quarta-feira, 29 de abril de 2026

Ministra Alarcão Júdice e a Teoria do Crime que Compensa

 

A notícia correu célere nos últimos dias: o Governo, pela voz da sua Ministra da Justiça, rejeita liminarmente o agravamento das penas para os crimes de violência doméstica. Para Rita Alarcão Júdice, a eficácia do sistema não se mede pela severidade da punição, mas por uma qualquer alquimia de reabilitação.

Ó minha querida Ministra Rita Alarcão Júdice, que sabedoria divina (ou será laica?) a sua! A senhora, com aquela serenidade de quem já decorou todos os manuais da reabilitação progressista, vem dizer-nos que agravar as penas não é medida eficaz contra a violência doméstica. “Não acho que seja por uma pena ser mais grave que a pessoa deixará de ter determinado comportamento”, disse à Lusa.

Pronto, está resolvido! Se os prevaricadores não se intimidam com mais anos de cadeia, o segredo deve estar, com certeza, nas penas mais leves. Ou, quem sabe, na abolição total do castigo. Imaginemos o paraíso: Tribunal? Para quê? Polícia? Coisa do passado, opressora e redundante. Cadeia? Que trauma! Vamos antes oferecer um curso de boas maneiras e um abraço colectivo ao agressor.

Porque, como toda a gente sabe (excepto os pais de família e os contribuintes que pagam a factura), o que realmente dissuade o homem que espanca a mulher é a ausência total de consequências. É o lema: “O crime compensa, meu irmão, vem cá que nós pagamos-te um ordenado”.

Da perspectiva cristã conservadora — aquela "antiguidade" que ainda acredita na Bíblia, no “não matarás” e no facto de a autoridade civil “não trazer a espada em vão” (Romanos 13) —, isto é puro delírio. Deus instituiu o castigo não para fazer “terapia de grupo”, mas para proteger os indefesos, travar o mal e manter a ordem. A família é o primeiro altar, e quem a profana com violência merece justiça, não um workshop de “gestão de raiva” financiado pelos nossos impostos.

Mas vá, senhora Ministra, continue a sonhar com o mundo onde o agressor se regenera porque lhe explicámos, com jeitinho, que bater na esposa “não é bonito”. Eu fico-me pelo bom senso cristão: o medo da lei é o começo da sabedoria cívica. E agora a pergunta que não quer calar, com todo o humor e zero filtro:

Senhora Ministra, já se filiou oficialmente na extrema-esquerda para adoptar essas políticas maravilhosas que pagam salário a criminosos encarcerados? Sabe, aquele luxo em que o tipo que cometeu violência doméstica fica na cela de cama feita, mesa posta, roupa lavada, três refeições quentes e, quiçá, telemóvel para ver o Benfica, enquanto recebe o seu "saláriozinho" depositado na conta — tudo à custa de quem acorda às seis da manhã para trabalhar?

Se este é o plano, parabéns: operaram o milagre! O criminoso vive melhor que muita família honesta e ainda lhe pagamos para “reflectir”. É o socialismo de presídio disfarçado de “reabilitação”.

terça-feira, 28 de abril de 2026

A Cilada do 'Bora': Doutrinação nas Escolas

 

A Armadilha Perfeita: Como o “Bora Conversar” nas Escolas Serve para Enterrar o Debate Honesto sobre as “Terapias de Conversão”

Perfeito. O Movimento Bora, capitaneado pelo eurodeputado socialista Bruno Gonçalves e pelo influencer não-binário Kiko is Hot, entra nas escolas secundárias sob a bandeira inofensiva de “combater o ódio nas redes” e “debater política sem polarização”. Os jovens sentam-se no chão, ouvem falar de cancelamento digital, saúde mental e “vulnerabilidade online”. E é exactamente aqui que se ajusta, com precisão cirúrgica, o debate sobre aquilo que os transactivistas e a esquerda (PS incluído) designam, com a sua habitual inversão linguística, como o desígnio de “acabar com a proibição das terapias de conversão”.

Sejamos claros e causticamente honestos: a esquerda e os activistas trans não querem “acabar com a proibição”. Querem, sim, manter e endurecer a Lei n.º 15/2024 (criada e aprovada às pressas pela esquerda), que criminaliza qualquer prática que tente “alterar, limitar ou reprimir” a identidade de género ou a orientação sexual – com penas que atingem os cinco anos de prisão. O que denominam eufemisticamente como “proibir as terapias de conversão” é, na prática, proibir qualquer terapia que não seja a afirmação imediata e irrevogável da disforia de género.

Questionar se um adolescente de 14 anos, com autismo, trauma ou sob influência do TikTok, “nasceu” realmente no corpo errado? Conversão. Sugerir espera vigilante ou explorar causas subjacentes (como fazem os países nórdicos após a Cass Review)? Conversão. Terapia exploratória neutra, como recomendam as novas directrizes da Suécia, Finlândia e Reino Unido? Crime de ódio disfarçado de psicologia.

E é aqui que o “Bora” entra em cena como um cavalo de Tróia genial. Imaginem a cena: Kiko is Hot, com a sua estética hiper-feminina e o nome “is Hot” a vender a disforia como um empoderamento sexy, sentado ao lado de um eurodeputado do PS. Alguém levanta a mão e pergunta: “Mas e se um jovem se arrepender da transição?”. A resposta é pré-fabricada: “Isso é discurso de ódio que conduz a ‘terapias de conversão’, as quais já estão proibidas por serem tortura”. Debate encerrado.

A mensagem subliminar é brutal: duvidar da ideologia de género não é pensamento crítico – é um crime potencial, é “violência”, é o que justifica a lei que Bruno Gonçalves e a sua comitiva defendem.

O encaixe é cirúrgico porque o formato “debate aberto sem ódio” permite à esquerda validar a narrativa sem nunca admitir abertamente que defende a proibição total de cuidados de saúde mental baseados em evidência. Em vez de se debater ciência — as taxas de desistência de 60-90% em crianças pré-púberes antes da era da “afirmação exclusiva”; a esterilidade, a osteoporose e os problemas cognitivos causados pelos bloqueadores; o colapso das clínicas de género no Reino Unido após o relatório Cass —, transforma-se o assunto em “proteger a vulnerabilidade LGBT+ contra o ódio”.

Kiko não precisa de falar explicitamente de hormonas ou cirurgias – basta estar presente como modelo vivo de que “ser trans é hot e normal”. Bruno Gonçalves, com o seu ar de jovem progressista “bora conversar”, confere o selo institucional: isto é o que a esquerda “moderada” considera aceitável levar às escolas.

É genial. Enquanto fingem combater o “discurso de ódio”, estão a criminalizar o único discurso que ainda salva jovens de uma medicalização irreversível. A petição recente com 17 mil assinaturas que exige o fim desta criminalização (e a revogação da Lei 15/2024) é o que eles mais temem. Por isso o “Bora” chega às escolas agora, em 2026, precisamente quando o debate explode após a decisão do Supremo dos EUA a favor da liberdade de expressão contra as proibições cegas.

Querem que os adolescentes internalizem que qualquer terapeuta que não afirme o diagnóstico de imediato é um “conversor” perigoso. Resultado: pais silenciados, psicólogos amordaçados e clínicas de género a florescer, enquanto a Suécia e o Reino Unido lhes fecham as portas.

