sábado, 11 de abril de 2026

A verdade contra a distorção: O meu livro não considera a homossexualidade uma doença

 


Lamentavelmente, a perseguição movida por sectores da esquerda e colectivos de agenda identitária não abranda, tendo culminado em ameaças à minha integridade física. É o resultado de mentiras deliberadas em busca de protagonismo. O facto de se distorcer um trabalho de 313 páginas, através do uso de escassas passagens retiradas do seu contexto, revela a falta de escrúpulos e de rigor de quem me tenta silenciar. Revela, aliás, uma ignorância e uma má-fé gritantes: o meu acusador nem sequer foi capaz de acertar no título do livro que pretende atacar e tenta desqualificar-me chamando-me "pseudo-doutora". É um ataque baixo e irónico, pois passo a vida a corrigir quem se dirige a mim como "doutora" — o que acontece com frequência — precisamente por prezar a verdade. Não me arrogo títulos que não tenho; o que faço, e o meu acusador sabe-o bem, é pesquisar e estudar a ideologia de género com rigor há mais de 10 anos.



Face a estas manipulações, quero ser inequívoca: o meu livro não considera a homossexualidade uma doença. A acusação de que sou uma "ideóloga anti-LGBT+" baseia-se numa distorção clássica, feita através de uma escolha selectiva de excertos, sem ler o contexto completo nem distinguir o que o texto realmente afirma. 

Vou desmontar esta narrativa de forma clara e factual, com base nas páginas citadas (21, 50, 67, 68 e 69) e no contexto histórico das fontes que utilizo.

1. O que eu não escrevi no meu livro

Nos excertos que têm circulado, não existe uma única frase minha a afirmar que a "homossexualidade é uma doença".

A única menção directa a uma perspectiva médico-psiquiátrica sobre este tema provém de uma citação de Charles W. Socarides (pág. 21), e não da minha voz autoral. Os restantes trechos focam-se na identidade de género, disforia de género e transexualismo, e não na orientação sexual.


Na pág. 67, abordo a heterossexualidade como o mecanismo natural de reprodução da espécie (um facto biológico: apenas a união entre macho e fêmea gera descendência). Critico a "desconstrução da família natural" por rejeitar a heterossexualidade como norma e promover a homossexualidade como igualmente "natural e desejável". Esta é uma posição filosófica, antropológica e cristã — não é uma afirmação médica de patologia.


Como cristã, a minha visão é clara: vejo a homossexualidade como pecado, não como doença. Alinho-me com a posição tradicional cristã, onde os actos são considerados moralmente errados, mas a atracção em si não é equiparada a uma patologia psiquiátrica. O meu livro separa claramente estes conceitos, mas este esclarecimento não trava o ataque à minha liberdade religiosa. 

O que estamos a assistir é a uma tentativa de me queimar em praça pública, nas novas fogueiras desta 'inquisição do arco-íris' que não admite o pensamento divergente.

2. O contexto de Charles W. Socarides

Cito Charles W. Socarides (1922–2005), psiquiatra e professor na Albert Einstein College of Medicine, para ilustrar um contexto histórico. Durante décadas, ele defendeu que a homossexualidade era uma neurose resultante de conflitos na primeira infância e opôs-se à decisão da APA, em 1973, de retirar a homossexualidade do DSM-II, por considerar que a mudança foi política e não científica.

Embora as ideias de Socarides sejam hoje rejeitadas pela maioria das associações oficiais, citá-lo não significa subscrever todas as suas teses. Utilizo-o como um exemplo histórico da visão psiquiátrica antes da viragem de 1973 e para ilustrar a crítica à promoção cultural da homossexualidade. Num livro que confronta "ideologia vs. ciência", este recurso é legítimo.

3. O verdadeiro foco: Disforia de Género (págs. 50, 68, 69)



Aqui, o meu texto é explícito:

  • Defendo que a disforia de género é uma condição da mente, não do corpo (pág. 69). Isto acompanha o diagnóstico do DSM-5 (2013), que mantém a "Disforia de Género" devido ao sofrimento e às doenças mentais associadas.
  • Recordo o facto histórico de que, até 2012/2013, o DSM classificava o "transexualismo" como uma parafilia grave (pág. 50).
  • Critico a Lei n.º 15/2024, que proíbe as chamadas 'práticas de conversão', pois argumento que esta legislação deixa os profissionais de saúde sem ferramentas para tratar quem sofre de disforia ou confusão real (pág. 69), impedindo a terapia exploratória necessária. 
Sobre este ponto, é gritante a contradição política: no debate sobre a revogação da Lei 38/2018, a deputada Mariana Leitão, da IL, afirmou que o acompanhamento por equipas multidisciplinares e a terapia exploratória estariam salvaguardados. Ora, o que a lei fez, na prática, foi acabar com esse rigor, entregando crianças a profissionais que as diagnosticam como transgénero em apenas 10 ou 15 minutos.

A incoerência do sistema é total: a Dr.ª Zélia Figueiredo, psiquiatra e coordenadora do Grupo de Acompanhamento da Implementação da Estratégia de Saúde para as Pessoas LGBTI, afirma publicamente que o transgenerismo não é doença e que, por isso, não precisa de diagnóstico. Se não há patologia nem necessidade de diagnóstico, para que servem então as equipas multidisciplinares de saúde e o suposto acompanhamento? O que existe é uma via verde ideológica que atropela a prudência médica.

4. A instrumentalização política e a mentira sobre a "Bíblia do CHEGA"

Esta campanha procura também prejudicar o partido CHEGA, utilizando imagens minhas em eventos partidários e rotulando absurdamente a minha obra como a "Bíblia do Chega". Alega-se que o livro é usado para fundamentar a revogação da Lei n.º 38/2018, ignorando deliberadamente que o PSD e o CDS-PP também apresentaram projectos no mesmo sentido. O Parlamento aprovou a revogação desta lei em Março de 2026 com os votos favoráveis das três bancadas (PSD, CHEGA e CDS-PP), reintroduzindo a necessidade de validação médica para menores. Tentar colar este movimento legislativo exclusivamente a mim ou ao CHEGA é uma desonestidade intelectual profunda.

O meu livro — "Identidade de Género — Ideologia ou Ciência?" — faz o que promete: confronta a ideologia de género com dados, distinguindo orientação sexual de identidade de género. As acusações que misturam estes conceitos servem apenas para criar um rótulo de "homofobia" onde existe, na verdade, uma crítica fundamentada à medicalização de menores e à imposição ideológica. Além disso, a corrente dominante da psiquiatria é utilizada nestas críticas para silenciar vozes dissonantes.

Resumo: a mentira desmontada

A acusação de que considero a homossexualidade uma doença é falsa. Quem partilha estes posts sabe perfeitamente que defendo uma visão conservadora/cristã e científica contra a ideologia de género. Na verdade, todas as acusações que têm sido ditas e repetidas sobre mim ad nauseam são tão falsas como as acusações feitas ao meu livro; isto demonstra tudo sobre quem está a mentir, movido por motivações político-ideológicas. 

O livro distingue a moralidade (pecado) da patologia (disforia). Quem partilha estes ataques prefere o rótulo fácil ao debate de argumentos. O meu livro está disponível para quem o quiser ler na íntegra, em vez de se basear em meia-dúzia de isoladas de quem nem sequer leu a contra-capa.


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