terceira vaga destaca-se Monique Wittig (1935–2003), autora de Le Corps Lesbien e uma das figuras que mais influenciou Judith Butler. Wittig afirmou abertamente que «o género não se trata da defesa das mulheres ou mesmo das lésbicas, mas da quebra da hegemonia heterossexual». Alinhada com este pensamento, a brasileira Berenice Bento declarou numa conferência que «não existe mulher», defendendo que «o conceito é apenas um símbolo — e, como qualquer símbolo, é unitário, autoritário e impositivo». No entanto, acrescenta que «este símbolo é utilizado estrategicamente para construir uma agenda unificada de luta e, a partir daí, avançar em determinados objetivos». Fica claro, portanto, que para estas correntes a "mulher" é meramente um objecto instrumentalizado para fins revolucionários.

Wittig defende que a linguagem foi o meio pelo qual o homem concebeu a heterossexualidade como algo "natural". Segundo a autora, seria necessária uma transformação abrupta a partir da própria língua, através da imposição de uma nova gramática (linguagem neutra) e de novos valores. Para ela, só estas mudanças seriam capazes de transformar este sistema "opressivo". Qualquer cidadão comum que escute tais ideias perguntaria: terá esta gente perdido o juízo? Atente-se às verdades cruas: apenas a união carnal entre um homem e uma mulher é capaz de garantir a perpetuação da espécie humana. A realidade é coerciva e não adianta lutar contra os factos: nascemos homens ou mulheres, e ponto final! Não raras vezes, as críticas ao feminismo são confundidas com a complacência perante a violência contra a mulher. Um erro grotesco! O homem que agride uma mulher e abusa do seu poder é o primeiro a desonrar a própria masculinidade que sustenta o mundo.

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O Arrependimento de uma Feminista

 


Num testemunho comovente publicado no iNews em março de 2025, a jornalista britânica Kate Mulvey, aos 63 anos, reflecte sobre as consequências de uma vida dedicada ao feminismo radical. Mulvey, que se identificava como feminista desde os anos 80, admite que a sua ideologia a levou a criticar incessantemente os homens, vendo-os como inimigos em vez de parceiros, e a dar prioridade a uma autonomia extrema que a isolou de laços afectivos e familiares. Hoje, sozinha, sem filhos e sem companheiro, expressa um profundo arrependimento: «Afastei os homens, menosprezei-os, convenci-me de que não precisava de ninguém. O resultado: estou sozinha e é difícil. O feminismo fez-me acreditar que isto era liberdade, mas, na maioria das vezes, deixou-me vazia.»

Esta confissão não é apenas uma história pessoal; ilustra os perigos de um movimento que, sob o pretexto do empoderamento, promove o ódio aos homens e à estrutura familiar tradicional, deixando um rasto de destruição emocional e social. Mulvey descreve como o feminismo de segunda vaga, influenciado por ideais que retratavam o casamento e a vida doméstica como armadilhas a evitar, a convenceu de que os homens eram 'rivais em vez de parceiros'.

Lamenta não se ter casado nem tido filhos, atribuindo esse facto diretamente à ideologia que a fez dar prioridade à carreira e à independência acima de tudo. «Tenho uma carreira de sucesso como escritora e radialista, mas nunca tive filhos nem me casei, e o meu relacionamento mais longo durou oito anos», escreve.

Este arrependimento ecoa em discussões recentes nas redes sociais, como em publicações no X (antigo Twitter), onde vários utilizadores destacam que ex-feministas como Mulvey reconhecem agora que o 'ódio aos homens' arruinou as suas vidas, servindo de lição para as gerações mais jovens.

Outras publicações reforçam que o feminismo radical incentiva as mulheres a rejeitar críticas ou correcções, especialmente vindo de homens, o que as conduz ao isolamento.