Introduzir este debate no “Bora” é simples: basta um aluno (ou um pai que consiga entrar) perguntar, ingenuamente: “Se um jovem com disforia tem 80% de probabilidades de desistir naturalmente, porque é que a lei impede o terapeuta de explorar essa hipótese em vez de a afirmar logo?”. A resposta revelará tudo. Porque o Movimento Bora não está nas escolas para debater – está para doutrinar. E chamar a isso “acabar com a proibição das terapias de conversão” é o golpe orwelliano perfeito: na boca deles, “proibição” significa protecção; na realidade, significa condenar uma geração inteira a uma experiência médica sem reversão possível.

Isto não é conversa. É captura ideológica. E as escolas portuguesas merecem melhor do que servir de palco para a esquerda enterrar, sob sorrisos e incentivos ao diálogo, o último bastião da medicina baseada em evidência.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

São cravos, Senhor, são cravos

 




Como diz um amigo, «o 25 de Abril é o dia em que toda a esquerda que passa o ano a defender ditadores, sistemas totalitários brutais e terroristas, de repente, se lembra de defender a liberdade».


Todos os anos, neste dia, inundamos o país de cravos. Numa espécie de evocação da lenda da Rainha Santa Isabel que, perante o Rei, viu o pão converter-se em rosas, hoje ouvimos uma nova versão: «Foram cravos, Senhores, foram cravos!».

E sim. Foram cravos. Foram também liberdade, coragem e esperança, aos quais presto a minha homenagem. Mas, passados cinquenta e dois anos, é tempo de completar a frase com a verdade: «Não foram só cravos, Senhores — foram também dores, prisões, torturas, bombas e mortes».

É tempo de recordar os filhos e netos de Abril que este processo não protegeu: os espoliados, os que perderam propriedades e dignidade, os militares abandonados e as vítimas de actos terroristas, mais tarde amnistiados. Esses também são portugueses.

Porque o 25 de Abril não libertou Portugal de todas as amordaças. Cinquenta e dois anos depois, o país continua profundamente amordaçado: pelo politicamente correcto, pela oligarquia partidária, pela burocracia clientelar, pelos media dependentes do poder e por quem rotula de «extrema-direita» qualquer voz discordante.

Hoje, este Portugal já não sabe sequer distinguir um homem de uma mulher. A ideologia de género, imposta coercivamente através de leis cozinhadas pelas maiorias de esquerda — por aqueles que se auto-intitulam «senhores de Abril» —, invadiu as escolas, apagou a realidade biológica, confundiu as crianças e fragilizou as mulheres. Pretendem até redefinir a linguagem do povo para a moldar a uma ideologia que exige de nós uma fé cega, num exercício de controlo do pensamento digno de estados totalitários. A verdadeira ameaça não é a extrema-direita, mas a extrema falta de vergonha de todos os partidos de esquerda.

É esta mesma esquerda que rotula de «discurso de ódio» todo o pensamento que não se alinha com a sua cartilha, enquanto, paradoxalmente, incentiva o ódio à direita nos desfiles que celebram o que apelidam de «dia da liberdade». Para estes senhores, a liberdade de expressão é um privilégio de quem consente e um crime para quem diverge.

A esquerda continua a julgar-se dona do 25 de Abril e da Democracia. Contudo, foi apenas a partir de 1985 que Portugal começou a viver a Democracia em pleno. Exceptuando os dez anos de Cavaco Silva e os quatro de Passos Coelho, o país foi praticamente capturado pelo Partido Socialista — com as consequências que todos conhecemos —, tornando-se hoje um dos países mais atrasados da União Europeia.

A mesma esquerda que ainda hoje rasga as vestes pelos ideais de Abril — Paz, Habitação, Saúde e Educação — foi a que capitulou o Estado Social após oito anos de «Costismo», depois de Passos Coelho ter recuperado o país da bancarrota deixada por Sócrates. O problema de Portugal é o PS. Foi o PS que nos trouxe até aqui, não o Chega.

O mesmo povo que em 1974 escolheu a liberdade é o mesmo que em 2024 escolheu um caminho diferente. Não há dois povos. Há um só povo, com o direito a decidir o seu futuro sem tutelas ideológicas.

Queremos um país livre de verdade. Um país que deixe o socialismo para trás e avance rumo à prosperidade. Um país fundado nos valores que construíram a nossa História: Deus, a Família como base da sociedade, a Pátria — livre da invasão provocada pelas políticas de portas escancaradas — e o Trabalho, como meio nobre de enriquecer, e não como um fardo sob uma carga fiscal insustentável para sustentar quem não trabalha.

Cinquenta e dois anos depois, chegou a hora de construir esse Portugal livre, próspero e orgulhoso da sua identidade.

Viva Portugal!

Viva a Liberdade verdadeira!

quarta-feira, 22 de abril de 2026

O Sucesso Começa na Banca da Cozinha

 


O post do Instagram da conta @mentalmementeforte_ acerta em cheio num ponto que muitos pais modernos preferem ignorar: o sucesso dos nossos filhos não começa em cursos extracurriculares caros, nem em notas perfeitas, nem em agendas lotadas de actividades "enriquecedoras". Começa, muitas vezes, na banca da cozinha.

Crianças que ajudam em casa — não por obrigação pesada, mas por participação real — desenvolvem responsabilidade, autonomia, autoconfiança e, acima de tudo, iniciativa. Aprendem a ver o que precisa de ser feito e a agir sem esperar ordens. A casa é a primeira "equipa" onde elas percebem que fazem parte de algo maior do que elas próprias. E isso, décadas de estudos longitudinais mostram-no, traduz-se em maturidade no trabalho, nos relacionamentos e na vida adulta. Não se trata de lavar a loiça; trata-se de formar gente útil, contributiva e resiliente.

Muitos pais, influenciados pela narrativa actual, enchem a rotina dos filhos com aulas de inglês, futebol, robótica e mindfulness (algo que todos os cristãos devem evitar), mas esquecem o básico: ensinar que a vida exige esforço, contribuição e que nem tudo gira em torno do "eu". O post recorda que filhos fortes não nascem apenas de boas notas. Nascem de pequenas responsabilidades repetidas todos os dias.

Pesquisas como o Harvard Study of Adult Development reforçam este facto: a capacidade de contribuir, ter propósito e trabalhar em equipa são factores centrais para a felicidade e o sucesso duradouros. Crianças que assumem tarefas adequadas à idade desenvolvem maior auto-eficácia, comportamento pró-social e competência para a vida real.

Mas o que mais me preocupa — e o alerta que quero deixar directamente aos pais — é o mal silencioso que a chamada "educação positiva" (positive parenting) tem causado nas últimas décadas, agravado pelo uso excessivo de novas tecnologias como "ama digital".

A intenção inicial da educação positiva era boa: priorizar a ligação emocional, o elogio e evitar punições excessivas ou humilhação. O problema é que, na prática, tornou-se uma ideologia extrema em muitos lares: nunca dizer "não" de forma clara, evitar qualquer frustração ou tarefa "seca" para não "traumatizar", elogiar esforço zero ("És incrível!" por tudo) e substituir consequências naturais por conversas infinitas e "validação emocional".

