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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Desmascarando o Activismo Militante do DN e da CIG (Que bem se poderia chamar Comissão para a Ideologia de Género)

 



Maria Helena Costa
Palestrante e Formadora Certificada | Escritora com +10 Obras Publicadas | Especialista em Família, Infância e Combate ao Bullying | Ex-Gestora de Equipas

O artigo do Diário de Notícias (13 de Maio de 2026, de Fernanda Câncio) apresenta os três pareceres da CIG como uma revelação chocante que “chumba” os projectos de lei da direita (PSD, Chega e CDS-PP) para restringir a Lei n.º 38/2018. O jornal enquadra-os como prova de um suposto “esconderijo” por parte do Governo e como uma defesa científica da “autodeterminação de género” e dos “cuidados afirmativos” em menores. Trata-se dum enquadramento clássico de activismo: selecciona vozes alinhadas, ignora a profunda controvérsia internacional e finge que existe um consenso científico robusto onde ele, na verdade, não existe.

A CIG, entidade pública financiada por todos os contribuintes, não age como uma comissão técnica neutra. Comporta-se como um lobista ideológico que repete acriticamente as posições da WPATH, da Endocrine Society e de pareceres activistas nacionais (SPSC, OPP, grupo dos 216), ignorando as evidências de mais alta qualidade que estão a levar dezenas de países a recuar.

Ricardo Gusmão desmonta precisamente estes pareceres activistas no seu contributo rigoroso enviado ao Parlamento. Analisando os mesmos documentos que a CIG invoca, Gusmão conclui:

  • Nos três Pareceres, para 90 referências bibliográficas, 91% (73/80 avaliáveis) correspondem a evidências de qualidade Muito Baixa ou Baixa [...] Apenas sete evidências têm valor probatório relevante [...] Nenhuma mede directamente os outcomes das duas intervenções em debate.
  • Revisões sistemáticas independentes [...] classificam a evidência disponível como de certeza muito baixa para o benefício psicológico e alta para alguns danos físicos das intervenções hormonais em menores.
  • Os Pareceres não são cientificamente robustos nem metodologicamente imparciais. [...] O princípio de non-maleficence [não-maleficência] exige que erros sejam cometidos preferencialmente por defeito, e não por excesso.”

Gusmão destaca ainda o que falta crassamente nos pareceres citados pela CIG:

  • O crescimento exponencial de casos de disforia de género (sobretudo em adolescentes do sexo feminino);As elevadas comorbilidades psiquiátricas associadas;
  • A imaturidade neurocognitiva para a prestação de consentimento informado em menores;
  • O risco real de medicalização da homossexualidade ou de meros problemas de desenvolvimento;
  • As taxas de desistência e de destransição a longo prazo.

Tudo isto está perfeitamente alinhado com o Cass Review (Reino Unido), as revisões da York University (Taylor et al., 2024), da McMaster University (Miroshnychenko et al., 2025, com Gordon Guyatt, criador do método GRADE) e com as decisões soberanas da Suécia, Finlândia, Noruega, Dinamarca e de vários estados americanos. Todos estes países restringiram ou proibiram os bloqueadores da puberdade e as hormonas em menores, precisamente devido à falta de evidência robusta de benefício e aos riscos significativos detectados.

A CIG ignora deliberadamente toda esta realidade e afirma que proibir estas intervenções «não corresponde aos pressupostos científicos» das sociedades médicas internacionais. É falso. A comissão ignora as revisões independentes de maior qualidade e limita-se a repetir as guidelines da WPATH — uma entidade cada vez mais contestada a nível global por falta de rigor (vejam-se os relatórios Cass e as recentes fugas de informação internas).

Conclusão: Activismo Ideológico Disfarçado de Ciência

O DN e a CIG transformam uma entidade pública numa autêntica trincheira ideológica. Enquanto os países desenvolvidos e sérios adoptam o princípio da precaução (“primeiro, não causar dano”), Portugal é pressionado a manter um modelo experimental, herdado de 2018, que medicaliza menores com base numa evidência fraca e altamente selectiva.

A direita (PSD, Chega, CDS) não está a «atacar direitos». Está, sim, a proteger crianças e adolescentes de intervenções irreversíveis e desprovidas de base científica sólida — exactamente como recomendam as revisões sistemáticas mais rigorosas e como Ricardo Gusmão defende com total clareza: avaliação médica obrigatória e protecção integral dos menores.

Manter a Lei n.º 38/2018 sem cautelas não é “progresso”. É dogmatismo ideológico pago com o próprio corpo e com a saúde mental de jovens vulneráveis. A CIG e o DN revelam-se, mais uma vez, meros agentes activistas — e não guardiães da cidadania, da ciência ou da igualdade.

domingo, 19 de abril de 2026

Género e Medicalização: A Crise da Evidência

 



A medicalização da disforia de género em menores: uma perspectiva crítica baseada na evidência

A abordagem afirmativa à disforia de género em crianças e adolescentes — que preconiza a afirmação social imediata, o uso de bloqueadores da puberdade e de hormonas cruzadas — tem sido promovida internacionalmente pela Associação Profissional Mundial para a Saúde Transgénero (WPATH) através das suas Standards of Care (SOC8). Todavia, revisões sistemáticas independentes, publicadas nos últimos anos, revelam que esta prática assenta em fundamentos científicos frágeis, acarretando riscos significativos e carecendo de prova robusta de benefícios a longo prazo.

