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quarta-feira, 13 de maio de 2026

A AMPLOS VAI OUTRA VEZ À ESCOLA ANTÓNIO ARROIO

 



Por, Marisa Antunes 


Há cerca de dois anos, pouco depois de ter publicado na revista Sábado a peça que a Visão não quis publicar porque o tema estava "colado à extrema-direita" (apesar de só incluir depoimentos de médicos, psicólogos, pais e miúdos em questionamento identitário..), fui contactada por um casal cuja filha andava na escola António Arroio.


https://lnkd.in/djvdjYQD


Desaustinados, agradeceram-me por finalmente verem plasmado num OCS um tema-tabu no qual a sua filha se tinha também enrolado - o fenómeno ROGD (Rapid Onset Gender Dysphoria), espécie de Disforia de Género em combustão espontânea. A miúda, que em toda a sua vida nunca teve questões com o seu corpo, tinha descoberto que afinal a sua "identidade de género" era masculina, portanto, só poderia ser trans e tinha de rapidamente entrar em hormonas e cortar as maminhas.
Os pais contaram-me como souberam da inesperada novidade - numa banal reunião de encarregados de educação, a diretora de turma olhava para eles sempre que pronunciava um determinado nome masculino. Afinal, a professora estava a referir-se à filha...
Ou seja, a miúda fez a transição social na escola, sem o consentimento dos pais, com a escola toda em peso a tratá-la como um rapaz, uma intervenção psicológica avassaladora - como bem disse Stella O'Malley, numa outra peça que fiz para a Sábado - , feita 'ad-hoc', sem rede, sem diagnóstico e com consequências potencialmente terríveis (que vieram a acontecer, infelizmente).


https://lnkd.in/dEUMWTGy


Após a conversa com o casal, tive oportunidade de falar com alguns professores da Escola que confirmaram que sim, que há uma desproporcional vaga de miúdos que julgam ser trans e vários em hormonas. Que o fenómeno causa desconforto entre os professores com cérebro, que receiam, contudo, comentar com o colega do lado porque pode revelar falta de empatia e insensibilidade para a inclusão, etc, etc. Todo o bê-a-bá do wokismo de que já todos ouvimos falar, pratica-se ali ao vivo e a cores.
Enfim...
Este ambiente não caiu do céu. Basta fazer scroll nas redes da Arroio.

A Amplos, com a sua Família Biscoito, é um 'case-study' de promoção de ideologia de género. Já toda a gente percebeu isso.


https://lnkd.in/erPgU4bg

Portanto, como se explica que esta associação de pais convide a Amplos para uma "sessão" na António Arroio, escola dirigida por Carla Monereo?

Os restantes pais acham normal? Acham-se muito progressistas? Ou ficam acanhados em refilar? Estão ok com a lição sobre os conceitos de 'identidade de género' a que a Amplos chama de 'diversidade' e "amor' e que vai semear na cabeça dos miúdos? Acham que o fenómeno dos trans por combustão espontânea só acontece aos filhos dos outros? O que lhes passará pela cabeça?

sábado, 11 de abril de 2026

Refutação às afirmações de Susana Peralta sobre a Lei 15/2024 e ao uso instrumental do caso Miguel Salazar

 



No debate em questão (excerto disponível no X a partir do tweet de @TTduty), Susana Peralta defende a Lei n.º 15/2024, que criminaliza as chamadas “práticas de conversão sexual” contra pessoas LGBT+, incluindo actos destinados a “alterar, limitar ou reprimir” a orientação sexual, identidade ou expressão de género. A lei prevê penas até 3 anos de prisão (ou 5 anos em casos de modificações irreversíveis).

Analiticamente, pretendo expôr as principais falácias presentes na intervenção de Peralta:

  • Confusão deliberada de conceitos

Peralta mistura propositadamente a orientação sexual com a identidade de género. No que toca à orientação sexual, a ciência reconhece que esta pode ser fluida, especialmente durante a adolescência e o início da idade adulta (young adulthood). Contudo, em adultos, os especialistas referem-se a uma atracção estável: embora não se afirme uma imutabilidade biológica de 100%, a orientação não é considerada uma "escolha" passível de ser alterada por terapias externas. Importa notar que, embora a maioria das associações internacionais classifique as “terapias de conversão” como ineficazes e prejudiciais, este entendimento não é unânime: existem vozes discordantes, tanto na comunidade médica como em sectores conservadores, que defendem a liberdade terapêutica e o direito à procura de aconselhamento que respeite a identidade moral ou religiosa do indivíduo. 