O resultado? Uma geração de crianças e jovens com baixa resiliência, ansiedade elevada, um sentido de privilégio merecido e uma dificuldade absurda em lidar com o fracasso ou a rotina. Sabem nomear emoções, mas não sabem lavar um prato ou terminar uma tarefa sem supervisão constante. Sabem que são "especiais", mas não sabem que o mundo não gira em torno deles.

Aqui surge um perigo ainda mais grave e actual, bem ilustrado pelo post do @guardiao.digital: quando os pais entregam tablets, telemóveis e redes sociais para entreter os filhos e terem "menos trabalho", estão a criar um terreno fértil para predadores online.

Nenhuma criança corre riscos achando que está em perigo; entra neles achando que encontrou alguém simpático. A internet oferece rapidamente aquilo que muitas crianças hoje não recebem em casa em quantidade suficiente: atenção, ligação e validação. Se os pais não ensinam como o mundo digital realmente funciona — com os seus riscos, manipulações e intenções escondidas —, alguém o ensinará do pior modo. Esse "alguém" é, muitas vezes, um predador que se faz passar por amigo, utiliza o grooming e explora exactamente a carência emocional que a educação positiva radical e a "ama digital" ajudam a criar.

Só proibir não resolve. Entregar o dispositivo e achar que "é só um joguinho" também não. O que resolve é presença real, ensino activo de responsabilidade (dentro e fora do ecrã) e limites claros. A banca da cozinha e o quarto arrumado constroem carácter; o telemóvel sem supervisão pode destruir a inocência.

Pais, amor não é ausência de exigência. Protecção não é um escudo contra toda a responsabilidade nem a entrega total ao mundo virtual. A educação positiva radical, aliada ao comodismo das telas, está a criar filhos frágeis por dentro e vulneráveis por fora — que desabam diante da primeira crítica ou da primeira abordagem perigosa online.

Não voltemos aos erros do passado, mas também não caiamos na armadilha moderna de criar adultos que são eternamente crianças. Ensine o seu filho a ver o que precisa de ser feito e a fazê-lo — em casa e no mundo real. Dê responsabilidade desde cedo. Seja firme quando necessário. E, sim, elogie — mas elogie o esforço real, não a existência.

Porque, como diz o post original: filhos fortes não nascem apenas de boas notas. Nascem de pequenas responsabilidades repetidas todos os dias. E se não ensinarmos isto em casa, o mundo (ou a internet) ensinará da forma mais dura e perigosa possível.

O sucesso — e a segurança — começa mesmo na banca da cozinha. Não deixe que a moda da "educação positiva" e a conveniência dos ecrãs roubem isso aos seus filhos.

terça-feira, 21 de abril de 2026

A Crise da Maturidade Masculina

 


Uma Visão Bíblica sobre a Fuga Digital, o Absentismo e a Recusa da Responsabilidade 

Numa publicação recente no Instagram (@mentesclub), o texto intitulado “Isso não é apenas ‘preguiça’ ou ‘falta de vontade’” descreve com precisão clínica uma realidade inquietante: muitos jovens de hoje atravessam a transição para a vida adulta de forma tardia e adiada. O autor cita a psicóloga Jean Twenge (iGen), o desenvolvimento tardio do córtex pré-frontal, o escasso contacto com o mundo do trabalho em idade precoce, o excesso de tempo em ambientes digitais e o reconhecimento, por parte da OMS, do Transtorno de Jogo Electrónico como uma condição de saúde mental. O post conclui, com optimismo científico, que o cérebro é plástico e pode ser reeducado mediante um “ambiente adequado, redução do uso compulsivo, reconexão social e rotina”.

Como cristã, reconheço o valor destas observações empíricas. A neurociência e a sociologia confirmam o que a Escritura já nos ensina sobre a influência do meio na formação do carácter. Contudo, o diagnóstico secular é insuficiente. Ele descreve sintomas, mas não toca na raiz: o coração humano corrompido pelo pecado (Jeremias 17:9). O que o texto denomina “mudança real” na transição para a idade adulta é, na perspectiva bíblica, a manifestação colectiva de uma geração que rejeita a ordem criada por Deus para o homem – uma ordem que exige trabalho, responsabilidade, domínio próprio e liderança sacrificial.

1.      O absentismo e o vício digital: a dopamina como ídolo moderno

O texto acerta ao identificar os videojogos (e, por extensão, as redes sociais e a pornografia) como mecanismos de fuga emocional que “sequestram o sistema de recompensa”. 

A Bíblia vai mais longe: chama a isto idolatria. O apóstolo Paulo adverte que “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7). Quando um jovem passa horas a fio a receber dopamina instantânea através de likes, notificações ou imagens pornográficas, treina o cérebro para desprezar o fruto demorado do esforço real. O resultado é o absentismo – não apenas das aulas, mas da própria realidade.

A obrigatoriedade legal do ensino até aos 18 anos, sem possibilidade de trabalho remunerado antes dessa idade (frequentemente rotulado como “trabalho infantil”), agrava o problema. 

A Escritura nunca viu o trabalho como uma maldição exclusiva; antes da Queda, Adão já trabalhava no jardim (Génesis 2:15). O ensino bíblico valoriza a aprendizagem prática, o discipulado e a formação do carácter através da responsabilidade precoce (Provérbios 22:6). Ao impedir que um rapaz de 14 ou 15 anos aprenda o valor do suor e do salário, a sociedade moderna prolonga artificialmente a adolescência, criando “adultos-criança” que, aos 25 anos, ainda vivem no quarto dos pais, viciados em ecrãs e desprovidos de preparação para a dureza da vida.

2.      O abandono dos estudos e a rejeição da responsabilidade

O desinteresse pelos estudos não é mera “falta de motivação”. É fruto de uma mundividência que remove o propósito final da educação. Sem o temor do Senhor (Provérbios 1:7), o conhecimento torna-se vazio. O jovem que abandona a escola por tédio é o mesmo que, mais tarde, rejeitará o casamento por este “implicar responsabilidade”. O casamento, para ele, não é uma aliança sagrada (Malaquias 2:14-16), mas um contrato opcional passível de ser dissolvido à primeira contrariedade. Aqui reside a cobardia masculina moderna: o abandono da esposa e dos filhos perante a menor dificuldade.

A Bíblia não oferece desculpas neurológicas para este comportamento. O homem é chamado a amar a mulher como Cristo amou a Igreja, entregando-se por ela (Efésios 5:25), a prover para a sua casa (1 Timóteo 5:8) e a não exasperar os filhos, mas criá-los na disciplina e admoestação do Senhor (Efésios 6:4). Quando o homem foge, quebra o pacto e desonra o Criador.

3.       A falta de respeito e a ausência de preparação para a vida

O mesmo jovem que desrespeita os pais, as mulheres e as figuras de autoridade é produto de uma cultura que substituiu a autoridade bíblica pela “autonomia” radical. O Quinto Mandamento (“Honra a teu pai e a tua mãe”) não é uma sugestão; é o fundamento da ordem social (Êxodo 20:12). Quando o Estado e a cultura instigam os jovens a ver os pais como “tóxicos” e a autoridade como opressora, geram-se homens que não suportam a correcção, evitam a dificuldade e tratam as mulheres como objectos de prazer descartável.