1.       O Protocolo Holandês: de modelo de referência a abordagem desacreditada

O Protocolo Holandês, desenvolvido na clínica VUmc de Amesterdão entre as décadas de 1990 e 2000, serviu de base às actuais práticas afirmativas. Propunha uma avaliação multidisciplinar rigorosa e a administração de bloqueadores da puberdade a partir do estádio Tanner 2 (cerca dos 12 anos), seguidos de hormonas aos 16 anos; contudo, restringia-se a casos de disforia de início precoce e sem comorbilidades graves.

Os estudos iniciais (de Vries et al., 2011 e 2014), outrora citados como prova de eficácia, encontram-se hoje amplamente desacreditados. A Cass Review (Reino Unido, 2024) classifica tal evidência como sendo de qualidade "muito baixa", apontando a ausência de grupos de controlo, o curto período de acompanhamento (follow-up), as elevadas taxas de desistência e a sobrestimação das melhorias psicológicas. A revisão britânica conclui que os bloqueadores da puberdade não melhoram a disforia de género nem a satisfação corporal, comprometem a densidade óssea e falham o objectivo de "ganhar tempo para reflectir", dado que entre 98% a 100% dos jovens que os iniciam prosseguem para as hormonas cruzadas.

2.      Os WPATH Files: contradições internas da organização promotora

Em Março de 2024, a fuga de informação dos WPATH Files (publicada pelo Environmental Progress) revelou centenas de mensagens internas de membros da WPATH, incluindo autores das SOC8. Nestas comunicações, os profissionais admitem abertamente:

·        Que crianças e adolescentes não compreendem as consequências irreversíveis das intervenções, tais como a esterilidade, a perda de função sexual, e os riscos ósseos e cardiovasculares. Um endocrinologista chegou a comparar a discussão sobre preservação da fertilidade com um jovem de 14 anos a "falar com uma parede em branco".

·        Que a evidência científica dos benefícios é escassa, apesar de as intervenções continuarem a ser promovidas.

·        A existência de pacientes com comorbilidades graves (autismo severo, esquizofrenia, trauma) submetidos a tratamentos sem um consentimento informado claro.

 

O relatório The WPATH Files (2024) conclui que a organização prioriza uma agenda ideológica em detrimento da evidência robusta, violando princípios éticos fundamentais como o primum non nocere (não causar dano).

3.      Evidência das revisões independentes europeias

Cass Review (Relatório Final, 2024): Conclui que a evidência para o uso de bloqueadores e hormonas é insuficiente. Não existe prova clara de melhoria na saúde mental ou redução do risco de suicídio. Adverte que a transição social não é um acto neutro e pode condicionar o desfecho clínico. Recomenda o primado do apoio psicológico e o tratamento das comorbilidades.

Directrizes Finlandesas (COHERE/PALKO, 2020): Consideram a medicalização de menores um procedimento experimental. O tratamento de eleição deve ser a psicoterapia. Um estudo nacional finlandês recente indicou que, após as intervenções de afirmação, a necessidade de cuidados psiquiátricos aumentou, sem melhoria evidente na saúde mental.

Directrizes Alemãs (AWMF, 2025) e Persistência Diagnóstica: Um estudo abrangendo 14 milhões de jovens alemães revelou que apenas 36,4% mantêm o diagnóstico de disforia após cinco anos. A recomendação actual foca-se na avaliação diferencial exaustiva e na psicoterapia como primeira linha de acção.

4.       A situação em Portugal

Em Portugal, diversos centros de referência e documentos da Direcção-Geral da Saúde continuaram a seguir as normas da WPATH e o modelo afirmativo, ignorando a crescente cautela europeia.

Contudo, a 20 de Março de 2026, a Assembleia da República aprovou, na generalidade, projectos de lei (PSD, Chega e CDS-PP) que visam revogar a Lei n.º 38/2018. Estas propostas reintroduzem a obrigatoriedade de parecer médico/psicológico para a mudança de menção de sexo em menores e restringem severamente o recurso a bloqueadores e hormonas em menores de 18 anos. Esta mudança legislativa prioriza a protecção do menor e a avaliação clínica profunda, alinhando Portugal com as políticas de precaução do Reino Unido, Finlândia e Suécia.

Conclusão

A medicalização precoce da disforia de género carece de suporte científico sólido. O declínio do Protocolo Holandês e as revelações dos WPATH Files demonstram que as práticas afirmativas expõem menores a riscos irreversíveis sem benefícios comprovados. A recente inflexão legislativa em Portugal representa um retorno à prudência científica, colocando o superior interesse da criança e a evidência clínica acima de pressupostos ideológicos.


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Referências principais:

Cass Review Final Report (2024) – https://cass.independent-review.uk)

Finnish COHERE Guidelines (2020) e estudos de Kaltiala et al.