A Cass Review (2024) aponta para taxas de desistência entre 60% e 90% sem intervenção afirmativa, dados que são contestados por organizações como a WPATH, que defende a afirmação imediata como essencial. No entanto, a fidedignidade da WPATH foi recentemente posta em causa pelo vazamento de comunicações internas (WPATH Files), nas quais profissionais de saúde da própria organização admitem que as crianças e adolescentes não possuem maturidade cognitiva para compreender as implicações irreversíveis e os riscos de longo prazo dos tratamentos de "mudança de sexo".

 A lei amalgama ambas as realidades num mesmo pacote, como se fossem idênticas. Enquanto as “terapias de conversão” clássicas para a orientação sexual são ineficazes e prejudiciais (consenso APA/OMS), a disforia de género em menores apresenta taxas de desistência de 60-90% sem intervenção afirmativa (estudos pré-2010 e Cass Review, Reino Unido, 2024). Vários países europeus (Suécia, Finlândia, Noruega, Inglaterra) restringiram bloqueadores de puberdade e hormonas precisamente pela falta de evidência robusta e pelos riscos graves (osteoporose, infertilidade, impacto cognitivo).

  • Homem de palha

Peralta caricatura a posição contrária: sugere que pedir a um jovem que “reconsidere” equivaleria a levá-lo ao psicólogo para “curar” a orientação sexual. Ninguém sério defende electrochoques ou abusos dos anos 70. A crítica real à lei incide na vagueza das definições (“actos que visem a alteração ou repressão”), que pode criminalizar pais que questionem uma filha de 12 anos declarada trans após exposição a redes sociais, ou psicólogos que optem por uma terapia exploratória neutra (recomendada pela Cass Review) em vez da afirmação imediata. 

A Provedora de Justiça já questionou a constitucionalidade da lei, precisamente por violação do princípio da tipicidade penal: os termos são tão abrangentes que se torna impossível delimitar claramente o crime.

  • Petição de princípio e apelo à emoção

Afirmar que “são pessoas normais” e que a lei deve proteger o direito “a serem o que são”, mesmo que “subjectivo”, assume como premissa o que está em debate. A ciência não valida a ideia de que a afirmação médica imediata é sempre benéfica, especialmente em menores. Estudos mostram desistências, efeito de contágio social (rapid-onset gender dysphoria) e taxas crescentes de detransição, com pior saúde mental a longo prazo em alguns grupos europeus. Transformar o debate numa questão moral (“ou proteges ou odeias”) é retórica activista, não argumento racional.

  • Falso dilema
Sugere que ou se proíbe qualquer questionamento/psicoterapia, ou não existe protecção alguma. Antes da Lei 15/2024 já existiam normas contra a coacção, a violência e a discriminação. A nova lei cria um efeito inibidor (chilling effect) sobre famílias e profissionais de saúde, que evitam casos de género por receio de processos criminais.

  • Adição factual: o caso concreto de Miguel Salazar

Susana Peralta (e outros activistas) recorrem frequentemente a exemplos pessoais como o de Miguel Salazar para ilustrar a alegada necessidade da lei, apresentando-o como vítima de “terapias de conversão” e violência doméstica por parte da mãe.

Estas afirmações são falsas, conforme a negação categórica e pública no comunicado enviado aos meios de comunicação social e publicado no Sete Margens a 10 de Abril de 2026:

“Negamos categoricamente todas as alegações de violência física ou psicológica contra o nosso filho, que hoje é adulto. Jamais o agredimos ou maltratámos por qualquer motivo – nomeadamente pela sua orientação sexual – e nunca proferimos as afirmações que nos são atribuídas. Tais alegações são falsas, distorcidas e não correspondem à realidade. Lamento a instrumentalização político-ideológica deste meu desacordo familiar, usado como arma para silenciar vozes conservadoras e cristãs que, como a minha, se opõem à medicalização precipitada de crianças e adolescentes. Apelo a um jornalismo responsável e plural, que respeite a minha liberdade de consciência e de religião."

Como mãe e acusada direta, tenho direito ao contraditório. É obrigação ética e deontológica da TVI (ou CNN Portugal) publicar o meu comunicado na íntegra, garantindo o equilíbrio informativo. O facto de o meu filho, Miguel Salazar, como adulto, ter optado por expor publicamente o nosso conflito familiar não me obriga a retribuir na mesma medida, nem isenta os media de respeitarem o meu direito ao contraditório sem sensacionalismo. Tenho mantido a dignidade de não expor o meu filho em praça pública, mesmo discordando totalmente da narrativa que tem sido veiculada. 