A dureza da vida – a doença, a perda, o fracasso, o cansaço – não é um acidente; é o solo onde Deus forja o carácter (Romanos 5:3-5). Mas uma geração criada numa “estufa digital”, protegida do trabalho precoce e anestesiada pela pornografia, chega à idade adulta emocionalmente imatura. O desfecho é previsível: depressão, isolamento, divórcios, filhos sem pai e uma sociedade que se desagrega.

A única esperança: o Evangelho que regenera

Aqui reside a diferença radical da perspectiva cristã. A ciência pode descrever a plasticidade cerebral; mas só o Espírito Santo pode dar um coração novo (Ezequiel 36:26). A graça comum explica por que alguns jovens, mesmo em ambientes adversos, se tornam homens responsáveis. Contudo, a graça salvadora é a que transforma o viciado em disciplinado, o egoísta em servo e o cobarde em cabeça espiritual da família.

As igrejas bíblicas devem recuperar o discipulado intencional de jovens: o ensino da Palavra, o incentivo ao trabalho honesto desde cedo, a formação do carácter através da mentoria masculina e uma visão bíblica do casamento e da paternidade. Os pais cristãos não podem delegar a formação dos filhos ao Estado ou aos algoritmos. Devem ensinar, corrigir, trabalhar lado a lado com eles e modelar o que significa temer a Deus e amar o próximo.

O texto do @mentesclub termina com uma nota de esperança secular: “o cérebro é plástico”. Como cristãos, respondemos: sim, e o coração também – mas apenas pela soberana graça de Deus em Cristo Jesus. Que os pais e as igrejas se levantem para formar uma geração de homens que não fogem da cruz, mas a carregam com alegria, para a glória de Deus e o bem da sociedade.

Que o Senhor nos dê sabedoria para responder a esta crise não com meras estratégias comportamentais, mas com a Palavra viva e eficaz que discerne os pensamentos e intenções do coração (Hebreus 4:12).


segunda-feira, 20 de abril de 2026

A Banalização da Violação: Quando o feminismo transforma o crime hediondo em arma de arrependimento

 


A violação é um crime abominável. Sempre o foi. No Antigo Testamento, o violador de uma mulher era condenado à morte por apedrejamento (Deuteronómio 22:25-27). A pena capital não era negociável: o acto de forçar alguém contra a sua vontade era equiparado ao homicídio, pois destruía a integridade física, moral e existencial da vítima. A civilização ocidental, herdeira desta tradição, nunca deixou de considerar a violação — seja a vítima mulher ou homem — como um dos piores atentados à dignidade humana. Quem a comete deve ser punido com todo o rigor da lei. Ponto final.

Contudo, o que se observa hoje, em Portugal e no Ocidente, não é uma defesa intransigente da vítima, mas uma banalização do conceito de violação até ao ponto de o esvaziar de sentido. O caso recente de uma jovem que, após iniciar uma relação sexual grupal claramente consentida, diz "não" a meio do acto, ilustra esta deriva. Cristina Ferreira atreveu-se a dizer o óbvio: num cenário de sexo grupal, "dizer não a meio (...) era difícil ouvirem-na". Por isto, está a ser crucificada.

Sejamos frontalmente honestos, como exige Bérénice Levet em Libertem-nos do Feminismo. A filósofa francesa desmonta o feminismo contemporâneo que transformou a mulher de sujeito livre em eterna vítima potencial. Mas é em Camille Paglia, na sua obra Mulheres Livres, Homens Livres, que encontramos o alerta mais agudo: ao incutir nas jovens a ideia de que o "não" é um escudo mágico e instantâneo, o feminismo ideológico está a enviá-las directamente para o perigo ao ignorar a necessidade vital de prudência individual.

Paglia recorda-nos que o sexo é "daemónico" — uma força que não obedece a regras de etiqueta. Para ela, a liberdade sexual exige uma consciência vigilante dos riscos. Exercer a prudência — saber ler o ambiente, avaliar o carácter dos parceiros e não se colocar em situações de vulnerabilidade extrema com desconhecidos — não é uma limitação da liberdade, mas a sua condição de existência. A prudência é a ferramenta da mulher adulta que reconhece que o mundo real não é um campus universitário protegido.

É fundamental reiterar: defender a prudência individual não significa, de modo algum, culpar a mulher quando ocorre uma violação real. Se um homem ignora um "não" inequívoco, se usa a força ou se aproveita da incapacidade da vítima, ele é o único culpado e deve enfrentar a mão pesada da justiça. A responsabilidade penal é sempre do agressor. Todavia, reconhecer a culpa do criminoso não anula o dever de cautela da vítima potencial. Tal como trancar a porta de casa não desculpa o ladrão, mas evita o roubo, a prudência feminina serve para prevenir o horror que a lei, chegando sempre depois do acto, já não pode apagar.

O problema surge quando o acto consentido gera arrependimento e o feminismo oferece a solução de chamar "violação" a um erro de julgamento. Esta visão infantiliza a mulher. O feminismo do "meu corpo, minhas regras" nega-lhe, ironicamente, a capacidade de dizer: "assumi um risco e perdi".

A violação verdadeira — o acto cometido contra a vontade clara ou que ignora um "não" manifesto — deve ser punida com a máxima severidade. É um crime hediondo. Mas a "violação" que nasce apenas de uma reescrita da história após um arrependimento não é crime. Como diria Paglia, é o preço de uma liberdade que exige maturidade.

É urgente travar esta inflação semântica. Caso contrário, o verdadeiro violador sairá impune no meio de uma multidão de supostas "vítimas" que apenas não souberam gerir a sua própria liberdade. E será a dignidade da mulher — e a clareza da justiça — a pagar o preço mais alto.

domingo, 19 de abril de 2026

Género e Medicalização: A Crise da Evidência

 



A medicalização da disforia de género em menores: uma perspectiva crítica baseada na evidência

A abordagem afirmativa à disforia de género em crianças e adolescentes — que preconiza a afirmação social imediata, o uso de bloqueadores da puberdade e de hormonas cruzadas — tem sido promovida internacionalmente pela Associação Profissional Mundial para a Saúde Transgénero (WPATH) através das suas Standards of Care (SOC8). Todavia, revisões sistemáticas independentes, publicadas nos últimos anos, revelam que esta prática assenta em fundamentos científicos frágeis, acarretando riscos significativos e carecendo de prova robusta de benefícios a longo prazo.

1.       O Protocolo Holandês: de modelo de referência a abordagem desacreditada

O Protocolo Holandês, desenvolvido na clínica VUmc de Amesterdão entre as décadas de 1990 e 2000, serviu de base às actuais práticas afirmativas. Propunha uma avaliação multidisciplinar rigorosa e a administração de bloqueadores da puberdade a partir do estádio Tanner 2 (cerca dos 12 anos), seguidos de hormonas aos 16 anos; contudo, restringia-se a casos de disforia de início precoce e sem comorbilidades graves.

