quarta-feira, 18 de março de 2026

Deixem as crianças em paz, Fabian. Ou será que o «arco-íris» agora também exige tutores morais no quarto dos nossos filhos?

 


Ora vejam só. O ilustre sociólogo e deputado do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, surge com o seu habitual tom de vitimização colectiva: «Deixem as pessoas trans viver em paz». Que comovente. Que progressista. Que original. Enquanto o País se afunda no pântano da habitação, no colapso da saúde e na carestia de vida, a direita — imagine-se o atrevimento — ousa querer proteger menores de dezoito anos de bloqueadores de puberdade e hormonas cruzadas. Que escândalo! Que «retrocesso»! Que «negacionismo científico»!

Mas vamos ao que interessa, com a ironia afiada que esta patuscada merece. É que, enquanto o Fabian e o seu séquito de colectivos LGBT vertem lágrimas de crocodilo pelos «direitos humanos» de adultos que já escolheram o seu caminho (e a quem, diga-se, ninguém proíbe de viver como bem entenderem), esquecem-se convenientemente de quem realmente precisa de paz: as crianças. Aquelas que ainda brincam com carrinhos ou bonecas, sem terem solicitado a transformação em cartazes ambulantes da vossa bandeira colorida.

Ah, sim, deixem as crianças em paz. Sem as convencerem de que podem mudar de sexo como os peixes-palhaço (que, coitados, nem sonham servir de propaganda para a vossa agenda). Sem lhes impingirem que os cavalos-marinhos «provam» que os machos também parem (como se a biologia humana fosse um documentário de domingo da National Geographic). Sem lhes exibirem pinguins homossexuais no jardim-de-infância para normalizar o que a natureza reserva a uma fracção infinitesimal das espécies. Afinal, se os bichos o fazem, porque não a menina de oito anos que ontem queria ser princesa e hoje, mercê do vosso «activismo», se julga «não-binária»?

Vocês, a esquerda e as associações do costume, não buscam a «paz». Querem a conversão. Querem que a criança nasça como uma folha em branco — ignorem o cromossoma XY ou XX, isso é «binarismo opressivo» — para que a vossa ideologia preencha o vazio com as letras do abecedário arco-íris. «Escolhe uma, querido! Trans, queer, pan, agénero, demigénero… tens setenta e duas opções, consoante o dia da semana!». E depois espantam-se quando surgem estudos (daqueles que vocês omitem por sistema) a descrever o «contágio social», as raparigas que, por artes mágicas, são 4.000% mais «trans» do que há uma década, ou os arrependidos que relatam como foram erotizados precocemente com «livros inclusivos» repletos de esquemas genitais e identidades fluidas.

O Fabian brande o suicídio como se fosse o salvo-conduto para castrar crianças. Ironia suprema: o mesmo estudo que cita aponta uma taxa de arrependimento de «apenas» 4%... mas esquece-se de dizer que, quando se acompanha estes jovens a longo prazo, sem o filtro activista, o número dispara. Omite que a esmagadora maioria dos casos de disforia de género na infância se resolve espontaneamente com tempo, afecto e… paz. Sem comissários políticos a invadir escolas com oficinas de «exploração de género» que mais parecem sessões de recrutamento para uma seita.

«Deixem as pessoas trans viver em paz», diz ele. Tradução livre: «Deixem-nos doutrinar os vossos filhos em sossego, sem pais impertinentes a interferir, sem biologia a atrapalhar e sem a maçada da Ciência, essa reaccionária que teima em dizer que o sexo é binário e imutável nos mamíferos humanos». Para a esquerda, a verdadeira opressão não é o bullying; é o facto de uma criança poder crescer sem ser bombardeada com «identidade de género» antes da maioridade. Que horror! Que violência!

Fabian,em vez de mendigarem «paz» para a vossa causa, deixem as crianças brincar em paz. Deixem-nas descobrir se são rapaz ou rapariga pela natureza, não pela vossa cartilha. Deixem-nas ler contos de fadas em vez de manuais de «diversidade» que as sexualizam antes de saberem o que é o erotismo. E, acima de tudo, deixem os pais — e não os deputados do Bloco ou associações subsidiadas — decidirem o que é melhor para os seus filhos.

Porque, no fundo, a vossa «paz» é a nossa guerra cultural. E as crianças não são o vosso campo de batalha; são o futuro que vocês teimam em saquear. Deixem-nas em paz. A sério. Sem bandeiras, sem letrinhas, sem peixes-palhaço. Apenas a paz. Aquela que não traz agenda no bolso.

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