Informo, por isso, que será enviada uma queixa à ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) no sentido de garantir que o meu comunicado seja exibido no mesmo programa e na presença da comentadora Susana Peralta, assegurando assim o devido equilíbrio e o meu direito de resposta perante as falsas acusações emitidas.


Conclusão

A intervenção de Susana Peralta baseia-se em equívocos conceptuais, caricaturas e apelos emocionais, ignorando a distinção científica entre orientação sexual e identidade de género, bem como a evidência internacional que leva vários países a recuar na “afirmação” imediata em menores. Quando recorre ao caso de Miguel Salazar, fá-lo com base numa narrativa unilateral já desmentida por mim, configurando um uso político de um conflito familiar privado.

A Lei 15/2024 não protege: cria um crime de intenção subjectiva que ameaça o papel parental e a liberdade terapêutica. A ciência (Cass Review e equivalentes europeus) está a corrigir o rumo. Portugal deveria seguir o exemplo da cautela europeia em vez de criminalizar o debate.


quinta-feira, 9 de abril de 2026

O Público e o Engodo da Contra-Petição do Arco-Íris

 


A petição nacional “Pelo Fim da Ideologia de Género nas Instituições e pela Revogação da Lei 15/2024”, NÃO é uma «defesa das terapias de conversão em crianças». É exactamente o contrário: trata-se de uma defesa da liberdade científica, da ética médica e do direito dos menores a um acompanhamento psicológico sério, exploratório e não ideológico.  

Os activistas do «arco-íris» e a comunicação social alinhada (nomeadamente o jornal Público) diabolizam deliberadamente esta petição — que reuniu mais de 16 800 assinaturas — para ocultar que a Lei 15/2024 é uma lei mal redigida, maniqueísta, inconstitucional e perigosa para as crianças. O jornal Público, em pleno activismo ideológico, promove activamente uma contrapetição que já ultrapassou as 50 mil assinaturas em apenas cinco dias, mentindo e desinformando ao afirmar que a petição original visa a “descriminalização das terapias de conversão sexual” — quando, na verdade, o que se pede é simplesmente a revogação de uma lei repressiva que transforma o bom senso clínico e parental em crime. Não proíbe a «tortura»; proíbe, sim, o exercício livre da medicina e da psicologia sempre que estas não se submetam ao modelo afirmativo de género. 

Pior ainda: a mesma lei criminaliza os próprios pais que não afirmem imediatamente a identidade de género dos seus filhos — tenham eles a idade que tiverem —, prevendo a inibição do exercício das responsabilidades parentais por 5 a 20 anos (art. 69.º-C, n.º 3 do Código Penal) quando o suposto “crime” for praticado contra um descendente.  Esta é a verdadeira face da lei: transforma o cuidado parental normal, a prudência clínica e a liberdade de pensamento em actos puníveis pelo Estado ideológico. 

A petição não defende “conversão”; defende que os pais e os médicos não sejam transformados em criminosos por recusarem a engenharia social sobre os corpos e as mentes das crianças. A campanha de desinformação do Público e da contra-petição que ele impulsiona não passa de mais uma tentativa de calar o debate com mentiras grosseiras — e prova, uma vez mais, que a ideologia de género precisa de censura e manipulação para sobreviver.

Esta é a verdadeira face da lei: transforma o cuidado parental normal, a prudência clínica e a liberdade de pensamento em actos puníveis pelo Estado ideológico. A petição não defende “conversão”; defende que os pais e os médicos não sejam transformados em criminosos por recusarem a engenharia social sobre os corpos e as mentes das crianças.

Como afirma à Sábado, com precisão cirúrgica, o Dr. Abel Matos Santos, profissional de saúde mental:

«Em primeiro lugar, não sei o que são terapias de conversão! Em psicologia, na psiquiatria, em saúde mental, não convertemos ninguém; não somos uma seita. O papel do profissional de saúde mental é o de ajudar o paciente a esclarecer-se, auxiliando-o na reflexão sobre a sua vida, os seus problemas e aquilo que o afecta. É claro e óbvio que a Lei 15/2024 interfere gravemente e limita o livre exercício da profissão, prejudicando seriamente os doentes e as pessoas que precisam de apoio, ajuda e tratamento.»

E continua, expondo a hipocrisia da lei:

«Primeiro, criou-se o chavão das "terapias de conversão" que, como já afirmei, desconheço o que sejam — talvez porque não existam. Depois, acusam todo e qualquer profissional de saúde que observe os mais básicos princípios deontológicos e éticos, no exercício da sua profissão, de fazer terapias de conversão, excepto se for no sentido afirmativo de identidade. Estas, sim, serão as verdadeiras terapias de conversão? Dado que não exploram nem ajudam o doente à reflexão e ao auto-conhecimento, mas orientam-no num sentido único.»

