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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Desmascarando o Activismo Militante do DN e da CIG (Que bem se poderia chamar Comissão para a Ideologia de Género)

 



Maria Helena Costa
Palestrante e Formadora Certificada | Escritora com +10 Obras Publicadas | Especialista em Família, Infância e Combate ao Bullying | Ex-Gestora de Equipas

O artigo do Diário de Notícias (13 de Maio de 2026, de Fernanda Câncio) apresenta os três pareceres da CIG como uma revelação chocante que “chumba” os projectos de lei da direita (PSD, Chega e CDS-PP) para restringir a Lei n.º 38/2018. O jornal enquadra-os como prova de um suposto “esconderijo” por parte do Governo e como uma defesa científica da “autodeterminação de género” e dos “cuidados afirmativos” em menores. Trata-se dum enquadramento clássico de activismo: selecciona vozes alinhadas, ignora a profunda controvérsia internacional e finge que existe um consenso científico robusto onde ele, na verdade, não existe.

A CIG, entidade pública financiada por todos os contribuintes, não age como uma comissão técnica neutra. Comporta-se como um lobista ideológico que repete acriticamente as posições da WPATH, da Endocrine Society e de pareceres activistas nacionais (SPSC, OPP, grupo dos 216), ignorando as evidências de mais alta qualidade que estão a levar dezenas de países a recuar.

Ricardo Gusmão desmonta precisamente estes pareceres activistas no seu contributo rigoroso enviado ao Parlamento. Analisando os mesmos documentos que a CIG invoca, Gusmão conclui:

  • Nos três Pareceres, para 90 referências bibliográficas, 91% (73/80 avaliáveis) correspondem a evidências de qualidade Muito Baixa ou Baixa [...] Apenas sete evidências têm valor probatório relevante [...] Nenhuma mede directamente os outcomes das duas intervenções em debate.
  • Revisões sistemáticas independentes [...] classificam a evidência disponível como de certeza muito baixa para o benefício psicológico e alta para alguns danos físicos das intervenções hormonais em menores.
  • Os Pareceres não são cientificamente robustos nem metodologicamente imparciais. [...] O princípio de non-maleficence [não-maleficência] exige que erros sejam cometidos preferencialmente por defeito, e não por excesso.”

Gusmão destaca ainda o que falta crassamente nos pareceres citados pela CIG:

  • O crescimento exponencial de casos de disforia de género (sobretudo em adolescentes do sexo feminino);As elevadas comorbilidades psiquiátricas associadas;
  • A imaturidade neurocognitiva para a prestação de consentimento informado em menores;
  • O risco real de medicalização da homossexualidade ou de meros problemas de desenvolvimento;
  • As taxas de desistência e de destransição a longo prazo.

Tudo isto está perfeitamente alinhado com o Cass Review (Reino Unido), as revisões da York University (Taylor et al., 2024), da McMaster University (Miroshnychenko et al., 2025, com Gordon Guyatt, criador do método GRADE) e com as decisões soberanas da Suécia, Finlândia, Noruega, Dinamarca e de vários estados americanos. Todos estes países restringiram ou proibiram os bloqueadores da puberdade e as hormonas em menores, precisamente devido à falta de evidência robusta de benefício e aos riscos significativos detectados.

A CIG ignora deliberadamente toda esta realidade e afirma que proibir estas intervenções «não corresponde aos pressupostos científicos» das sociedades médicas internacionais. É falso. A comissão ignora as revisões independentes de maior qualidade e limita-se a repetir as guidelines da WPATH — uma entidade cada vez mais contestada a nível global por falta de rigor (vejam-se os relatórios Cass e as recentes fugas de informação internas).

Conclusão: Activismo Ideológico Disfarçado de Ciência

O DN e a CIG transformam uma entidade pública numa autêntica trincheira ideológica. Enquanto os países desenvolvidos e sérios adoptam o princípio da precaução (“primeiro, não causar dano”), Portugal é pressionado a manter um modelo experimental, herdado de 2018, que medicaliza menores com base numa evidência fraca e altamente selectiva.

A direita (PSD, Chega, CDS) não está a «atacar direitos». Está, sim, a proteger crianças e adolescentes de intervenções irreversíveis e desprovidas de base científica sólida — exactamente como recomendam as revisões sistemáticas mais rigorosas e como Ricardo Gusmão defende com total clareza: avaliação médica obrigatória e protecção integral dos menores.

