Ah, Fernanda Câncio, a eterna vestal da extrema-esquerda e
porta-voz oficiosa do lobby LGBTQIA+ no Diário de Notícias. Ei-la que regressa
à carga com o seu estribilho de sempre: «A autodeterminação como perigo
público». Só que, como é apanágio da vossa seita ideológica, o título padece de
uma patologia grave: é uma mentira descarada — ou, para sermos mais precisos,
uma inversão maquiavélica da realidade. Não é a autodeterminação que a direita
(PSD e Chega, desta vez) considera um perigo público. É a vossa «autodeterminação»
delirante, que pretende converter o registo civil num playground de fantasia
onde qualquer homem decide, numa tarde de tédio, que é mulher e exige entrada
nos balneários, nas prisões, nos desportos e nas estatísticas de violência
feminina.
Primeiro, a senhora ensaia a estafada comparação entre a
resistência à autodeterminação de género e a oposição histórica ao casamento
homossexual. Clássico truque de prestidigitação. Em 2010, o debate versava
sobre dois adultos do mesmo sexo que pretendiam um contrato civil. Ninguém
pretendia apagar o sexo biológico da lei, ninguém tencionava coagir miúdas de
12 anos a ingerir bloqueadores de puberdade, nem ninguém sugeria que um
violador com o pénis intacto passasse a ser uma «mulher presa» com direito a cela
feminina. Hoje, a vossa «autodeterminação» é exactamente isso: um cheque em
branco para o abuso. E a senhora ainda tem o desplante de rotular de «ridículo
e cruel» quem ousa proteger as mulheres reais? Cruel é sentenciar que uma rapariga deve perder as suas bolsas de natação, troféus e segurança em nome do "sentimento" feminino de um rapaz. Ridículo é fingir que o PSD e o Chega são os radicais, quando apenas
reclamam o mínimo indispensável: que dois profissionais (um médico e um
psicólogo) confirmem que não estamos perante um capricho, uma moda do TikTok ou
uma astuta fuga à responsabilidade penal.
A senhora cita o relatório da ONU de 2015 como se estivesse
a ler o Evangelho. Compreende-se. Para a extrema-esquerda, qualquer documento
das Nações Unidas que tresande a ideologia de género é sagrado — até ao dia em
que a mesma ONU seja forçada a admitir (como já admitem estudos suecos,
finlandeses e britânicos, veja-se o Cass Review) que a «autodeterminação» sem
freio gerou uma explosão de meninas autistas, traumatizadas ou meramente
influenciadas pelas redes sociais a mutilarem-se irreversivelmente. Mas isso a
senhora não lê, pois não? Prefere o relatório que recomenda a «autodeterminação
total», enquanto ignora olimpicamente que o sexo é binário, imutável e está
gravado no ADN desde a concepção.
E aqui chegamos ao cerne da vossa hipocrisia «liberal»
selectiva. A senhora principia o texto afirmando que «a noção liberal de que
cabe a cada um saber quem é e agir em conformidade pára, no que respeita à
direita, à porta do sexo». Engano colossal. A direita não nega que cada um
sinta o que quiser no recôndito do seu crânio. O que negamos é que o Estado
seja compelido a mentir nos documentos oficiais, a reescrever a realidade
biológica e a sacrificar os direitos das mulheres e das crianças no altar do
vosso culto. Porque, ao contrário do que a senhora finge, o registo civil não é
um diário íntimo. É um instrumento jurídico que baliza prisões, desportos,
quotas, pensões de viuvez e estatísticas criminais. E sim, protege a família
natural — aquela que a senhora tanto despreza, mas que teima em ser a única
a produzir uma civilização minimamente estável.
A senhora acha uma «evolução incrível» que o PSD já não
exija cirurgia. Nós achamos meramente patético que tenha cedido tanto. Mas
ainda bem que o Chega e parte do PSD dizem: basta. Basta de fingir que um homem
de barba rija, voz grossa e testículos é «mulher» só porque apôs uma assinatura
num papel. Basta de degradar as mulheres à condição de «pessoas com útero» ou
«pessoas que menstruam» só para não ferir o ego frágil dos homens que se
apropriam do feminino. Basta de usar crianças como cobaias de uma experiência
social que já provou, em meia dúzia de países, ser um desastre médico e
psicológico.
Fernanda, a vossa «autodeterminação» não é liberdade. É uma
licença para o caos. É o Estado a proclamar: «A biologia é opcional, a verdade
é o que eu sinto hoje». E quando a realidade volta a bater à porta — como bate
sempre —, quem paga a factura são as mulheres violadas em prisões mistas, as
atletas defraudadas, as meninas esterilizadas e os pais que perderam os filhos
para a ideologia. Isso, sim, é um perigo público.
A direita conservadora não pretende «reprimir» ninguém.
Pretende apenas que o Estado pare de mentir. E se isso lhe parece uma
«obsessão», é porque o vosso projecto sempre foi este: apagar o sexo para impor
a cartilha. Felizmente, Portugal ainda tem quem saiba dizer não. E cada vez
mais alto.
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