Exactamente isto. A lei criminaliza a cautela (a avaliação de comorbilidades como o autismo, trauma, depressão, influência social ou homofobia internalizada) e obriga à afirmação imediata, mesmo quando o menor apresenta um diagnóstico rápido e superficial de disforia de género. O Artigo 176.º-C do Código Penal utiliza conceitos indeterminados («práticas de conversão», «repressão», «actos dirigidos à alteração») que transformam qualquer psicoterapia exploratória num crime passível de 3 a 5 anos de prisão, acrescidos de uma interdição profissional de 5 a 20 anos de contacto com menores.

Isto não é protecção: é ideologia de Estado imposta por via penal. O modelo afirmativo — que a lei protege como única abordagem legítima — ignora o princípio bioético primum non nocere. Os bloqueadores de puberdade interferem na maturação cerebral; as hormonas cruzadas causam esterilidade irreversível; as cirurgias mutilam corpos saudáveis. Estudos de acompanhamento (follow-up) curtos escondem as taxas reais de arrependimento e desistência (detransition). Muitos menores com disforia são simplesmente homossexuais em desenvolvimento ou vítimas de trauma — e a «transição» funciona, nestes casos, como uma forma moderna de «conversão» para o sexo oposto.

A petição não pede «liberdade para converter crianças». Pede a revogação de uma lei que converte a medicina num instrumento de engenharia social. Como o profissional de saúde resume, com ironia devastadora:

«Uma sociedade e um Estado que legislam para criminalizar profissionais de saúde que não se conformam com a ideologia do legislador é um Estado falhado e em decadência. Por isso, claro que concordo com a petição para a revogação desta lei iníqua, injusta e desadequada da realidade. Não pode existir nenhuma lei que diga como um profissional de saúde se deve comportar num contexto clínico […]. O profissional tem de actuar de acordo com as boas práticas, a legis artis e o código deontológico. Não podem nem devem existir entraves jurídicos, políticos e ideológicos, como acontece com a lei 15/2024.»

A Provedoria de Justiça já solicitou ao Tribunal Constitucional a declaração de inconstitucionalidade de várias normas da lei «com força obrigatória geral». A petição de 17 mil cidadãos apenas antecipou o que o bom senso, a ciência e a ética médica já sabiam: proteger crianças não é proibir o debate, a reflexão e o cuidado clínico prudente. É exactamente o contrário do que os activistas pretendem fazer crer.

A narrativa de que «a petição quer terapias de conversão em crianças» é uma mentira pura. É a Lei 15/2024 que, ao criminalizar a prudência, abre caminho a uma experimentação médica irreversível sobre menores — financiada pelo Estado e protegida pela «polícia do pensamento» ideológica. A petição defende a liberdade dos médicos, dos pais e, acima de tudo, das crianças, para que não sejam sacrificadas no altar da ideologia de género.


terça-feira, 7 de abril de 2026

O Activismo Pago de Tânia Graça




No dia 29 de Março de 2026, o jornal Público publicou a crónica de Tânia Graça, “Quando a identidade exige prova”, onde, com a solenidade de quem descobriu a roda quadrada, a autora afirma que os projectos de lei do Chega, CDS-PP e PSD para alterar a lei da autodeterminação de género de 2018 são um escândalo porque… “propõe-se revogar uma lei sem demonstrar que ela esteja a causar danos ou que não proteja quem dela precisa”. E remata, segundo os excertos públicos, com a defesa da “autodeterminação e dos direitos sexuais”.

Direitos sexuais, claro. Porque, para a doutora Graça, psicóloga clínica e sexóloga de serviço público, o direito das mulheres a espaços seguros, a desportos justos, a prisões sem violadores autoidentificados, ou o direito das crianças a não serem medicalizadas com base num sentimento passageiro é, evidentemente, secundário. O que importa é a “identidade”. Essa coisa etérea, subjectiva e, pelos vistos, imune a qualquer prova empírica.

Ora bem. Sejamos assertivos e directos, pois a senhora não se coíbe de o ser quando defende a sua causa.