Os estudos iniciais (de Vries et al., 2011 e 2014), outrora citados como prova de eficácia, encontram-se hoje amplamente desacreditados. A Cass Review (Reino Unido, 2024) classifica tal evidência como sendo de qualidade "muito baixa", apontando a ausência de grupos de controlo, o curto período de acompanhamento (follow-up), as elevadas taxas de desistência e a sobrestimação das melhorias psicológicas. A revisão britânica conclui que os bloqueadores da puberdade não melhoram a disforia de género nem a satisfação corporal, comprometem a densidade óssea e falham o objectivo de "ganhar tempo para reflectir", dado que entre 98% a 100% dos jovens que os iniciam prosseguem para as hormonas cruzadas.

2.      Os WPATH Files: contradições internas da organização promotora

Em Março de 2024, a fuga de informação dos WPATH Files (publicada pelo Environmental Progress) revelou centenas de mensagens internas de membros da WPATH, incluindo autores das SOC8. Nestas comunicações, os profissionais admitem abertamente:

·        Que crianças e adolescentes não compreendem as consequências irreversíveis das intervenções, tais como a esterilidade, a perda de função sexual, e os riscos ósseos e cardiovasculares. Um endocrinologista chegou a comparar a discussão sobre preservação da fertilidade com um jovem de 14 anos a "falar com uma parede em branco".

·        Que a evidência científica dos benefícios é escassa, apesar de as intervenções continuarem a ser promovidas.

·        A existência de pacientes com comorbilidades graves (autismo severo, esquizofrenia, trauma) submetidos a tratamentos sem um consentimento informado claro.

 

O relatório The WPATH Files (2024) conclui que a organização prioriza uma agenda ideológica em detrimento da evidência robusta, violando princípios éticos fundamentais como o primum non nocere (não causar dano).

3.      Evidência das revisões independentes europeias

Cass Review (Relatório Final, 2024): Conclui que a evidência para o uso de bloqueadores e hormonas é insuficiente. Não existe prova clara de melhoria na saúde mental ou redução do risco de suicídio. Adverte que a transição social não é um acto neutro e pode condicionar o desfecho clínico. Recomenda o primado do apoio psicológico e o tratamento das comorbilidades.

Directrizes Finlandesas (COHERE/PALKO, 2020): Consideram a medicalização de menores um procedimento experimental. O tratamento de eleição deve ser a psicoterapia. Um estudo nacional finlandês recente indicou que, após as intervenções de afirmação, a necessidade de cuidados psiquiátricos aumentou, sem melhoria evidente na saúde mental.

Directrizes Alemãs (AWMF, 2025) e Persistência Diagnóstica: Um estudo abrangendo 14 milhões de jovens alemães revelou que apenas 36,4% mantêm o diagnóstico de disforia após cinco anos. A recomendação actual foca-se na avaliação diferencial exaustiva e na psicoterapia como primeira linha de acção.

4.       A situação em Portugal

Em Portugal, diversos centros de referência e documentos da Direcção-Geral da Saúde continuaram a seguir as normas da WPATH e o modelo afirmativo, ignorando a crescente cautela europeia.

Contudo, a 20 de Março de 2026, a Assembleia da República aprovou, na generalidade, projectos de lei (PSD, Chega e CDS-PP) que visam revogar a Lei n.º 38/2018. Estas propostas reintroduzem a obrigatoriedade de parecer médico/psicológico para a mudança de menção de sexo em menores e restringem severamente o recurso a bloqueadores e hormonas em menores de 18 anos. Esta mudança legislativa prioriza a protecção do menor e a avaliação clínica profunda, alinhando Portugal com as políticas de precaução do Reino Unido, Finlândia e Suécia.

Conclusão

A medicalização precoce da disforia de género carece de suporte científico sólido. O declínio do Protocolo Holandês e as revelações dos WPATH Files demonstram que as práticas afirmativas expõem menores a riscos irreversíveis sem benefícios comprovados. A recente inflexão legislativa em Portugal representa um retorno à prudência científica, colocando o superior interesse da criança e a evidência clínica acima de pressupostos ideológicos.


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Referências principais:

Cass Review Final Report (2024) – https://cass.independent-review.uk)

Finnish COHERE Guidelines (2020) e estudos de Kaltiala et al.

German AWMF Guidelines (2025) e estudo de persistência diagnóstica (Ärzteblatt, 2024)

The WPATH Files (Environmental Progress, Março 2024)

quinta-feira, 16 de abril de 2026

A Ditadura dos Títulos: Quando o “Especialista” se Transforma em Sacerdote da Ideologia e a Mãe de Família Vira Herege

 





Recentemente, na SIC, assistimos a um debate que deveria figurar nos anais da comédia involuntária da televisão portuguesa. De um lado, Francisca Zacarias — mãe e dona de casa — que teve a ousadia de apresentar uma petição para retirar a ideologia de género das instituições e revogar a Lei 15/2024. Falamos daquela mesma lei que, na prática, transforma pais e médicos em criminosos se não afirmarem de imediato que o rapaz de 12 anos que quer um vestido é, na verdade, uma rapariga. Do outro lado, Francisco Goiana da Silva, carregado de títulos académicos, que não resistiu a acrescentar, em directo, a frase mágica: “eu sou homossexual”. Proferiu-o como se tal condição fosse um doutoramento extraordinário em biologia, sociologia e teologia cumulativamente.

O argumento do senhor doutor? Francisca não possui um currículo académico visível (ou, pelo menos, não o exibiu como troféu); logo, tudo o que diz é inválido. Os estudos Cass, o finlandês e o alemão? Para o especialista, “não existem” ou “não contam”. Do alto da sua cátedra, assegurou haver “milhares de estudos científicos” que validam a transição de menores. Depois, num golpe de prestidigitação verbal, transformou a petição de Francisca numa defesa das “terapias de conversão”. Curiosamente, este é um rótulo tão vago e politizado que até profissionais de renome na área, como o psicólogo e sexólogo clínico Dr. Abel Matos Santos, admitem desconhecer o que sejam tecnicamente tais "terapias", uma vez que o termo não possui base científica, servindo apenas para interditar o diagnóstico clínico real. Mas o facto não interessa; o objectivo é desqualificar a mãe.

Esta é a falácia do momento, repetida como um mantra: quem não detém um diploma na área não pode ter uma opinião formada. É o novo dogma da esquerda académica que importa desmontar com algum humor cínico.

Primeiro, as universidades portuguesas (e europeias) deixaram de ser casas de saber para se tornarem centros de recrutamento ideológico da esquerda e dos colectivos LGBT+. António Gramsci deve estar a dar saltos de satisfação no inferno. O seu plano genial — tomar o poder não pelas armas, mas pelas salas de aula — funcionou na perfeição. Não são precisos tanques; basta um professor de Filosofia que, na primeira aula, destrua a ideia de Deus na cabeça dos jovens e coloque no seu lugar o socialismo, a queer theory de Judith Butler — que do alto de Berkeley ou Columbia dita as novas tábuas da lei académica — ou o filósofo da moda. Ou talvez baste um professor de Belas-Artes, de convicções socialistas, que, embora felizmente não domine a técnica de fabrico de um "cocktail molotov" para incendiar mulheres e crianças na Caminhada pela Vida, utiliza certamente a cátedra para disseminar o ódio contra quem defende a vida e se opõe ao aborto ou à eutanásia, instruindo os seus alunos, pelo exemplo, sobre como silenciar e perseguir quem pensa de forma diferente. 