Numa perspectiva conservadora, o caso de Mulvey expõe o cerne problemático do feminismo: o seu ódio inerente aos homens e à família nuclear, pilares de uma sociedade estável. Figuras proeminentes do movimento feminista expressaram, historicamente, visões que demonizam o masculino e desconstroem a família tradicional. Por exemplo, Valerie Solanas, autora do infame Manifesto SCUM (1967), declarava que «o homem é um acidente biológico: o gene Y é um gene X incompleto... o homem é uma mulher incompleta».

Esta retórica não é isolada; Robin Morgan, editora da revista Ms., afirmava que «o ódio aos homens é um acto político honroso e viável, e que os oprimidos têm direito ao ódio de classe contra a classe que os oprime».

Andrea Dworkin, outro ícone radical, ia mais longe, descrevendo o casamento como uma instituição de 'violação' e os homens como inerentemente violentos, promovendo uma visão que corrói a confiança mútua necessária para a constituição de família.

Até mesmo precursoras como Betty Friedan, em A Mística Feminina (1963), criticavam a família suburbana como uma «prisão confortável» para as mulheres, incentivando-as a rejeitar o papel de mães e esposas em favor de carreiras independentes.

Mais recentemente, a feminista francesa Pauline Harmange, no seu ensaio Eu Odeio os Homens (2020), defende abertamente o ódio aos homens como uma resposta racional à opressão, argumentando que «uma mulher que odeia homens é tão perigosa quanto um homem que odeia mulheres – e que não há justificação racional para o que ela sente, seja aversão, desconfiança ou desprezo».

Estas declarações não são meras excepções; formam o núcleo de um ideário que vê a família patriarcal como o inimigo, promovendo a solidão como o preço da 'liberdade'. Os conservadores argumentam que esta agenda anti-família enfraquece a sociedade no seu todo. A família tradicional, com papéis complementares entre homens e mulheres, é o alicerce da estabilidade moral, económica e emocional. Estudos demonstram que crianças criadas em lares intactos, com pai e mãe presentes, têm melhores resultados na saúde mental, na educação e nos relacionamentos futuros.

O feminismo, ao incentivar o divórcio fácil, a maternidade tardia ou ausente, e o desprezo pelos homens, contribui para taxas crescentes de solidão, depressão e para o declínio demográfico no Ocidente. Como Mulvey percebe agora, a 'independência' radical transforma-se, muitas vezes, em isolamento: «Como mulher solteira e sem filhos, aos 63 anos, é difícil admitir o quão aterrorizada estou por acabar sozinha e ser comida por gatos.»

Publicações no X (antigo Twitter) ecoam este sentimento, com utilizadores a alertar que o feminismo convence as mulheres de que a autonomia é tudo, mas deixa-as vazias no final.

Em resumo, o testemunho de Kate Mulvey serve como um alerta poderoso contra o feminismo radical. Embora reconheça a luta pela equidade básica, a jornalista critica o 'fervor ideológico' que comprometeu as suas hipóteses de ter uma vida plena, com companheiro e família.

Numa perspectiva conservadora, é tempo de rejeitar esta ideologia tóxica que fomenta o ódio aos homens e desmantela a família, em favor de valores que promovam a união, a responsabilidade mútua e o florescimento humano genuíno. Mulheres como Mulvey pagaram o preço; que a sua história impeça outras de seguirem o mesmo caminho.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Feminismo Tóxico - Subversão da feminilidade e da masculinidade

 