Primeiro: Tânia Graça é uma transactivista assumida. Não é segredo, nem uma 'interpretação maldosa'. Basta ler o seu historial no próprio Público: em Julho de 2024, escreveu 'Junho acabou, mas o orgulho não', onde sentencia que 'a orientação sexual e identidade de género de cada um/uma não se ensina nem se aprende'. (Ora bem: se a orientação sexual e a identidade de género 'não se ensinam nem se aprendem', como Tânia Graça escreveu, então por que razão as associações LGBTQIA+ têm tanta pressa em invadir as escolas para falar exactamente disso? E por que razão a Tânia não pára de 'normalizar' e promover tais orientações como se fossem a salvação da humanidade? Estranha contradição esta: algo que 'não se ensina', mas que exige tanto activismo pedagógico…) Em Outubro de 2023, no texto 'Miss Portugal e a perseguição às pessoas trans', apela a que 'nos eduquemos, procuremos ler e ouvir pessoas trans'. É o alinhamento total com a narrativa: a identidade de género é sagrada e qualquer questionamento é 'perseguição'. O clássico activismo travestido de crónica 'progressista'.

Segundo: o seu trabalho é, efectivamente, financiado por dinheiros públicos. Não é uma freelancer puramente privada. É cronista no Público (privado, conceda-se), mas tem um segmento fixo, “Voz de Cama”, na Antena 3 da RTP, participa em “Divagar é preciso” na RTP Notícias e aparece regularmente em emissões do serviço público de rádio e televisão. A RTP é financiada pelo Orçamento do Estado e pela taxa audiovisual que todos pagamos. Além disso, é convidada recorrente em eventos sobre “igualdade de género” em institutos politécnicos públicos (IPS, IPCA, etc.), onde é remunerada para falar de sexualidade, empoderamento feminino… e, claro, "identidade de género". O seu ganha-pão tem um selo oficial: o dinheiro dos contribuintes.

Terceiro: por isso mesmo, quando escreve contra qualquer alteração à lei da autodeterminação de género, não está a fazer jornalismo, nem ciência, nem psicologia séria. Está a defender o seu sustento. Se a lei cair, se for exigida prova médica ou psicológica para a mudança de sexo legal (como em países sérios que já recuaram), se o debate se centrar em evidências (como o Cass Review, a explosão de raparigas autistas em transição, desportistas masculinos a retirar medalhas a mulheres, prisões mistas ou o arrependimento de detransitioners), o seu nicho ideológico perde oxigénio. E, com ele, desaparecem os convites, os podcasts, as crónicas e os honorários pagos com o nosso dinheiro.

É o conflito de interesses mais descarado: uma sexóloga cujo currículo se constrói sobre a promoção da ideologia de género vem dizer-nos, com um ar de superioridade moral, que não há 'prova' de danos na lei de 2018. Danos? Basta abrir os olhos — ou, em Portugal, tentar aceder aos dados que teimam em não ser tornados públicos — e observar o que sucede em países onde a ideologia de género foi implementada há mais tempo. Mulheres agredidas em casas de banho, raparigas a perder bolsas de estudo para rapazes que se 'identificam' como raparigas, clínicas de género a prescrever bloqueadores a menores sem um diagnóstico rigoroso… e, claro, o caso de um homem que se identifica como mulher e que, após ser colocado numa prisão feminina - em Portugal -, cometeu agressões. Mas tudo isto, para a doutora Graça, é irrelevante. Porque a 'identidade exige prova'… desde que não seja a sua própria identidade como activista profissional.

Isto não é opinião neutra; é activismo pago com impostos. É a mesma pessoa que enche auditórios públicos a falar de “igualdade de género” e que, coincidentemente, nunca questiona a ideologia que lhe garante visibilidade e rendimento. É o axioma clássico: quem vive da narrativa não pode permitir que a narrativa morra.

Enquanto houver dinheiro público a financiar esta doutrinação disfarçada de “educação sexual” e “defesa de direitos”, continuaremos a ter cronistas como Tânia Graça a carpir que “a identidade exige prova”. Pois exige, doutora. Exige prova de que a lei não está a destruir direitos das mulheres e a sacrificar crianças. E essa prova existe em abundância — basta ter a coragem intelectual de a encarar.

O resto é apenas um caldo ideológico, servido à custa do contribuinte. E o contribuinte já está farto de pagar para que lhe digam que 2+2=5, desde que o 5 se identifique como 4.