Manter a Lei n.º 38/2018 sem cautelas não é “progresso”. É dogmatismo ideológico pago com o próprio corpo e com a saúde mental de jovens vulneráveis. A CIG e o DN revelam-se, mais uma vez, meros agentes activistas — e não guardiães da cidadania, da ciência ou da igualdade.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

A AMPLOS VAI OUTRA VEZ À ESCOLA ANTÓNIO ARROIO

 



Por, Marisa Antunes 


Há cerca de dois anos, pouco depois de ter publicado na revista Sábado a peça que a Visão não quis publicar porque o tema estava "colado à extrema-direita" (apesar de só incluir depoimentos de médicos, psicólogos, pais e miúdos em questionamento identitário..), fui contactada por um casal cuja filha andava na escola António Arroio.


https://lnkd.in/djvdjYQD


Desaustinados, agradeceram-me por finalmente verem plasmado num OCS um tema-tabu no qual a sua filha se tinha também enrolado - o fenómeno ROGD (Rapid Onset Gender Dysphoria), espécie de Disforia de Género em combustão espontânea. A miúda, que em toda a sua vida nunca teve questões com o seu corpo, tinha descoberto que afinal a sua "identidade de género" era masculina, portanto, só poderia ser trans e tinha de rapidamente entrar em hormonas e cortar as maminhas.
Os pais contaram-me como souberam da inesperada novidade - numa banal reunião de encarregados de educação, a diretora de turma olhava para eles sempre que pronunciava um determinado nome masculino. Afinal, a professora estava a referir-se à filha...
Ou seja, a miúda fez a transição social na escola, sem o consentimento dos pais, com a escola toda em peso a tratá-la como um rapaz, uma intervenção psicológica avassaladora - como bem disse Stella O'Malley, numa outra peça que fiz para a Sábado - , feita 'ad-hoc', sem rede, sem diagnóstico e com consequências potencialmente terríveis (que vieram a acontecer, infelizmente).


https://lnkd.in/dEUMWTGy


Após a conversa com o casal, tive oportunidade de falar com alguns professores da Escola que confirmaram que sim, que há uma desproporcional vaga de miúdos que julgam ser trans e vários em hormonas. Que o fenómeno causa desconforto entre os professores com cérebro, que receiam, contudo, comentar com o colega do lado porque pode revelar falta de empatia e insensibilidade para a inclusão, etc, etc. Todo o bê-a-bá do wokismo de que já todos ouvimos falar, pratica-se ali ao vivo e a cores.
Enfim...
Este ambiente não caiu do céu. Basta fazer scroll nas redes da Arroio.

A Amplos, com a sua Família Biscoito, é um 'case-study' de promoção de ideologia de género. Já toda a gente percebeu isso.


https://lnkd.in/erPgU4bg

Portanto, como se explica que esta associação de pais convide a Amplos para uma "sessão" na António Arroio, escola dirigida por Carla Monereo?

Os restantes pais acham normal? Acham-se muito progressistas? Ou ficam acanhados em refilar? Estão ok com a lição sobre os conceitos de 'identidade de género' a que a Amplos chama de 'diversidade' e "amor' e que vai semear na cabeça dos miúdos? Acham que o fenómeno dos trans por combustão espontânea só acontece aos filhos dos outros? O que lhes passará pela cabeça?

terça-feira, 28 de abril de 2026

A Cilada do 'Bora': Doutrinação nas Escolas

 

A Armadilha Perfeita: Como o “Bora Conversar” nas Escolas Serve para Enterrar o Debate Honesto sobre as “Terapias de Conversão”

Perfeito. O Movimento Bora, capitaneado pelo eurodeputado socialista Bruno Gonçalves e pelo influencer não-binário Kiko is Hot, entra nas escolas secundárias sob a bandeira inofensiva de “combater o ódio nas redes” e “debater política sem polarização”. Os jovens sentam-se no chão, ouvem falar de cancelamento digital, saúde mental e “vulnerabilidade online”. E é exactamente aqui que se ajusta, com precisão cirúrgica, o debate sobre aquilo que os transactivistas e a esquerda (PS incluído) designam, com a sua habitual inversão linguística, como o desígnio de “acabar com a proibição das terapias de conversão”.

Sejamos claros e causticamente honestos: a esquerda e os activistas trans não querem “acabar com a proibição”. Querem, sim, manter e endurecer a Lei n.º 15/2024 (criada e aprovada às pressas pela esquerda), que criminaliza qualquer prática que tente “alterar, limitar ou reprimir” a identidade de género ou a orientação sexual – com penas que atingem os cinco anos de prisão. O que denominam eufemisticamente como “proibir as terapias de conversão” é, na prática, proibir qualquer terapia que não seja a afirmação imediata e irrevogável da disforia de género.