German AWMF Guidelines (2025) e estudo de persistência diagnóstica (Ärzteblatt, 2024)

The WPATH Files (Environmental Progress, Março 2024)

segunda-feira, 23 de março de 2026

Crianças ou Clientes? O Impacto da Ideologia de Género e a Falácia da Afirmação Precoce

 



No dia 19 de Março de 2026, na Assembleia da República, assistimos a um espectáculo constrangedor. Enquanto se debatiam os projectos de lei do Chega, do PSD e do CDS-PP para revogar ou alterar a Lei 38/2018, a deputada Isabel Moreira (PS) defendeu com ardor o «direito à autodeterminação de género» de crianças e adolescentes — menores que ainda não podem votar, conduzir nem comprar uma cerveja. Apontou dramaticamente para as galerias, onde se encontravam pais da AMPLOS e representantes de organizações que enviaram pareceres «científicos» contra o projecto de lei do Chega. Era a esquerda em uníssono: Fabian Figueiredo (BE), as bancadas da IL, do PCP, do PAN e do JPP, todos a aplaudir a afirmação de género precoce, a transição social, os bloqueadores da puberdade e as hormonas do sexo oposto. Tudo, garantiram, realizado por «equipas multidisciplinares independentes».

Independentes? Só pode ser uma piada de mau gosto.

Isabel Moreira foi peremptória: se os diplomas forem aprovados, «a taxa de suicídio aumentará». Fabian Figueiredo, num artigo no Expresso dias antes e ecoado no debate, defendeu que «a intervenção médica para atrasar os efeitos da puberdade salva vidas», citando que cerca de 82% das pessoas trans reportam ideação suicida ao longo da vida e 42% tentam efectivamente o suicídio. A mensagem é clara: sem afirmação imediata, transição social e caminho para hormonas e bisturi, as crianças e jovens trans estariam condenados a um risco letal.

Esta narrativa — «afirma ou morre» — é uma das mais repetidas pelo activismo, mas foi desmentida pela ciência séria. O Relatório Cass (Reino Unido, 2024), o mais abrangente e independente sobre o tema, conclui que não há evidência credível de que as intervenções médicas (bloqueadores da puberdade ou hormonas cruzadas) reduzam as taxas de suicídio ou ideação suicida em jovens com disforia de género. Pelo contrário: as taxas de suicídio consumado são baixas na população trans jovem (semelhantes às de outros grupos com comorbilidades mentais referenciados a serviços de saúde infantil); a narrativa alarmista é considerada enganadora e potencialmente prejudicial, pois exagera riscos para justificar a medicalização precoce. Estudos finlandeses recentes e análises do National Child Mortality Database (UK) confirmam: o risco suicida não diminui com a transição médica, e a maioria das crianças com desconforto de género resolve-o naturalmente com tempo e apoio psicológico neutro.

A AMPLOS — apontada por Isabel Moreira como a entidade cuja opinião deve ser ouvida e acatada por todos — recebe subvenções da CIG, de protocolos com a Segurança Social e de fundos europeus. Carece de clientes para justificar verbas e relevância. E esses clientes são as crianças que, segundo a associação, «sabem» o seu género aos 2 ou 3 anos. Como explica, com fontes fidedignas, o blogue Politicamente Incorrecta, as referidas «equipas multidisciplinares independentes» não são neutras: são transactivistas que validam a autodeterminação de crianças com 10 anos em escassos 10 ou 15 minutos. Afirmam que «ser trans não é doença» e que «não é preciso diagnóstico»... para logo a seguir prescreverem bloqueadores (que causam infertilidade e perda de densidade óssea), hormonas cruzadas e, mais tarde, cirurgias mutiladoras — tudo pago pelo Serviço Nacional de Saúde ou, caso os pais tenham pressa e posses, realizado em clínicas privadas que vão respondendo à procura do mercado e lucrando com este «negócio».

Nem a Iniciativa Liberal escapou a este alinhamento. A deputada Mariana Leitão justificou o voto contra a revogação da Lei 38/2018 — alinhando-se com a esquerda — alegando que, em Portugal, já se exigia o mesmo que na Lei 7/2011: uma equipa multidisciplinar. Trata-se de uma afirmação que revela ou ignorância ou má-fé, pois a Lei 38/2018 eliminou precisamente essa exigência da legislação anterior, substituindo-a por uma mera manifestação subjectiva de vontade, sem qualquer avaliação clínica obrigatória. Assim, um partido que se apresenta como defensor da racionalidade e da liberdade individual acaba por sustentar um status quo ideológico que ignora a biologia e a prudência médica.

A contradição é evidente e grave. Como brilhantemente assinalou a jurista Teresa de Melo Ribeiro no Observador, o «pecado original» da Lei 38/2018 reside na pressuposição de que a identidade de género é uma realidade autónoma e independente do sexo biológico, fundada apenas na vontade subjectiva da pessoa. Basta dirigir-se a uma conservatória, manifestar essa vontade, indicar o novo nome e, em oito dias úteis, o registo é alterado — sem diagnóstico médico, sem relatório psicológico, sem prova de sofrimento. A anterior Lei 7/2011 exigia uma equipa multidisciplinar; a de 2018 eliminou tudo isso. Para menores entre os 16 e os 18 anos, basta o consentimento do representante legal e uma «audição» sobre a capacidade de decisão. O resultado? Segundo dados do IRN citados pela autora, entre 2018 e finais de 2025, 323 menores mudaram legalmente de sexo. São 323 vidas reais em curso — 323 experiências que, para alguns, se revelam como novos «clientes» de um sistema que dispensou as salvaguardas clínicas.

