Ora vejam só. O ilustre sociólogo e deputado do Bloco de
Esquerda, Fabian Figueiredo, surge com o seu habitual tom de vitimização
colectiva: «Deixem as pessoas trans viver em paz». Que comovente. Que
progressista. Que original. Enquanto o País se afunda no pântano da habitação,
no colapso da saúde e na carestia de vida, a direita — imagine-se o atrevimento
— ousa querer proteger menores de dezoito anos de bloqueadores de puberdade e
hormonas cruzadas. Que escândalo! Que «retrocesso»! Que «negacionismo científico»!
Mas vamos ao que interessa, com a ironia afiada que esta
patuscada merece. É que, enquanto o Fabian e o seu séquito de colectivos LGBT
vertem lágrimas de crocodilo pelos «direitos humanos» de adultos que já
escolheram o seu caminho (e a quem, diga-se, ninguém proíbe de viver como bem
entenderem), esquecem-se convenientemente de quem realmente precisa de paz: as
crianças. Aquelas que ainda brincam com carrinhos ou bonecas, sem terem
solicitado a transformação em cartazes ambulantes da vossa bandeira colorida.
Ah, sim, deixem as crianças em paz. Sem as convencerem de
que podem mudar de sexo como os peixes-palhaço (que, coitados, nem sonham
servir de propaganda para a vossa agenda). Sem lhes impingirem que os
cavalos-marinhos «provam» que os machos também parem (como se a biologia humana
fosse um documentário de domingo da National Geographic). Sem lhes exibirem
pinguins homossexuais no jardim-de-infância para normalizar o que a natureza
reserva a uma fracção infinitesimal das espécies. Afinal, se os bichos o fazem,
porque não a menina de oito anos que ontem queria ser princesa e hoje, mercê do
vosso «activismo», se julga «não-binária»?
Vocês, a esquerda e as associações do costume, não buscam a
«paz». Querem a conversão. Querem que a criança nasça como uma folha em branco
— ignorem o cromossoma XY ou XX, isso é «binarismo opressivo» — para que a
vossa ideologia preencha o vazio com as letras do abecedário arco-íris.
«Escolhe uma, querido! Trans, queer, pan, agénero, demigénero… tens setenta e
duas opções, consoante o dia da semana!». E depois espantam-se quando surgem
estudos (daqueles que vocês omitem por sistema) a descrever o «contágio
social», as raparigas que, por artes mágicas, são 4.000% mais «trans» do que há
uma década, ou os arrependidos que relatam como foram erotizados precocemente
com «livros inclusivos» repletos de esquemas genitais e identidades fluidas.
O Fabian brande o suicídio como se fosse o salvo-conduto
para castrar crianças. Ironia suprema: o mesmo estudo que cita aponta uma taxa
de arrependimento de «apenas» 4%... mas esquece-se de dizer que, quando se
acompanha estes jovens a longo prazo, sem o filtro activista, o número dispara.
Omite que a esmagadora maioria dos casos de disforia de género na infância se
resolve espontaneamente com tempo, afecto e… paz. Sem comissários políticos a
invadir escolas com oficinas de «exploração de género» que mais parecem sessões
de recrutamento para uma seita.
«Deixem as pessoas trans viver em paz», diz ele. Tradução
livre: «Deixem-nos doutrinar os vossos filhos em sossego, sem pais
impertinentes a interferir, sem biologia a atrapalhar e sem a maçada da
Ciência, essa reaccionária que teima em dizer que o sexo é binário e imutável
nos mamíferos humanos». Para a esquerda, a verdadeira opressão não é o
bullying; é o facto de uma criança poder crescer sem ser bombardeada com
«identidade de género» antes da maioridade. Que horror! Que violência!
Fabian,em vez de mendigarem «paz» para a vossa causa, deixem as crianças
brincar em paz. Deixem-nas descobrir se são rapaz ou rapariga pela natureza,
não pela vossa cartilha. Deixem-nas ler contos de fadas em vez de manuais de
«diversidade» que as sexualizam antes de saberem o que é o erotismo. E, acima
de tudo, deixem os pais — e não os deputados do Bloco ou associações
subsidiadas — decidirem o que é melhor para os seus filhos.
Porque, no fundo, a vossa «paz» é a nossa guerra cultural. E
as crianças não são o vosso campo de batalha; são o futuro que vocês teimam em
saquear. Deixem-nas em paz. A sério. Sem bandeiras, sem letrinhas, sem
peixes-palhaço. Apenas a paz. Aquela que não traz agenda no bolso.
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