Cúmplices do Irreversível: O Jornalismo da SIC e a Mutilação Ideológica de Menores

 


Ontem, na SIC, num segmento do "Raio-X", um comentador LGBTQIA+ abordou a petição entregue na Assembleia da República que solicita a descriminalização das chamadas “terapias de conversão sexual” e o fim da “ideologia de género”. Em vez de uma análise serena e factual, assistimos a uma operação clássica de confusão deliberada: misturar orientação sexual (homossexualidade) com identidade de género (transexualismo), como se fossem a mesma coisa. Como se opor-se à medicalização irreversível de menores fosse equivalente a perseguir homossexuais. Como se a evidência científica que se acumula contra o modelo de “afirmação de género” fosse mera “ignorância” ou “ódio”. Isto não é jornalismo. É militância ideológica com consequências letais. E a SIC, ao dar palco a esta narrativa sem um contraditório rigoroso, torna-se cúmplice.

Sejamos claros desde o início, como exige a honestidade intelectual: um adulto pode identificar-se como quiser. Pode viver a sua vida, mudar de nome, de pronome ou até submeter-se a cirurgias, se essa for a sua escolha informada e consciente. 

O sujeito é adulto e o corpo é seu. Mas as crianças não são adultas. As crianças não têm capacidade de consentimento para decisões irreversíveis que envolvem hormonas cruzadas, bloqueadores da puberdade e mutilação de órgãos saudáveis. Permitir que activistas e media coloquem a “afirmação incondicional” acima dos pais, da biologia e da evidência científica é, não só anticientífico, como eticamente indefensável. E é perigoso.

A Fraude da Conflação: Orientação Sexual ≠ Identidade de Género

Após anos de pressão do movimento LGBT, no dia 17 de Maio de 1990, a OMS retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID), deixando de a considerar uma patologia. Por conseguinte, a partir daí, a homossexualidade passou a ser considerada uma orientação sexual: atracção por pessoas do mesmo sexo. O transexualismo, ou disforia de género, é uma incongruência percebida entre o sexo biológico e a identidade subjectiva. São fenómenos distintos, com etiologias diferentes e respostas clínicas distintas. Historicamente, a despatologização da homossexualidade nunca implicou a medicalização de menores saudáveis. Hoje, porém, o activismo trans tenta esconder-se atrás da bandeira arco-íris para impor um modelo que nada tem a ver com os direitos dos homossexuais: o de que o “género é um espectro”, que a disforia se resolve com hormonas e bisturi, e que qualquer questionamento é rotulado como “transfobia” ou “terapia de conversão”.

O comentador da SIC fez exactamente isso: misturou os dois temas para deslegitimar a petição. Como se proteger crianças da experimentação médica fosse atacar os homossexuais. Esta táctica não é nova. É a mesma que ignora que a esmagadora maioria das crianças com disforia de género (80-90% em estudos clássicos) resolve naturalmente a disforia na puberdade se não for medicalizada — especialmente as raparigas com comorbilidades psiquiátricas ou autismo. Ignorar isto não é “inclusão”. É negligência.

A Evidência que o Activismo e a SIC Ignoram Propositadamente

Enquanto a SIC e o comentador repetem o mantra de que a “afirmação salva vidas”, a ciência europeia tem vindo a desmontar o "modelo holandês" que serviu de base a toda esta prática. O RelatórioCass (Reino Unido, 2024), uma revisão sistemática independente encomendada pelo NHS, concluiu que a evidência para o uso de bloqueadores da puberdade e hormonas cruzadas em menores é “notavelmente fraca”. Não há prova robusta de benefícios psicológicos a longo prazo. Há, sim, riscos claros: densidade óssea comprometida, infertilidade, disfunção sexual e impacto no desenvolvimento cerebral. Quase 100% dos jovens que iniciam bloqueadores prosseguem para as hormonas cruzadas — ou seja, o fármaco não “compra tempo para pensar”, mas acelera o caminho para a transição irreversível. O NHS britânico baniu os bloqueadores da puberdade para menores fora de ensaios clínicos rigorosos. A Suécia, a Finlândia, a Noruega e a Itália seguiram um caminho semelhante: psicoterapia exploratória primeiro, hormonas apenas em casos excepcionais e nunca por rotina.

E o mais recente estudo finlandês (Ruuska et al., Acta Paediatrica, 4 de Abril de 2026) é devastador: em mais de 2.000 jovens acompanhados, as intervenções médicas (hormonas e bloqueadores) aumentaram drasticamente a morbilidade psiquiátrica — de 9,8% para 60,7% nos casos feminizantes e de 21,6% para 54,5% nos masculinizantes. Os problemas mentais preexistentes (45-61%) não diminuem; agravam-se. A mortalidade por suicídio não cai quando controlada pela doença mental subjacente. O “contágio social” via redes sociais (TikTok, sobretudo após 2010) explica o aumento explosivo de raparigas adolescentes com disforia súbita. O blogue Politicamente Incorrecta resumiu-o bem: “A ‘afirmação’ não salva vidas: mascara o sofrimento real e multiplica-o.” 