O psiquiatra Pedro Afonso, também no Observador, desmonta a falácia com clareza cirúrgica: «mudar de género na conservatória não é terapia». A disforia de género é uma condição psiquiátrica (DSM-5-TR) que exige avaliação clínica rigorosa, diagnóstico diferencial (autismo, trauma, depressão, perturbação dismórfica corporal) e acompanhamento psicológico e familiar. A mera mudança administrativa no registo civil não cura nada: as comorbilidades psiquiátricas persistem, o risco de suicídio permanece superior ao da população geral e as intervenções hormonais e cirúrgicas são irreversíveis (esterilidade, alterações metabólicas, sequelas ósseas). O NHS britânico suspendeu os bloqueadores da puberdade após revisões que concluíram haver uma falta total de evidência de segurança e eficácia — o mesmo que já fizeram a Suécia, a Finlândia e a Noruega.

A ciência não mente. O Relatório Cass classificou a evidência a favor de bloqueadores e hormonas em menores como «notavelmente fraca ou inexistente». Um estudo alemão de Junho de 2024 (abrangendo 14 milhões de jovens) revelou que 63,6% das pessoas com diagnóstico de disforia desistem em cinco anos — 72,7% no caso das raparigas entre os 15 e os 19 anos. Até 2010, 90% das crianças resolviam o desconforto naturalmente com tempo e terapia exploratória neutra. Hoje, com a Lei 38/2018 e o contágio social, os diagnósticos explodiram 780% e o SNS gasta mais de 100 mil euros por pessoa em tratamentos e complicações crónicas.

Mas a esquerda não quer ciência; quer dogma. Fabian Figueiredo exige «paz» para as pessoas trans, Isabel Moreira gesticula para pais activistas subsidiados e todos citam pareceres da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica — profissionais que ignoram o Relatório Cass, os WPATH Files e a evidência internacional para defender a «medicina de afirmação» ideológica. São os mesmos que beneficiam de bolsas europeias e projectos financiados pelo Estado para construir exactamente esta narrativa.

No mesmo dia do debate na Assembleia da República, estreou o primeiro documentário português sobre o tema: «Os Jovens que Ninguém Quer Ver». Este curto mas incisivo filme dá voz a uma realidade raramente exposta com clareza: a de crianças e jovens — frequentemente neurodivergentes, com quadros de autismo, défice de atenção e hiperactividade, discalculia, síndrome de Tourette, bipolaridade, esquizofrenia ou sobredotação — que iniciam processos de transição de género sem que as suas vulnerabilidades sejam devidamente compreendidas ou acompanhadas.

A Lei 38/2018 transformou o registo civil num instrumento de instabilidade social e as crianças em cobaias de uma indústria ideológica. Os projectos do Chega, PSD e CDS-PP querem pôr fim a esta loucura: exigir diagnóstico médico rigoroso, proibir medicalização irreversível antes da maioridade, proteger a infância da afirmação automática.

Como escreveu Teresa de Melo Ribeiro: “DEIXEM AS CRIANÇAS EM PAZ!”.

A revogação ou revisão profunda da Lei 38/2018 não é transfobia. É civilização. É colocar a biologia, a prudência científica e o superior interesse da criança acima do activismo, dos subsídios e da ideologia que precisa de clientes menores para sobreviver. Os pais portugueses — os verdadeiros — merecem isso. E merecem também ver documentários como este, que mostram o que a esquerda prefere esconder.

 

quinta-feira, 12 de março de 2026

Casas de Banho Mistas: O Fantasma que a Esquerda Jurava Não Existir



Mais um artigo de opinião encomendado, saído directamente das profundezas do progressismo esquerdista! Lá vem a autora — de esquerda, como não poderia deixar de ser — debitar as habituais banalidades sobre o "alarmismo reaccionário" dos conservadores, que alegadamente andam a inventar fantasmas sobre casas de banho mistas nas escolas portuguesas. Como se fôssemos nós, os "direitistas retrógrados", que passássemos os dias a sonhar com distopias, enquanto a esquerda flutua num éden de "inclusão" isento de consequências.

Pois bem, minha cara autora, permita-me que lhe esfregue na cara alguns factos inconvenientemente reais — daqueles que o seu activismo selectivo prefere ignorar. Vamos lá desmascarar essa narrativa cor-de-rosa com um banho de realidade conservadora, sem papas na língua.