O ser humano é religioso por natureza: se Deus não ocupa o coração, algo ocupará o vazio — seja o Estado, o arco-íris ou o “sentimento pessoal”. O ateísmo contemporâneo não é a ausência de religião; é uma religião disfarçada de ciência.

Por isso, hoje temos “especialistas” para tudo. Médicos recém-formados que, com ar solene, garantem poder transformar uma mulher num homem e vice-versa — como se o cromossoma XY fosse uma sugestão negociável. Pivôs de televisão que, desde que alinhados com a narrativa de Bruxelas, se tornam peritos em economia, saúde, género, clima e até em educação parental. Influencers com mestrados atacam ferozmente o cidadão comum que ouse estudar o assunto durante anos, rodear-se de especialistas reais e chegar a uma conclusão distinta da oficial.

Note-se, contudo, o cinismo supremo: o mesmo establishment que desqualifica Francisca Zacarias por ser “apenas” mãe e dona de casa, defende com unhas e dentes que o senhor Inácio Lula da Silva possui toda a legitimidade para governar o Brasil. Porquê? Porque Lula não só alinha com a narrativa, como é um comunista de gema, fundador do Foro de São Paulo. Os títulos só valem quando servem o projecto; quando não servem, tornam-se irrelevantes. Afinal, para que serve estudar quando se pode obter um título de Doutor Honoris Causa sem esforço? 

Há sempre um governo populista ou uma reitoria alinhada — como aconteceu na Universidade de Coimbra — pronta a atribuir um galardão académico a quem nunca frequentou a academia, desde que o galardoado sirva a agenda política do momento. É a ditadura do “alinhamento”, não do conhecimento.

Quem governa a escola, governa o mundo. O que se ensina hoje na sala de aula será o modelo mental da próxima geração. E o modelo actual é simples: o sexo é uma construção social, a verdade biológica é “transfóbica” e quem discorda é ignorante ou malévolo. Assim, os “tudólogos” carregados de diplomas pedem-nos que acreditemos, com fé cega, que um ser humano pode mudar de sexo. Isto não é ciência; é religião. Uma religião que exige sacrifícios: o corpo saudável das crianças, o bom senso dos pais e a liberdade de consciência dos médicos.

Francisca Zacarias não carece de um doutoramento para saber que uma criança não tem maturidade para decidir algo irreversível. Basta-lhe ser mãe. Basta-lhe atentar nos estudos que realmente existem (Cass, finlandês, alemão, sueco…) e que revelam taxas alarmantes de desistência, comorbilidades mentais não tratadas e arrependimentos crescentes. Mas esses estudos são apelidados de “transfóbicos”, enquanto os outros — os tais milhares — são os únicos “científicos”. É curioso como a ciência altera o critério consoante o resultado pretendido.

A falácia dos títulos não é nova. Já os fariseus desqualificavam Cristo por não ter estudado nas suas escolas. O argumento é o de sempre: “Tu não tens autoridade”. A verdadeira autoridade, hoje, é o diploma alinhado com a ideologia. O resto é populismo, obscurantismo ou extremismo de direita.

Pois eu prefiro a autoridade de uma mãe que defende os filhos à autoridade de um “especialista” que acredita que o pénis é opcional e que a Lei 15/2024 protege a infância. Prefiro o bom senso cristão, enraizado na realidade da criação — homem e mulher — ao delírio académico que transformou as universidades em seminários da nova fé progressista.

A petição de Francisca não é contra ninguém; é a favor das crianças. É contra a medicalização experimental de menores confusos. É contra a criminalização de pais que dizem: “espera, vamos tratar primeiro a depressão, a ansiedade ou o trauma”. Isto não é ódio. É amor. E o amor, ao contrário do que pregam os novos sacerdotes, não necessita de um doutoramento para ser verdadeiro.


terça-feira, 14 de abril de 2026

Os Pais Traídos pela Ideologia: Quando o Amor se Torna “Transfobia” ou “Homofobia”

 


No livro Irreversible Damage (2020), Abigail Shrier documenta com rigor jornalístico uma das tragédias mais silenciosas da nossa época: a forma como uma parte do activismo transgénero transforma adolescentes em cruzados contra os próprios pais. A mensagem que chega aos jovens nas redes sociais, nas escolas e nas clínicas de “afirmação de género” é cristalina: se a família não aplaudir imediatamente a nova identidade — se não passar a chamar Joana ao João, se não aceitar que o filho se reduza a um rótulo de “trans”, “não-binário”, “lésbica”, “bi” ou “gay” —, então essa família é abusiva. O remédio? Cortar laços. Bloquear. Declarar os pais “mortos para mim”. E tudo isto é apresentado como um acto de coragem e de auto-preservação.

Os pais apanhados no meio desta trama não são monstros conservadores nem fanáticos religiosos. São, na maioria dos casos, gente comum: mães e pais que criaram os filhos com amor, que os levaram ao futebol, aos exames, às férias e que os viram crescer com as inseguranças normais da adolescência. De repente, a filha de 14 anos, que ontem falava de rapazes e de acne, chega a casa com o cabelo rapado, a binder a esmagar o peito e a exigência de hormonas. Qualquer hesitação — “Vamos falar com um psicólogo primeiro?”, “Tens a certeza de que isto não é influência do TikTok?” — é interpretada como ódio. Não há espaço para o “talvez seja uma fase” nem para o “vamos explorar o que está por trás desta angústia”. Afirmar ou morrer. Literalmente.

Este mecanismo não se limita ao transgenerismo; estende-se também à orientação sexual. Um exemplo claro é o de pais confrontados com um filho que se assume como homossexual após sofrer bullying severo na escola. Colegas e até professores rotulavam-no constantemente de “gay” pelos seus trejeitos mais efeminados. Pressionado e confuso, o rapaz chegou a verbalizar a terceiros e aos pais: “Se todos dizem que eu sou gay, é porque devo ser”. Em vez de rejeitarem o filho ou o tentarem “mudar”, os pais — com o consentimento dele — procuraram um psicólogo. Não para “curar” a homossexualidade, mas para ajudar o adolescente a distinguir o que nasce do seu íntimo daquilo que é uma resposta ao trauma externo. Queriam que ele explorasse os seus sentimentos verdadeiros, longe da pressão social que o havia transformado num rótulo ambulante. Pensavam, com razão, que a auto-afirmação podia ser mais uma estratégia de sobrevivência ao bullying do que uma orientação sexual inata e imutável.

O impacto no contexto escolar agrava dramaticamente esta dinâmica.

As escolas tornaram-se um dos principais vectores de transmissão da ideologia de género. Muitas adoptam políticas de “afirmação imediata” que incluem a alteração de nome e pronomes sem informar ou obter o consentimento dos pais — uma prática que tribunais em vários países, nomeadamente nos EUA, já consideraram inconstitucional por violar direitos parentais fundamentais. Professores e conselheiros são instruídos para ocultar da família a “transição social” da criança, criando planos de suporte de género sigilosos. O resultado é uma alienação parental institucionalizada: a escola assume-se como aliada do aluno contra a família, reforçando a narrativa de que os pais são o obstáculo.