Portugal, através da SIC e de parte da comunicação social, continua a ignorar estes dados. Prefere o activismo à ciência. Prefere repetir que o “género é um espectro” e que bloquear a puberdade constitui “cuidados de saúde”. Entretanto, países que lideraram a “afirmação” recuam dramaticamente. O silêncio sobre o estudo finlandês de 2026 não é omissão: é cumplicidade.

Deixem as Crianças em Paz

O cerne da questão é este: as crianças não são material de experimentação ideológica. Não têm maturidade neurológica para decidir sobre esterilidade, perda de capacidade orgásmica ou remoção de seios e pénis saudáveis. Os pais — e não activistas, jornalistas ou escolas — são os principais responsáveis pela protecção dos filhos. Qualquer modelo que permita a “autodeterminação de género” a partir dos 6 ou 8 anos, ou que pressione pais hesitantes com acusações de “transfobia”, é uma violação dos direitos da criança.

O activismo LGBTQIA+ tem todo o direito de defender adultos trans. Mas quando empurra a medicalização de menores, quando confunde orientação sexual com identidade de género para silenciar críticas, e quando os media, como a SIC, amplificam esta narrativa sem escrutínio, cruzam uma linha ética. Têm sangue nas mãos. Porque cada criança medicalizada precocemente que mais tarde desiste (e há cada vez mais a desistir) carrega cicatrizes irreversíveis. Porque a evidência é agora clara: o modelo afirmativo não cura; agrava.

A SIC tem o dever jornalístico de informar, não de doutrinar. Exigimos o contraditório. Exigimos que se cite o Relatório Cass, o estudo finlandês de 2026 e as reversões políticas europeias. Exigimos que se distinga claramente: direitos dos homossexuais, sim; experimentação química e cirúrgica em crianças, não.

Adultos que se identificam como transexuais merecem respeito e cuidados de saúde de qualidade baseados em evidência. As crianças merecem protecção. Ponto final. O resto é ideologia militante disfarçada de jornalismo — e a história não perdoará quem, conhecendo a evidência, escolheu calar ou distorcer. Deixem as crianças em paz.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

A Fraude da “Afirmação”: O Lóbi Trans e a Cumplicidade da Esquerda Institucional

 




Estudo Finlandês Expõe a Fraude da “Afirmação” e o Silêncio Cúmplice dos Media e das Instituições Portuguesas

 

No dia 4 de Abril de 2026, o estudo finlandês publicado na Acta Paediatrica chegou às mãos de médicos íntegros e pais e mães de raparigas cujas vidas foram destruídas. Hoje, deve chegar a todos nós — e, sobretudo, ao Presidente da República. Com uma amostra de mais de 2.000 jovens acompanhados entre 1996 e 2019, os investigadores da Universidade de Tampere (Ruuska et al.) fizeram o que a “medicina de afirmação de género” mais teme: analisar os dados reais, a longo prazo, sem filtros ideológicos. A conclusão é devastadora e inequívoca: entre os adolescentes submetidos a intervenções médicas de redesignação sexual (hormonas e bloqueadores), a morbilidade psiquiátrica não diminuiu — aumentou drasticamente.

Passou de 9,8% para 60,7% nos casos de redesignação feminizante e de 21,6% para 54,5% nos de redesignação masculinizante. Os jovens que contactaram os serviços de identidade de género já apresentavam taxas de problemas psiquiátricos muito superiores às do grupo de controlo da população geral (45,7% vs. 15,0% antes da referenciação; 61,7% vs. 14,6% após). As intervenções físicas não resolveram nada: agravaram o quadro clínico.

Isto não é “transfobia”. É ciência. É o que a Finlândia — um dos países pioneiros na “afirmação” — tem vindo a descobrir há anos, mercê de registos nacionais rigorosos e de investigadores como Riittakerttu Kaltiala, que não se curvam à pressão activista. Estudos anteriores do mesmo grupo já haviam demonstrado que a comorbilidade psiquiátrica precede a disforia na maioria dos casos, que o fenómeno explodiu entre raparigas adolescentes após 2010 (o conhecido “efeito de contágio social”) e que nem a mortalidade por suicídio diminui quando se controla a doença mental preexistente. A “afirmação” não salva vidas: mascara o sofrimento real e multiplica-o.