Comecemos pelo Despacho n.º 7247/2019, assinado pelo seu herói, João Costa. Ah, sim, aquele que pretendia compelir as escolas a adoptar medidas "inclusivas" para que crianças e jovens utilizassem casas de banho e balneários de acordo com a sua "identidade de género" autodeclarada. Resultado? Apesar de ter sido chumbado pelo Tribunal Constitucional — graças a Deus e à sanidade remanescente —, o despacho já tinha parido inaugurações de casas de banho mistas em várias escolas. Não é ficção; é despacho oficial publicado no Diário da República. Até o Polígrafo, esse bastião da verdade "imparcial", confirmou que o Chega não exagerava ao acusar Costa de promover WCs mistos. Mas para si, isto é apenas "desinformação de direita", não é? Claro; reconhecer que a esquerda andou a experimentar com a privacidade das crianças seria admitir o óbvio: que as vossas ideologias são um risco para a inocência infantil.

Recorda-se da Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Benfica? O director de então — um iluminado progressista, sem dúvida — inaugurou uma casa de banho que não era "mista", oh não! Era apenas para "rapazes e raparigas em fase de transição". Palavras do próprio, confirmadas pelo Polígrafo, que, embora tenha tentado desmontar uma publicação viral (minha), acabou por validar o essencial: existia, de facto, um espaço onde miúdos em "transição" partilhavam o mesmo WC, independentemente do sexo biológico. Imagino a autora a torcer o nariz: "Mas isso é inclusão, não é misturada!". Pois, pois. Para nós, conservadores, é uma aberração que expõe crianças a confusões desnecessárias em nome da vossa agenda woke.

Não satisfeita com o fiasco de 2019, a esquerda insistiu com o Projecto de Lei 332/XV (2024), do PS, que visava institucionalizar o "respeito pela identidade de género", com as devidas adaptações em casas de banho. Mas o Presidente Marcelo — que, apesar de tudo, ainda retém um pingo de bom senso — vetou a iniciativa, citando a "quase total ausência dos pais" no processo. Veto presidencial, autora! Marcelo viu o que a senhora finge não ver: que estas leis entregam os filhos aos caprichos ideológicos do Estado. E, mesmo assim, a legislação subjacente continua a pressionar as escolas para "proteger" alunos trans, o que, na prática, abre as portas a mais experiências sociais. Quantos vetos serão necessários para travar esta loucura?

Para rematar, a "cereja no topo": aquela reportagem na escola de Vila do Conde, onde se orgulhavam de ter convertido a casa de banho dos deficientes numa casa de banho "inclusiva". Sim, uma escola pioneira que implementou WCs sem género, permitindo o acesso livre. Noticiado no CM Jornal e no Porto Canal. Inclusão? Para mim, é usurpar a privacidade dos deficientes e normalizar o absurdo para deleite da vossa bolha ideológica. E tudo isto em escolas públicas, financiadas pelos impostos dos conservadores que pagam para ver as suas filhas expostas a estas excentricidades.

Minha cara autora, pare de fingir que isto é inventona da direita. Os factos estão aí, chumbados por tribunais e vetados por Belém, mas com danos reais já causados. A vossa "inclusão" é a exclusão da realidade biológica e da família. Se quiser debater, traga factos, não narrativas. Caso contrário, continue no seu Facebook a pregar para convertidos.

Beijinhos cáusticos de uma militante do Chega que não engole mentiras.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Por que Francesca Albanese une a esquerda e divide o Ocidente?

 



Quando a extrema-esquerda se une para interceder por alguém, convém sabermos de quem se trata de facto.

Francesca Albanese é uma advogada italiana nomeada em 2022 como Relatora Especial da ONU para a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados desde 1967.

Contudo, ela não é meramente uma 'defensora dos direitos humanos', como a esquerda a costuma caracterizar, mas sim uma figura altamente controversa. Detém um historial de declarações que promovem mentiras antissemitas, minimizam o terrorismo e demonizam Israel de forma sistemática e enviesada. A sua nomeação pela ONU já foi alvo de críticas por ter sido influenciada por grupos de pressão (lobbies) pró-palestinianos, e o seu mandato foi renovado em 2025 (estendendo-se até 2028), apesar da forte oposição de países como os EUA, Israel, Argentina, Países Baixos e Hungria, que a acusam de parcialidade extrema

Governos ocidentais, incluindo os de França, Alemanha, Canadá e EUA, têm-na condenado reiteradamente por antissemitismo, acusando-a de distorcer o Holocausto e de apoiar indiretamente o terrorismo.

Relativamente aos factos — que a militância de esquerda frequentemente omite ou distorce para a retratar como vítima de uma 'campanha sionista' — Albanese apresenta um padrão de declarações inflamatórias que extravasam largamente a crítica legítima às políticas israelitas. Já em 2014, antes da sua nomeação para a ONU, escreveu que a América está 'subjugada pelo lobby judeu' e que a Europa age movida pela 'culpa do Holocausto', condenando os 'oprimidos – os palestinianos'.

Estas afirmações ecoam mentiras antissemitas clássicas sobre o controlo judaico dos governos e dos media; embora Albanese tenha mais tarde lamentado tais palavras, estas continuam a permear o seu discurso. Em 2022, pouco depois de assumir o cargo, justificou aviolência palestiniana como 'inevitável' devido à negação do 'direito de existência' do seu povo. Além disso, participou numa conferência organizada pelo Hamas, onde afirmou que os palestinianos 'têm o direito de resistir à ocupação'.