DISPONÍVEL A 24 DE FEVEREIRO -

A ideia de feminismo está, para muito do cidadão comum, e por força do enorme poder de influência dos seus promotores, associada a uma justa conquista de direitos por parte das mulheres. Da mesma forma que se associa o “anti-racismo” a uma justa defesa de direitos de minorias raciais, ou se associa a identidade de género a um não menos justo direito a ostentar o “género” que bem se entende.
Ora, todos estes fenómenos têm um padrão comum. Todos estes movimentos que se arrogam defensores de um determinado grupo social, sobre o qual se aponta uma alegada “discriminação”, têm como finalidade a destruição de todo e qualquer factor de diferenciação entre os seres humanos, seja ele biológico, histórico ou cultural – os elementos constitutivos da nossa matriz civilizacional, construída ao longo de milénios –transformando este “homem novo” num consumidor indiferenciado, cidadão do mundo de características voláteis e identidade fluída, livre de qualquer referência que o fixe numa realidade sangue e terra, história e cultura, comunidade e cooperação.
Para estes movimentos, a pessoa – com o seu valor intrínseco como pessoa humana – pouco importa. A pessoa apenas tem importância caso se enquadre no estereótipo ideológico concebido pelo movimento. A partir do momento em que deixar de se enquadrar, é descartada. Elege-se uma “desconstrução social” artificialmente concebida que fomente uma “guerra de sexos”. Para os ideólogos destes movimentos, e do feminismo em particular, não é a mulher real que importa, ou as situações reais que envolvem essa mulher, mas sim a narrativa que se consegue construir a partir dessa realidade. Partindo de algumas reivindicações perfeitamente legítimas, concebem todo um plano ideológico e político, cuja extensão raramente é percepcionada por aqueles que, legitimamente, acreditaram nas “boas intenções” do movimento.
“Este manual compreensivo, Feminismo Tóxico, leva-nos às origens dos conceitos de feminismo, às lutas pelos direitos das mulheres, às suas dificuldades e às suas conquistas. Apresenta-nos os principais autores do Feminismo político e social, aqueles que usando uma luta pelas mulheres as usaram para fins políticos. Muitas vezes que em nada tinham a ver com a defesa da condição feminina.
Acima de tudo, este livro esclarece-nos, de forma simples e didáctica, como se criaram os movimentos feministas e como evoluíram até aos nossos dias. Mostra como o radicalismo e a exacerbação feminista acabaram por ter o efeito contrário, nefasto, de prejudicar as mulheres.
Partindo do século XIX, revisitando acontecimentos e autores marcantes, este livro leva-nos numa viagem fascinante aos conceitos, às teorias, aos momentos marcantes e à clarificação do pensamento teórico, social e antropológico que marcaram o século XX e até aos nossos dias.”
Com prefácio do psicólogo clínico Dr. Abel Matos Santos e ilustração de capa da artista Leonor Trindade, este promete ser um dos grandes livros de 2022, acessório indispensável para todos os que se pretendem munir de conhecimento e argumentação para o bom combate cultural, recusando a derrota face a esta narrativa nefasta, desumana e não-natural que, travestida de “valores humanitários”, tem gozado de poder hegemónico na educação, na cultura, na comunicação social, e claro está, no espaço político.



Autora: Maria Helena Costa
Título: Feminismo Tóxico - Subversão da feminilidade e da masculinidade
Formato: 152x229mm
300 páginas
PVP: 15€

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Finalmente, alguém que me representa!

 



De acordo com a CNN, “Só há uma mulher nos deputados do Chega. E é antifeminista.”

Até que enfim! Uma mulher de direita, que pensa pela sua cabeça e que não é refém do feminismo radical, instrumentalizado pelo socialismo, que não se deixa iludir pelo canto da sereia, que não vê as desigualdades com as lentes do feminismo, nem selecciona o tipo de violência a combater (pois todo o tipo de violência nos é abominável).

Congratulo-me pelo facto de a Rita Matias não se deixar seduzir pelo discurso marxista da “vítima” e do “opressor”, que continua a reivindicar direitos já adquiridos e consagrados, mas que só o faz em países onde os direitos das mulheres já estão devidamente acautelados e salvaguardados, onde não são impedidas de estudar, de olhar para um homem, de escolher o homem com quem desejam casar, de andar semi-nuas e de cabeça descoberta na rua, de conduzir, de trabalhar fora de casa, de praticar a religião que quiserem, enfim, de tudo e mais alguma coisa.

