terça-feira, 17 de março de 2026

Fernanda Câncio: O Delírio contra a Biologia

 



Ah, Fernanda Câncio, a eterna vestal da extrema-esquerda e porta-voz oficiosa do lobby LGBTQIA+ no Diário de Notícias. Ei-la que regressa à carga com o seu estribilho de sempre: «A autodeterminação como perigo público». Só que, como é apanágio da vossa seita ideológica, o título padece de uma patologia grave: é uma mentira descarada — ou, para sermos mais precisos, uma inversão maquiavélica da realidade. Não é a autodeterminação que a direita (PSD e Chega, desta vez) considera um perigo público. É a vossa «autodeterminação» delirante, que pretende converter o registo civil num playground de fantasia onde qualquer homem decide, numa tarde de tédio, que é mulher e exige entrada nos balneários, nas prisões, nos desportos e nas estatísticas de violência feminina.

Vamos lá dissecar esta pérola de propaganda com o bisturi do bom senso, algo que a esquerda abomina tanto quanto o cristianismo.

Primeiro, a senhora ensaia a estafada comparação entre a resistência à autodeterminação de género e a oposição histórica ao casamento homossexual. Clássico truque de prestidigitação. Em 2010, o debate versava sobre dois adultos do mesmo sexo que pretendiam um contrato civil. Ninguém pretendia apagar o sexo biológico da lei, ninguém tencionava coagir miúdas de 12 anos a ingerir bloqueadores de puberdade, nem ninguém sugeria que um violador com o pénis intacto passasse a ser uma «mulher presa» com direito a cela feminina. Hoje, a vossa «autodeterminação» é exactamente isso: um cheque em branco para o abuso. E a senhora ainda tem o desplante de rotular de «ridículo e cruel» quem ousa proteger as mulheres reais? Cruel é sentenciar que uma rapariga deve perder as suas bolsas de natação, troféus e segurança em nome do "sentimento" feminino de um rapaz. Ridículo é fingir que o PSD e o Chega são os radicais, quando apenas reclamam o mínimo indispensável: que dois profissionais (um médico e um psicólogo) confirmem que não estamos perante um capricho, uma moda do TikTok ou uma astuta fuga à responsabilidade penal.

A senhora cita o relatório da ONU de 2015 como se estivesse a ler o Evangelho. Compreende-se. Para a extrema-esquerda, qualquer documento das Nações Unidas que tresande a ideologia de género é sagrado — até ao dia em que a mesma ONU seja forçada a admitir (como já admitem estudos suecos, finlandeses e britânicos, veja-se o Cass Review) que a «autodeterminação» sem freio gerou uma explosão de meninas autistas, traumatizadas ou meramente influenciadas pelas redes sociais a mutilarem-se irreversivelmente. Mas isso a senhora não lê, pois não? Prefere o relatório que recomenda a «autodeterminação total», enquanto ignora olimpicamente que o sexo é binário, imutável e está gravado no ADN desde a concepção.

E aqui chegamos ao cerne da vossa hipocrisia «liberal» selectiva. A senhora principia o texto afirmando que «a noção liberal de que cabe a cada um saber quem é e agir em conformidade pára, no que respeita à direita, à porta do sexo». Engano colossal. A direita não nega que cada um sinta o que quiser no recôndito do seu crânio. O que negamos é que o Estado seja compelido a mentir nos documentos oficiais, a reescrever a realidade biológica e a sacrificar os direitos das mulheres e das crianças no altar do vosso culto. Porque, ao contrário do que a senhora finge, o registo civil não é um diário íntimo. É um instrumento jurídico que baliza prisões, desportos, quotas, pensões de viuvez e estatísticas criminais. E sim, protege a família natural — aquela que a senhora tanto despreza, mas que teima em ser a única a produzir uma civilização minimamente estável.

A senhora acha uma «evolução incrível» que o PSD já não exija cirurgia. Nós achamos meramente patético que tenha cedido tanto. Mas ainda bem que o Chega e parte do PSD dizem: basta. Basta de fingir que um homem de barba rija, voz grossa e testículos é «mulher» só porque apôs uma assinatura num papel. Basta de degradar as mulheres à condição de «pessoas com útero» ou «pessoas que menstruam» só para não ferir o ego frágil dos homens que se apropriam do feminino. Basta de usar crianças como cobaias de uma experiência social que já provou, em meia dúzia de países, ser um desastre médico e psicológico.

Fernanda, a vossa «autodeterminação» não é liberdade. É uma licença para o caos. É o Estado a proclamar: «A biologia é opcional, a verdade é o que eu sinto hoje». E quando a realidade volta a bater à porta — como bate sempre —, quem paga a factura são as mulheres violadas em prisões mistas, as atletas defraudadas, as meninas esterilizadas e os pais que perderam os filhos para a ideologia. Isso, sim, é um perigo público.

A direita conservadora não pretende «reprimir» ninguém. Pretende apenas que o Estado pare de mentir. E se isso lhe parece uma «obsessão», é porque o vosso projecto sempre foi este: apagar o sexo para impor a cartilha. Felizmente, Portugal ainda tem quem saiba dizer não. E cada vez mais alto.

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