A Revisão Cass, no Reino Unido, foi inequívoca: a “transição social” (mudança de nome, pronomes, vestuário ou acesso a casas de banho) não é um acto neutro. Pode consolidar uma disforia passageira, contribuir para o contágio social — especialmente em grupos de raparigas — e iniciar um percurso difícil de reverter. A explosão de referenciações à clínica Tavistock coincidiu com a proliferação de clubes GSA (Gender and Sexuality Alliances), materiais curriculares que apresentam o sexo como um espectro fluido e com a pressão de pares nas redes sociais. Surgem agora grupos de disforia de início rápido em turmas inteiras, tal como descrito por pais e pela investigação de Lisa Littman sobre a ROGD (Rapid Onset Gender Dysphoria). 

O que antes era um transtorno raro, com maior incidência em rapazes e manifestado desde a infância, passou a afectar sobretudo raparigas adolescentes sem historial prévio — muitas delas com comorbilidades como ansiedade, depressão, autismo ou traumas de bullying.

Nas escolas, o bullying tradicional motivado por trejeitos efeminados ou masculinidade atípica não desapareceu; transformou-se. Alunos que não se conformam com estereótipos sexuais continuam a ser alvo de estigma, mas a ideologia vigente rotula qualquer hesitação como “ódio”: questionar a afirmação imediata é classificado como transfobia ou homofobia, mesmo quando pais ou professores procuram apenas compreensão e terapia exploratória. O aluno que interioriza a ideia de que “se todos dizem que sou gay/trans…” encontra na escola validação instantânea, em vez de um espaço para reflectir sobre a pressão social. O verdadeiro bullying — isolamento, exclusão ou agressão — acaba, muitas vezes, por ser ignorado ou redefinido quando colide com estas questões identitárias.

Não é exagero. Relatos semelhantes multiplicam-se em fóruns de pais de ROGD (Rapid Onset Gender Dysphoria), em livros como Lost in Trans Nation de Miriam Grossman ou nas audiências públicas que precederam a proibição da transição de menores no Reino Unido, Suécia, Finlândia e vários estados americanos. 

Existem detransicionadores — jovens que interromperam o processo e hoje olham para trás com horror — que descrevem exactamente o mesmo guião: “Os activistas diziam-me que os meus pais eram o problema. Quando desisti, percebi que os tinha perdido por causa de uma mentira que me venderam como verdade.”

O mais cruel é a inversão moral. 

O pai ou a mãe que se recusa a celebrar a mastectomia da filha de 16 anos ou a castração química do filho de 15 — ou, no caso do bullying sexual, que pede simplesmente tempo e terapia exploratória para um rapaz que ecoa “se todos dizem que sou gay…” — é acusado de “não querer que o filho seja feliz”. Como se o amor se medisse pela velocidade com que se aceita que uma criança se esterilize, se mutile ou se reduza a um impulso sexual, em nome de uma identidade fluida que, até há uma década, a própria medicina considerava um transtorno raro e grave. Estudos sérios (Cass Review no Reino Unido, relatórios da Sociedade Sueca de Psiquiatria Infantil, o próprio follow-up da clínica Tavistock) mostram que a maioria dos casos de disforia de género na infância e adolescência se resolve naturalmente com terapia exploratória — precisamente aquela que os activistas mais combatem. O mesmo princípio aplica-se à orientação sexual quando existe trauma ou pressão externa: questionar não é ódio, é responsabilidade.

Os pais não são “transfóbicos” nem “homofóbicos” por questionarem. São responsáveis. Sabem que o cérebro adolescente não está maduro para decisões irreversíveis. Sabem que a taxa de desistência histórica era superior a 80% antes da era da “afirmação imediata”. Sabem que reduzir um ser humano inteiro — com a sua história, os seus talentos, os seus medos — a um rótulo sexual ou de género é uma forma de empobrecimento psicológico, não de libertação. E sabem, acima de tudo, que o filho que hoje os trata como inimigos é o mesmo que, daqui a cinco ou dez anos, poderá acordar arrependido e sem família para o acolher.

Esta não é uma batalha abstracta entre “direitos trans/LGBTQ+” e “direitos dos pais”. É uma batalha pela integridade emocional de uma geração. Os pais que resistem não estão a rejeitar o filho; estão a proteger a criança que ainda existe sob a máscara ideológica. O verdadeiro acto de ódio é o que encoraja o corte de laços familiares como prova de lealdade a uma causa. O verdadeiro acto de amor é dizer: “Eu vejo-te por inteiro. Não vou fingir que uma hormona, uma cirurgia ou um rótulo imposto pelo bullying te vai resolver a vida. Estou aqui, mesmo quando me odeias por isso.”

Até que a sociedade recupere o bom senso e volte a tratar a disforia de género e as confusões de identidade sexual como problemas de saúde mental — e não como identidades sagradas que exigem sacrifício familiar —, estes pais vão continuar a pagar o preço mais alto: perder o filho vivo em nome de uma utopia que promete felicidade e entrega, na prática, esterilidade, mutilação, solidão ou uma autodefinição superficial. E o pior é que, quando o arrependimento chegar, muitos desses jovens já não terão para onde voltar. Os pais, esses, estarão lá. Partidos, mas lá. Porque o amor verdadeiro não se bloqueia com um clique.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Portugal a caminho da proibição de bloqueadores: o que revela o texto de Marisa Antunes






Numa publicação recente no LinkedIn, a portuguesa Marisa Antunes agradece publicamente ao jornalista australiano Bernard Lane por expor, perante a sua rede internacional, a realidade do transactivismo médico em Portugal. O título da publicação resume o cerne da notícia: “Portugal on track to ban blockers” (Portugal a caminho de proibir os bloqueadores).

Antunes destaca que Lane a incluiu no seu artigo, partilhando “um pouco do que também aqui se passa”. A autora critica o silêncio dos seus colegas médicos e dos jornalistas portugueses que, segundo afirma, “calam as vozes de pais, mães, médicos e juristas que pretendem denunciar este crime”. Para Antunes, o debate interno encontra-se bloqueado pela “conivência pantanosa” da imprensa nacional, sendo o olhar externo — como o de Lane — que confere visibilidade ao tema.

O que está em causa?

A expressão “ban blockers” refere-se a um projecto de lei do CDS-PP (centro-direita democrata-cristão) que visa proibir o uso de bloqueadores de puberdade e hormonas do sexo oposto em menores com disforia de género. O projecto invoca o direito das crianças ao “pleno desenvolvimento” e à protecção das suas escolhas de vida futuras.

A proposta baixou à Comissão de Assuntos Constitucionais após o debate em sessão plenária a 20 de Março de 2026. Esta iniciativa integra um conjunto de três projectos legislativos da direita que procuram limitar a medicalização de género em menores.

O artigo de Bernard Lane (publicado no Gender Clinic News) alerta ainda para casos concretos em Portugal: crianças de apenas 11 anos serão referenciadas para bloqueadores logo na primeira consulta, sendo inclusivamente informadas sobre cirurgias futuras na mesma ocasião.