A Rita sabe que a tradição e a cultura, invocadas pelas feministas para justificar a opressão e a ausência de liberdade das mulheres islâmicas, não justificam a violação dos direitos humanos fundamentais dessas mulheres. Ela sabe que o movimento político feminista só quer destruir a cultura judaico-cristã, ou seja, aquela que sempre lutou para que o valor da mulher fosse reconhecido, pois reconhece que Deus nos criou à Sua imagem e semelhança, homem e mulher nos criou, iguais em direitos e valores, mas com papéis diferentes, complementares e não igualitários. É isto que o feminismo quer exterminar.

O feminismo é um movimento neo-marxista cultural, puro e duro. A sua luta deixou de ser “o trabalhador contra o patrão” e passou a ser a mulher contra o homem e contra a família. Sim, srª jornalista, o feminismo é anti-homem e anti-família. Não importa o que você pensa, nem a narrativa que resolveu abraçar, esta é a verdade e isso vê-se em muitas reivindicações absurdas do movimento feminista, como por ex. esta:

Quem não conhece a famosa imagem V-J Day in Times Square? A imagem de um marinheiro norte-americano a beijar uma jovem enfermeira? Em 1945, através de uma edição da revista Time, a fotografia correu mundo e o beijo de dois desconhecidos transformou-se num símbolo de alegria pelo fim da II Guerra Mundial. Da fotografia nasceu uma escultura com 7 metros de altura que se encontra instalada em San Diego, EUA, mas … Em 2014 um grupo feminista francês chamado Osez Le Feminisme, criou uma petição pública a exigir a remoção da escultura de uma exposição, por se tratar, segundo as feministas, de um crime de agressão sexual, uma vez que o marinheiro não tinha o direito de beijar a enfermeira, ainda que ela tenha afirmado que gostou do beijo.

Frustradas! 

Este é o feminismo que a Rita despreza e eu também.

A Joana Amaral Dias, incapaz de esconder o seu ressentimento pelos péssimos resultados dos partidos mais à esquerda e pela ascensão meteórica do CHEGA, usou de toda a sua falta de classe, e da militância dos moderadores feministas, para amesquinhar e insultar a Rita. A Joana, que só se tornou figura pública e passou a aparecer nas TV’s depois de ter posado nua para uma revista e de exibir o corpo nas redes sociais (quando são as feministas a ganhar dinheiro para posarem nuas nunca se trata de objectificar a mulher…) afiou as garras e atirou-se a uma mulher mais jovem (e muito mais nova, inteligente e bonita!) só porque não pensa como ela nem alinha no discurso da vítima e do opressor, que só serve para alimentar movimentos revolucionários, algumas Associações, e garantir ordenados chorudos a quem os encabeça.

Lamento profundamente que se continue a bater na tecla das diferenças salariais entre homens e mulheres. A lei já proíbe que isso aconteça e, desculpem, mas os patrões seriam demasiado burros se escolhessem homens para fazer o mesmo trabalho e a mesma carga horária das mulheres e lhes pagassem mais.

Para quem ainda não entendeu como se calculam essas tais diferenças salariais, passo a explicar: as estatísticas, que revelam que as mulheres ganham menos do que os homens na mesma profissão e pelo mesmo tempo de serviço, fazem-se contabilizando o tempo de baixa de maternidade como se as mulheres estivessem a trabalhar sem receber, uma vez que é a Segurança Social que lhes paga durante esse período. Então, se a estatística for feita com homens e mulheres e cada uma das mulheres já foi mãe, uma ou mais vezes, usufruindo assim da licença de maternidade, a entidade patronal pagou mais aos homens do que às mulheres, percebem?

A verdade, é que neste país, a não ser que se infrinja a lei, não há patrões a pagar menos às mulheres - pelo mesmo trabalho, horas e tempo de serviço - do que aos homens e, se há, é só fazer cumprir a lei e penalizar os prevaricadores.

Há, e já agora, qual é a proposta da Joana, e do feminismo, para a grande percentagem de mulheres que, se pudesse, gostaria de ficar em casa a cuidar do marido e dos filhos a tempo inteiro?