À direita, não vemos estas posições como uma defesa de direitos, mas sim como a legitimação de actos terroristas contra civis israelitas. Após o massacre de 7 de Outubro de 2023 perpetrado pelo Hamas — que vitimou mais de 1.200 pessoas, incluindo civis, e envolveu violações em massa e decapitações — Albanese minimizou as atrocidades. No próprio dia, afirmou que a violência 'deve ser contextualizada'.

Em Fevereiro de 2024, negou que este tivesse sido o 'maior massacre antissemita do século', afirmando que as vítimas 'não foram mortas pelo seu judaísmo, mas em resposta à opressão israelita' — uma declaração que os governos de França e da Alemanha condenaram prontamente como antissemita.

Albanese chegou a questionar as evidências de violações em massa, alegando que 'não há provas de violação', e equiparou os detidos palestinianos aos reféns israelitas, ignorando deliberadamente o contexto terrorista subjacente.

Em 2024 e 2025, comparou repetidamente Israel ao regime nazi: classificou Gaza como o 'maior campo de concentração do século XXI', equiparou o apoio alemão a Israel à cumplicidade civil no Holocausto e republicou uma imagem comparando Netanyahu a Hitler, comentando: 'era exactamente o que eu estava a pensar hoje'.

Ora, isto não é análise; é uma distorção do Holocausto para demonizar o único Estado judeu do mundo, algo que alimenta o antissemitismo global. A controvérsia mais recente, que motivou a carta aberta em Portugal, surgiu de um discurso num fórumda Al Jazeera em Doha, no Catar, em Fevereiro de 2026, onde participou ao lado de líderes do Hamas e do Irão.

Descreveu Israel como o 'inimigo comum da humanidade', ecoando mentiras antissemitas, e referiu um 'sistema global de dinheiro, algoritmos e armas' controlado por interesses que supostamente beneficiam Israel — o que foi interpretado por críticos como uma alusão a conspirações judaicas.

Albanese nega as acusações, alegando que um vídeo truncado deturpou as suas palavras e que se referia a um 'sistema' que apoia Israel durante o que ela classifica como 'genocídio' em Gaza .

No entanto, mesmo o contexto completo revela o seu enviesamento: acusa Israel de 'genocídio colonial' e 'apartheid', termos rejeitados por muitos como propaganda anti-Israel, ignorando o direito do país à autodefesa contra o Hamas, um grupo terrorista que usa civis como escudos humanos e visa a destruição de Israel.

Países como França, Alemanha, Itália, Áustria e República Checa pediram a sua demissão por estas 'declarações inaceitáveis', considerando-as incompatíveis com a imparcialidade exigida pela ONU.

A administração Trump, em 2025, impôs sanções a Albanese, congelando os seus bens e proibindo a sua entrada nos EUA, acusando-a de 'atividades tendenciosas e maliciosas' e de colaborar com o TPI para investigar israelitas e americanos. Isto ocorreu após relatórios da sua autoria que acusavam corporações de cumplicidade em 'genocídio económico', algo visto por conservadores como uma tentativa de boicotar Israel economicamente, à semelhança do movimento BDS, que muitos consideram antissemita.

A carta aberta em Portugal, assinada por 28 figuras da extrema-esquerda (incluindo políticos como Isabel Moreira e outros activistas), apela ao governo por uma 'defesa inequívoca' de Albanese e das instituições internacionais, condenando a 'campanha de pressão internacional' como um ataque à integridade da ONU. Esta carta ignora o seu historial e é mais um exemplo de como a esquerda prioriza narrativas anti-Israel, silenciando as críticas ao seu desfasamento. A militância de esquerda foca-se na 'defesa dos direitos palestinianos', mas omite como Albanese apoia indiretamente o Hamas, nega atrocidades contra judeus e usa a ONU para propagar o ódio — factos documentados pela Anti-Defamation League e por vários governos ocidentais.

Em suma, o que a esquerda não conta é que Albanese não é uma mártir; é uma activista que abusa do cargo para promover agendas radicais, contribuindo para o aumento global do antissemitismo enquanto ignora as violações cometidas pelo Hamas e outros grupos terroristas.

 

Maria Antónia Palla: Um Viés Ideológico Evidente

 



A notícia publicada no Observador, intitulada «Há 50 anos, foi a tribunal por causa de uma reportagem sobre o aborto. Hoje, Maria Antónia Palla alerta: “Não se conquista nada para sempre”», apresenta-se como uma peça jornalística retrospectiva, mas revela-se, na essência, um veículo de promoção do activismo feminista de esquerda. Com uma forte tónica pró-aborto, o texto retrata Maria Antónia Palla, de 93 anos, como uma figura icónica da luta pelas liberdades femininas, ignorando contradições flagrantes no seu legado familiar e político em prol de uma narrativa romantizada que serve mais a uma agenda ideológica do que ao jornalismo rigoroso.