Questionar se um adolescente de 14 anos, com autismo, trauma ou sob influência do TikTok, “nasceu” realmente no corpo errado? Conversão. Sugerir espera vigilante ou explorar causas subjacentes (como fazem os países nórdicos após a Cass Review)? Conversão. Terapia exploratória neutra, como recomendam as novas directrizes da Suécia, Finlândia e Reino Unido? Crime de ódio disfarçado de psicologia.

E é aqui que o “Bora” entra em cena como um cavalo de Tróia genial. Imaginem a cena: Kiko is Hot, com a sua estética hiper-feminina e o nome “is Hot” a vender a disforia como um empoderamento sexy, sentado ao lado de um eurodeputado do PS. Alguém levanta a mão e pergunta: “Mas e se um jovem se arrepender da transição?”. A resposta é pré-fabricada: “Isso é discurso de ódio que conduz a ‘terapias de conversão’, as quais já estão proibidas por serem tortura”. Debate encerrado.

A mensagem subliminar é brutal: duvidar da ideologia de género não é pensamento crítico – é um crime potencial, é “violência”, é o que justifica a lei que Bruno Gonçalves e a sua comitiva defendem.

O encaixe é cirúrgico porque o formato “debate aberto sem ódio” permite à esquerda validar a narrativa sem nunca admitir abertamente que defende a proibição total de cuidados de saúde mental baseados em evidência. Em vez de se debater ciência — as taxas de desistência de 60-90% em crianças pré-púberes antes da era da “afirmação exclusiva”; a esterilidade, a osteoporose e os problemas cognitivos causados pelos bloqueadores; o colapso das clínicas de género no Reino Unido após o relatório Cass —, transforma-se o assunto em “proteger a vulnerabilidade LGBT+ contra o ódio”.

Kiko não precisa de falar explicitamente de hormonas ou cirurgias – basta estar presente como modelo vivo de que “ser trans é hot e normal”. Bruno Gonçalves, com o seu ar de jovem progressista “bora conversar”, confere o selo institucional: isto é o que a esquerda “moderada” considera aceitável levar às escolas.

É genial. Enquanto fingem combater o “discurso de ódio”, estão a criminalizar o único discurso que ainda salva jovens de uma medicalização irreversível. A petição recente com 17 mil assinaturas que exige o fim desta criminalização (e a revogação da Lei 15/2024) é o que eles mais temem. Por isso o “Bora” chega às escolas agora, em 2026, precisamente quando o debate explode após a decisão do Supremo dos EUA a favor da liberdade de expressão contra as proibições cegas.

Querem que os adolescentes internalizem que qualquer terapeuta que não afirme o diagnóstico de imediato é um “conversor” perigoso. Resultado: pais silenciados, psicólogos amordaçados e clínicas de género a florescer, enquanto a Suécia e o Reino Unido lhes fecham as portas.

Introduzir este debate no “Bora” é simples: basta um aluno (ou um pai que consiga entrar) perguntar, ingenuamente: “Se um jovem com disforia tem 80% de probabilidades de desistir naturalmente, porque é que a lei impede o terapeuta de explorar essa hipótese em vez de a afirmar logo?”. A resposta revelará tudo. Porque o Movimento Bora não está nas escolas para debater – está para doutrinar. E chamar a isso “acabar com a proibição das terapias de conversão” é o golpe orwelliano perfeito: na boca deles, “proibição” significa protecção; na realidade, significa condenar uma geração inteira a uma experiência médica sem reversão possível.

Isto não é conversa. É captura ideológica. E as escolas portuguesas merecem melhor do que servir de palco para a esquerda enterrar, sob sorrisos e incentivos ao diálogo, o último bastião da medicina baseada em evidência.

domingo, 19 de abril de 2026

Género e Medicalização: A Crise da Evidência

 



A medicalização da disforia de género em menores: uma perspectiva crítica baseada na evidência

A abordagem afirmativa à disforia de género em crianças e adolescentes — que preconiza a afirmação social imediata, o uso de bloqueadores da puberdade e de hormonas cruzadas — tem sido promovida internacionalmente pela Associação Profissional Mundial para a Saúde Transgénero (WPATH) através das suas Standards of Care (SOC8). Todavia, revisões sistemáticas independentes, publicadas nos últimos anos, revelam que esta prática assenta em fundamentos científicos frágeis, acarretando riscos significativos e carecendo de prova robusta de benefícios a longo prazo.

1.       O Protocolo Holandês: de modelo de referência a abordagem desacreditada

O Protocolo Holandês, desenvolvido na clínica VUmc de Amesterdão entre as décadas de 1990 e 2000, serviu de base às actuais práticas afirmativas. Propunha uma avaliação multidisciplinar rigorosa e a administração de bloqueadores da puberdade a partir do estádio Tanner 2 (cerca dos 12 anos), seguidos de hormonas aos 16 anos; contudo, restringia-se a casos de disforia de início precoce e sem comorbilidades graves.