A Rita, e muito bem, falou de algo real. A quantidade de mulheres despedidas por terem sido mães.

·         Por que não há penalização para os empregadores mediante esta violação da lei?

·         Por que não se aplica a lei?  

A Joana - talvez por ignorar a quantidade de vezes que o André Ventura falou sobre a urgência de aumentar e aplicar penas mais duras, incluindo a prisão perpétua para crimes hediondos - citou as muitas mulheres vítimas de violência doméstica e violação.

Tenho várias perguntas:

·         O que fazem as feministas e as Associações - que se alimentam exactamente dessa violência - para acabar com ela?

·         Por que é que as penas não são mais pesadas, como o CHEGA tem reclamado?

·         Por que é que só se “protegem” as vítimas depois de serem violentamente agredidas e não se prendem os agressores antes de matarem?

·         Por que é que nunca se fala na violência contra os homens?  

·         Por que é que há tantas queixas, de mulheres que recorreram a essas Associações, de abusos e mais violência psicológica?

A Rita, e muito bem, mencionou que o CHEGA quer que TODAS as pessoas, independentemente do seu sexo, cor de pele ou orientação sexual, sejam protegidas e que todos os criminosos sejam efectivamente presos, julgados e condenados.

A violência não tem sexo!

Quanto a haver homens que não ajudam em casa… Acredito que haja alguns que não ajudam as suas mulheres em casa e que não colaboram sequer na educação e no cuidado dos filhos, mas, convenhamos, cuidar dos filhos, do marido e do lar, para uma feminista, é trabalhar de graça e ser explorada pelo marido, pelos filhos e... Pelo cão. Trabalhar horas a fio para um patrão, em troca de um ordenado mínimo e da terceirização da educação dos filhos e do cuidado do lar, é emancipação. Matar os filhos no ventre, é empoderamento; fazer sexo com todos os homens, gratuitamente, é “amor”.

Haja pachorra para tanto ódio, frustração, falta de amor e de valores. Eu, como mulher, esposa e mãe, só lamento não ter ficado mais tempo em casa a cuidar dos meus filhos, do meu marido e do nosso lar. Promiscuidade, todas com todos e com muitos [“amor” livre e plural], é bom e salutar. Ser mulher de um só homem, que trabalha arduamente para sustentar a família, e cuidar dele e dos filhos, isso é que não. Só se lhe pagarem? Desculpem, mas exigir pagamento por ter filhos e cuidar deles, amar a família, ser amada e cuidar do lar — desempenhar papéis tão nobres e dignos — faz-me pensar nas prostitutas que só dão prazer em troca de dinheiro... A sério... Vai de retro Satanás.

Foi hilariante ouvir o jornalista, também ele feminista, recorrer ao bicho-papão do Estado Novo, dizendo à Rita que ela, por ser tão nova, não teria como se lembrar, mas deveria saber História… Qual história, homem? A que passou pelas lentes bloquistas e é difundida pelas esquerdas? Estava lá? Viveu nesse tempo? Não creio.

Para terminar, o Dr. Pedro Arroja pode pensar o que quiser e creio que ainda é livre para expressar o que pensa. Usar isso, para afirmar que – só porque o Dr. Pedro Arroja foi mandatário da campanha - o CHEGA quer voltar a tratar as mulheres como pessoas de segunda, é ignorar absolutamente o papel do mandatário, o programa político do partido e a quantidade de mulheres que se sentem representadas e militam no partido. O que o CHEGA quer é que as mulheres tenham realmente o direito a optar por serem aquilo que desejam: esposas e mães a tempo inteiro, e, ou, profissionais de excelência.

Ontem, pela primeira vez desde há décadas, senti-me representada num canal de TV. A Rita Matias, sem precisar tirar a roupa para ter cartaz e tempo de antena, representou todas as mulheres que não estão reféns da narrativa feminista.

Parabéns, minha querida!