O artigo mergulha na biografia de Palla, destacando a sua trajetória como jornalista pioneira antes e após o 25 de Abril, a sua influência feminista e a célebre reportagem de 1976 sobre o aborto clandestino, que resultou num processo judicial e no seu despedimento da RTP. O tom é de celebração: Palla é pintada como uma mártir da liberdade de expressão. Contudo, as estimativas alarmantes de 300 mil abortos anuais são apresentadas sem o devido contraditório. Esta abordagem reforça a visão de que o aborto é uma "escolha livre" fundamental, omitindo perspectivas éticas ou científicas que questionam o procedimento. Palla utiliza o mote "não se conquista nada para sempre" para alertar contra alegados retrocessos, visando especificamente propostas do partido Chega ou declarações de João Cotrim de Figueiredo. Esta selectividade ataca apenas as visões conservadoras, silenciando os potenciais impactos demográficos ou psicológicos da liberalização do aborto.

O viés ideológico é cristalino na repetição do número de 300 mil abortos clandestinos por ano. Esta estatística, usada para dramatizar uma suposta "epidemia" mortal, é um exemplo clássico de exagero militante sem base científica. Sendo o aborto clandestino uma prática ilegal e sem registos, seria impossível quantificá-lo com tal precisão. Fontes institucionais e históricas desmentem esta hiperbolização:

  • APF e Rede de Médicos Sentinela (anos 90): Estimavam cerca de 20 mil abortos ilegais anuais antes da despenalização de 2007.
  • Estudo Médico (Matias Dias, Marinho Falcão e Falcão, 1993-1997): Apontava para cerca de 40 mil casos anuais, com base em internamentos e diagnósticos hospitalares.
  • OMS e Relatórios Internacionais: Sugeriam valores entre 17 mil e 40 mil, baseando-se na proporção de nados-vivos e complicações hospitalares.
  • Contexto da década de 70: Embora houvesse quem apontasse para 100 a 200 mil, tratava-se de extrapolações grosseiras. O número de 300 mil surge quase exclusivamente em narrativas militantes (entrevistas de Palla e publicações feministas), sem qualquer metodologia declarada.

Conclusão: O número de 300 mil é insustentável e propagandístico — inflacionado para justificar a despenalização como uma "salvação de vidas". Contradiz os dados demográficos: Portugal registava entre 150 a 180 mil nados-vivos por ano; 300 mil abortos implicariam que mais de 60% das gestações seriam interrompidas, um cenário sem paralelo na Europa. A realidade pós-2007 confirmou a falácia: os abortos legais estabilizaram entre os 15 e os 18 mil anuais (Dados da PORDATA / DGS), provando que o número real era da ordem das dezenas de milhar, e não das centenas.

O activismo transparece ainda na separação conveniente entre a vida pessoal de Palla e a política. O texto insiste que a mãe de António Costa "não mistura" família e ideologia, ignorando hipocrisias gritantes. Sob a governação do seu filho, foi aprovada a Lei da Autodeterminação de Género (Lei n.º 38/2018), que permite a "mudança de sexo" sem requisitos médicos rigorosos. Isto resultou em situações distópicas: homens que se identificam como mulheres a entrar em espaços exclusivos, como os balneários ou a Prisão de Tires, onde reclusas são obrigadas a conviver com indivíduos do sexo masculino biológico. Haverá maior atentado aos direitos das mulheres do que esta erosão de categorias biológicas? O artigo, ao elevar Palla a guardiã do feminismo, silencia sobre como as políticas do seu filho contradizem o seu suposto legado de protecção feminina.

Em suma, esta peça do Observador falha ao não oferecer uma visão equilibrada, optando por uma hagiografia que serve o progressismo radical. Ao omitir contradições e amplificar números sem fundamento, o jornalismo abdica da sua missão de informar para passar a persuadir, alimentando uma polarização desnecessária em temas de extrema sensibilidade social.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Os Perigos Esquecidos na Narrativa Trans

 

https://www.noticiasaominuto.com/pais/2926704/hoje-e-noticia-mais-de-3-mil-
mudaram-genero-e-nome-lucram-com-vacinas

Num artigo recente publicado no Público (27 de janeiro de 2026), intitulado «“Eu odiava tudo em mim”: quase 3300 pessoas mudaram de género e de nome no Registo Civil desde 2018», somos confrontados com uma narrativa optimista sobre a “mudança de sexo” em Portugal. O texto sublinha que, desde a entrada em vigor da lei em 2018, quase 3300 indivíduos alteraram o seu sexo e nome no registo civil, incluindo 323 menores entre os 16 e os 17 anos. A história pessoal de Xavier — um jovem que aos 16 anos iniciou o processo legal e, posteriormente, tratamentos hormonais e uma mastectomia — é utilizada para ilustrar o alívio e a reconciliação com o corpo. O artigo menciona ainda um alerta de especialistas sobre o aumento do discurso de ódio, que poderia dissuadir mais pessoas de procurarem o reconhecimento legal da sua identidade de género.

No entanto, esta peça, como muitas outras na comunicação social mainstream, promove uma visão unilateral da mudança de sexo, ignorando deliberadamente os riscos graves associados, como as altas taxas de suicídio entre indivíduos trans, mesmo após a transição, e os casos de arrependimento e destransição. Esta omissão não é apenas jornalística; é irresponsável, especialmente quando se trata de menores vulneráveis.