Os estudos iniciais (de Vries et al., 2011 e 2014), outrora citados como prova de eficácia, encontram-se hoje amplamente desacreditados. A Cass Review (Reino Unido, 2024) classifica tal evidência como sendo de qualidade "muito baixa", apontando a ausência de grupos de controlo, o curto período de acompanhamento (follow-up), as elevadas taxas de desistência e a sobrestimação das melhorias psicológicas. A revisão britânica conclui que os bloqueadores da puberdade não melhoram a disforia de género nem a satisfação corporal, comprometem a densidade óssea e falham o objectivo de "ganhar tempo para reflectir", dado que entre 98% a 100% dos jovens que os iniciam prosseguem para as hormonas cruzadas.

2.      Os WPATH Files: contradições internas da organização promotora

Em Março de 2024, a fuga de informação dos WPATH Files (publicada pelo Environmental Progress) revelou centenas de mensagens internas de membros da WPATH, incluindo autores das SOC8. Nestas comunicações, os profissionais admitem abertamente:

·        Que crianças e adolescentes não compreendem as consequências irreversíveis das intervenções, tais como a esterilidade, a perda de função sexual, e os riscos ósseos e cardiovasculares. Um endocrinologista chegou a comparar a discussão sobre preservação da fertilidade com um jovem de 14 anos a "falar com uma parede em branco".

·        Que a evidência científica dos benefícios é escassa, apesar de as intervenções continuarem a ser promovidas.

·        A existência de pacientes com comorbilidades graves (autismo severo, esquizofrenia, trauma) submetidos a tratamentos sem um consentimento informado claro.

 

O relatório The WPATH Files (2024) conclui que a organização prioriza uma agenda ideológica em detrimento da evidência robusta, violando princípios éticos fundamentais como o primum non nocere (não causar dano).

3.      Evidência das revisões independentes europeias

Cass Review (Relatório Final, 2024): Conclui que a evidência para o uso de bloqueadores e hormonas é insuficiente. Não existe prova clara de melhoria na saúde mental ou redução do risco de suicídio. Adverte que a transição social não é um acto neutro e pode condicionar o desfecho clínico. Recomenda o primado do apoio psicológico e o tratamento das comorbilidades.

Directrizes Finlandesas (COHERE/PALKO, 2020): Consideram a medicalização de menores um procedimento experimental. O tratamento de eleição deve ser a psicoterapia. Um estudo nacional finlandês recente indicou que, após as intervenções de afirmação, a necessidade de cuidados psiquiátricos aumentou, sem melhoria evidente na saúde mental.

Directrizes Alemãs (AWMF, 2025) e Persistência Diagnóstica: Um estudo abrangendo 14 milhões de jovens alemães revelou que apenas 36,4% mantêm o diagnóstico de disforia após cinco anos. A recomendação actual foca-se na avaliação diferencial exaustiva e na psicoterapia como primeira linha de acção.

4.       A situação em Portugal

Em Portugal, diversos centros de referência e documentos da Direcção-Geral da Saúde continuaram a seguir as normas da WPATH e o modelo afirmativo, ignorando a crescente cautela europeia.

Contudo, a 20 de Março de 2026, a Assembleia da República aprovou, na generalidade, projectos de lei (PSD, Chega e CDS-PP) que visam revogar a Lei n.º 38/2018. Estas propostas reintroduzem a obrigatoriedade de parecer médico/psicológico para a mudança de menção de sexo em menores e restringem severamente o recurso a bloqueadores e hormonas em menores de 18 anos. Esta mudança legislativa prioriza a protecção do menor e a avaliação clínica profunda, alinhando Portugal com as políticas de precaução do Reino Unido, Finlândia e Suécia.

Conclusão

A medicalização precoce da disforia de género carece de suporte científico sólido. O declínio do Protocolo Holandês e as revelações dos WPATH Files demonstram que as práticas afirmativas expõem menores a riscos irreversíveis sem benefícios comprovados. A recente inflexão legislativa em Portugal representa um retorno à prudência científica, colocando o superior interesse da criança e a evidência clínica acima de pressupostos ideológicos.


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Referências principais:

Cass Review Final Report (2024) – https://cass.independent-review.uk)

Finnish COHERE Guidelines (2020) e estudos de Kaltiala et al.

German AWMF Guidelines (2025) e estudo de persistência diagnóstica (Ärzteblatt, 2024)

The WPATH Files (Environmental Progress, Março 2024)