A publicação de Marisa Antunes, sem entrar em detalhes técnicos, serve de altifalante a esta notícia internacional e à denúncia de que o debate sobre a protecção de menores está a ser abafado internamente. Em suma, Antunes manifesta a esperança de que uma mudança legislativa ponha fim à medicalização precoce de crianças e adolescentes, reconhecendo que, por agora, esta discussão carece de vozes externas para ser ouvida em Portugal.


sábado, 11 de abril de 2026

Refutação às afirmações de Susana Peralta sobre a Lei 15/2024 e ao uso instrumental do caso Miguel Salazar

 



No debate em questão (excerto disponível no X a partir do tweet de @TTduty), Susana Peralta defende a Lei n.º 15/2024, que criminaliza as chamadas “práticas de conversão sexual” contra pessoas LGBT+, incluindo actos destinados a “alterar, limitar ou reprimir” a orientação sexual, identidade ou expressão de género. A lei prevê penas até 3 anos de prisão (ou 5 anos em casos de modificações irreversíveis).

Analiticamente, pretendo expôr as principais falácias presentes na intervenção de Peralta:

  • Confusão deliberada de conceitos

Peralta mistura propositadamente a orientação sexual com a identidade de género. No que toca à orientação sexual, a ciência reconhece que esta pode ser fluida, especialmente durante a adolescência e o início da idade adulta (young adulthood). Contudo, em adultos, os especialistas referem-se a uma atracção estável: embora não se afirme uma imutabilidade biológica de 100%, a orientação não é considerada uma "escolha" passível de ser alterada por terapias externas. Importa notar que, embora a maioria das associações internacionais classifique as “terapias de conversão” como ineficazes e prejudiciais, este entendimento não é unânime: existem vozes discordantes, tanto na comunidade médica como em sectores conservadores, que defendem a liberdade terapêutica e o direito à procura de aconselhamento que respeite a identidade moral ou religiosa do indivíduo. 

A Cass Review (2024) aponta para taxas de desistência entre 60% e 90% sem intervenção afirmativa, dados que são contestados por organizações como a WPATH, que defende a afirmação imediata como essencial. No entanto, a fidedignidade da WPATH foi recentemente posta em causa pelo vazamento de comunicações internas (WPATH Files), nas quais profissionais de saúde da própria organização admitem que as crianças e adolescentes não possuem maturidade cognitiva para compreender as implicações irreversíveis e os riscos de longo prazo dos tratamentos de "mudança de sexo".

 A lei amalgama ambas as realidades num mesmo pacote, como se fossem idênticas. Enquanto as “terapias de conversão” clássicas para a orientação sexual são ineficazes e prejudiciais (consenso APA/OMS), a disforia de género em menores apresenta taxas de desistência de 60-90% sem intervenção afirmativa (estudos pré-2010 e Cass Review, Reino Unido, 2024). Vários países europeus (Suécia, Finlândia, Noruega, Inglaterra) restringiram bloqueadores de puberdade e hormonas precisamente pela falta de evidência robusta e pelos riscos graves (osteoporose, infertilidade, impacto cognitivo).

  • Homem de palha

Peralta caricatura a posição contrária: sugere que pedir a um jovem que “reconsidere” equivaleria a levá-lo ao psicólogo para “curar” a orientação sexual. Ninguém sério defende electrochoques ou abusos dos anos 70. A crítica real à lei incide na vagueza das definições (“actos que visem a alteração ou repressão”), que pode criminalizar pais que questionem uma filha de 12 anos declarada trans após exposição a redes sociais, ou psicólogos que optem por uma terapia exploratória neutra (recomendada pela Cass Review) em vez da afirmação imediata. 

A Provedora de Justiça já questionou a constitucionalidade da lei, precisamente por violação do princípio da tipicidade penal: os termos são tão abrangentes que se torna impossível delimitar claramente o crime.

  • Petição de princípio e apelo à emoção

Afirmar que “são pessoas normais” e que a lei deve proteger o direito “a serem o que são”, mesmo que “subjectivo”, assume como premissa o que está em debate. A ciência não valida a ideia de que a afirmação médica imediata é sempre benéfica, especialmente em menores. Estudos mostram desistências, efeito de contágio social (rapid-onset gender dysphoria) e taxas crescentes de detransição, com pior saúde mental a longo prazo em alguns grupos europeus. Transformar o debate numa questão moral (“ou proteges ou odeias”) é retórica activista, não argumento racional.

  • Falso dilema
Sugere que ou se proíbe qualquer questionamento/psicoterapia, ou não existe protecção alguma. Antes da Lei 15/2024 já existiam normas contra a coacção, a violência e a discriminação. A nova lei cria um efeito inibidor (chilling effect) sobre famílias e profissionais de saúde, que evitam casos de género por receio de processos criminais.

  • Adição factual: o caso concreto de Miguel Salazar

Susana Peralta (e outros activistas) recorrem frequentemente a exemplos pessoais como o de Miguel Salazar para ilustrar a alegada necessidade da lei, apresentando-o como vítima de “terapias de conversão” e violência doméstica por parte da mãe.

Estas afirmações são falsas, conforme a negação categórica e pública no comunicado enviado aos meios de comunicação social e publicado no Sete Margens a 10 de Abril de 2026:

“Negamos categoricamente todas as alegações de violência física ou psicológica contra o nosso filho, que hoje é adulto. Jamais o agredimos ou maltratámos por qualquer motivo – nomeadamente pela sua orientação sexual – e nunca proferimos as afirmações que nos são atribuídas. Tais alegações são falsas, distorcidas e não correspondem à realidade. Lamento a instrumentalização político-ideológica deste meu desacordo familiar, usado como arma para silenciar vozes conservadoras e cristãs que, como a minha, se opõem à medicalização precipitada de crianças e adolescentes. Apelo a um jornalismo responsável e plural, que respeite a minha liberdade de consciência e de religião."

Como mãe e acusada direta, tenho direito ao contraditório. É obrigação ética e deontológica da TVI (ou CNN Portugal) publicar o meu comunicado na íntegra, garantindo o equilíbrio informativo. O facto de o meu filho, Miguel Salazar, como adulto, ter optado por expor publicamente o nosso conflito familiar não me obriga a retribuir na mesma medida, nem isenta os media de respeitarem o meu direito ao contraditório sem sensacionalismo. Tenho mantido a dignidade de não expor o meu filho em praça pública, mesmo discordando totalmente da narrativa que tem sido veiculada. 

Informo, por isso, que será enviada uma queixa à ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) no sentido de garantir que o meu comunicado seja exibido no mesmo programa e na presença da comentadora Susana Peralta, assegurando assim o devido equilíbrio e o meu direito de resposta perante as falsas acusações emitidas.


Conclusão

A intervenção de Susana Peralta baseia-se em equívocos conceptuais, caricaturas e apelos emocionais, ignorando a distinção científica entre orientação sexual e identidade de género, bem como a evidência internacional que leva vários países a recuar na “afirmação” imediata em menores. Quando recorre ao caso de Miguel Salazar, fá-lo com base numa narrativa unilateral já desmentida por mim, configurando um uso político de um conflito familiar privado.

A Lei 15/2024 não protege: cria um crime de intenção subjectiva que ameaça o papel parental e a liberdade terapêutica. A ciência (Cass Review e equivalentes europeus) está a corrigir o rumo. Portugal deveria seguir o exemplo da cautela europeia em vez de criminalizar o debate.