De uma perspectiva crítica da ideologia de género — que questiona a ideologia trans como uma solução universal para o desconforto com o corpo e o sexo biológico —, é essencial equilibrar o debate com evidências científicas que revelam os perigos subestimados. Estudos internacionais mostram que indivíduos transgénero enfrentam riscos mentais significativos, independentemente da transição.

Por exemplo, um estudo dinamarquês de 2023, que acompanhou quase sete milhões de pessoas ao longo de quatro décadas, concluiu que “pessoas trans” têm 7,7 vezes mais tentativas de suicídio e 3,5 vezes mais mortes por suicídio em comparação com a população geral. Nos Estados Unidos, dados do Williams Institute da UCLA indicam que mais de 40% dos adultos trans já tentaram o suicídio ao longo da vida, uma taxa nove vezes superior à média populacional. Estes números não diminuem magicamente após a transição; pelo contrário, algumas pesquisas sugerem que os riscos podem persistir ou até aumentar.

Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association em 2023, baseado em dados dinamarqueses, reforça esta preocupação: mesmo em contextos com acesso amplo a intervenções de transição, as taxas de suicídio permanecem elevadas. Outro trabalho, de 2024, no Cureus Journal of Medical Science, analisou mais de 15 mil indivíduos e descobriu que aqueles que passaram por cirurgias de “afirmação de género” tinham um risco 12 vezes maior de tentativas de suicídio nos cinco anos seguintes, em comparação com quem não passou por esses procedimentos.

Estes dados contrastam com a narrativa optimista do artigo do Público, que se foca no «alívio» sem mencionar que, para muitos, a transição não resolve problemas subjacentes como depressão, ansiedade ou traumas não relacionados com o sexo do indivíduo. Em vez disso, pode exacerbar vulnerabilidades, especialmente em jovens cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento e que podem confundir disforia de género com outras questões, como autismo ou orientação sexual.

Além disso, o artigo ignora olimpicamente o fenómeno crescente da destransição — quando indivíduos revertem a transição após perceberem que esta não resolveu os seus problemas. Embora alguns estudos, como uma revisão sistemática de 2021 no Plastic and Reconstructive Surgery – Global Open, indiquem taxas de arrependimento baixas (cerca de 1% para cirurgias), as críticas metodológicas apontam falhas: muitos estudos sofrem de altas taxas de perda de seguimento (até 50% dos participantes desaparecem das amostras), o que pode subestimar o arrependimento real.

Relatos emergentes de destransicionadores, como os compilados pela Society for Evidence-Based Gender Medicine (SEGM), revelam motivos como complicações cirúrgicas, dor crónica, infertilidade irreversível e a percepção de que a transição foi influenciada por pressões sociais ou diagnósticos erróneos. No Reino Unido, o caso de Keira Bell que processou a clínica Tavistock por aprovar tratamentos hormonais aos 16 anos e depois se arrependeu, levou ao encerramento da instituição em 2022, destacando os riscos de decisões precipitadas em menores. Segundo a revista Sábado (20 de janeiro de 2024), a Clínica Tavistock é alvo de um processo movido por mil jovens adultos, a par do caso de Keira Bell (pág. 66).

Em Portugal, onde a lei permite mudanças de sexo a partir dos 16 anos com base na autodeclaração, sem requisitos rigorosos de avaliação psicológica profunda, esta abordagem «afirmativa» — que o artigo do Público implicitamente subscreve — pode estar a expor jovens a perigos desnecessários.

Estudos como o do Canadian Medical Association Journal (2022) mostram que adolescentes que se identificam como trans têm taxas de suicídio duas vezes superiores a outros grupos LGB, e que factores como a rejeição familiar ou o bullying contribuem mais do que a falta de transição. No entanto, promover a transição como panaceia sem discutir alternativas, como a terapia exploratória, é um desserviço. Especialistas como o psiquiatra Stephen Levine argumentam que muitos casos de disforia de género em jovens se resolvem naturalmente (até 80-90% segundo estudos longitudinais pré-2010), e que as intervenções médicas podem medicalizar problemas normais da adolescência.

O aumento do discurso de ódio mencionado no artigo é real e condenável, mas usá-lo para justificar uma narrativa acrítica ignora que o verdadeiro ódio pode vir de dentro: o ódio ao próprio corpo fomentado por uma sociedade que vende a mudança de sexo [transição] como uma solução rápida. Precisamos de um debate honesto que inclua vozes críticas, incluindo feministas de género crítico que argumentam que a transição reforça estereótipos sexistas em vez de os desconstruir. Mulheres biológicas, por exemplo, vêem os seus espaços (como prisões ou desportos) invadidos por indivíduos transmasculinos, o que levanta questões éticas ignoradas na peça.

Em suma, enquanto o artigo do Público celebra as 3300 transições como um triunfo da inclusão, falha ao não alertar para os custos humanos: suicídios elevados, arrependimentos silenciados e vidas alteradas irreversivelmente. Um jornalismo responsável exige equilíbrio, não propaganda. É tempo de priorizar as evidências em detrimento da ideologia, especialmente quando vidas — muitas delas de jovens — estão em jogo.