E o que fazem a Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica (SPSC) e a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP)? Exactamente o oposto do que a evidência exige. Os pareceres da SPSC defendem a “autodeterminação de género” como um direito inquestionável, classificam a disforia como mera “variante humana” e atacam qualquer restrição a bloqueadores ou hormonas como um “retrocesso”. A OPP fala em “retrocesso científico e ético” quando se propõe exigir uma avaliação clínica para menores ou proibir intervenções irreversíveis antes dos 18 anos. Entretanto, a RTP e a generalidade dos media repetem, como um mantra, que a “medicina de afirmação” é “salvadora de vidas”. É mentira. Uma mentira hedionda, paga com o dinheiro dos contribuintes e com o corpo de jovens vulneráveis.

  • Porquê esta campanha concertada de ocultação? 
  • Porquê o silêncio absoluto sobre o estudo finlandês ou sobre as revisões sistemáticas suecas e inglesas (Cass Review) que levaram esses países a recuar drasticamente na “afirmação” de menores? 
  • Porquê continuar a vender hormonas cruzadas e mastectomias a raparigas de 14 anos como se fossem “cuidados de saúde”, quando os próprios dados mostram que a saúde mental colapsa a seguir?

A resposta não reside na ciência, mas na ideologia. Na captura institucional por uma agenda que transformou a disforia de género — uma condição rara, historicamente mais comum em rapazes pré-púberes — numa “identidade” fluida que se autodiagnostica aos 12 anos nas redes sociais. Reside no lucro da indústria farmacêutica, que fornece bloqueadores e hormonas para toda a vida. Reside no medo de ser acusado de “transfobia” por questionar o dogma de que o “sexo é um espectro” e de que o corpo é um acessório descartável. Reside, enfim, na cobardia de jornalistas, psicólogos e políticos que preferem alinhar com a moda do momento do que defender a integridade corporal e a maturidade cerebral de adolescentes em crise.

Este não é um debate abstracto sobre “direitos”. É sobre raparigas autistas, depressivas ou traumatizadas que são empurradas para uma ilusão química e cirúrgica que lhes destrói a fertilidade, a densidade óssea, a capacidade de orgasmo e, como agora se prova, a saúde mental. É sobre rapazes confusos que recebem testosterona em vez de terapia para a sua disforia real. É sobre uma geração sacrificada no altar da “autodeterminação ad hoc” — o suposto direito de uma criança decidir mutilar-se porque o TikTok lhe disse que nasceu no corpo errado. É sobre associações como a AMPLOS e outras organizações LGBTQIA+ que têm entrada livre nas escolas portuguesas, confundindo crianças a partir dos 6 anos com filmes como a “Família Biscoito”, onde não existe um único biscoito heterossexual, plantando desde a infância mais precoce a semente da confusão identitária e da rejeição do corpo biológico.

A sociedade portuguesa tem o dever moral de acordar. É preciso exigir que a SPSC e a OPP expliquem, com dados, por que motivo ignoram a Finlândia. Exigir que a RTP e os jornais publiquem o estudo em vez de o silenciarem. Exigir que o Presidente da República, guardião da Constituição, proteja as crianças e os jovens de experimentações irreversíveis baseadas numa ideologia falida. A evidência é clara: a “afirmação” não cura — agrava. Quem continua a promovê-la, apesar dos factos, não defende direitos: comete um crime contra a integridade física e psíquica de uma geração.

O estudo finlandês não é apenas “mais um”. É a gota de água que faz transbordar o copo da desonestidade intelectual. Basta de esconder a ciência. Basta de sacrificar crianças em nome de uma utopia. A verdade, por mais incómoda que seja, tem de prevalecer. Antes que mais vidas sejam irremediavelmente destruídas.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

A desonestidade militante do Público: as falsas terapias de conversão

 

https://imagens.publico.pt/imagens.aspx/2078580?tp=UH&db=IMAGENS&type=JPG


O artigo do Público de 2 de Abril de 2026, intitulado “Descriminalização das ‘terapias de conversão sexual’ pode chegar ao Parlamento”, é um exemplo clássico de jornalismo activista disfarçado de reportagem. Não se trata de informar: trata-se de enquadrar uma petição de 17 mil cidadãos — que pede o fim da ideologia de género nas instituições e a revogação da Lei n.º 15/2024 — como um retrocesso bárbaro que abriria as portas a choques eléctricos em homossexuais. 

O texto, com o seu tom alarmista e as suas aspas selectivas, omite deliberadamente o cerne do debate actual: a criminalização, por via dessa mesma lei, da prática clínica responsável em matéria de disforia de género em menores. É propaganda transactivista pura, não jornalismo.

Comecemos pelos factos que o Público prefere não mencionar. As “terapias de conversão sexual” evocadas no título são um fantasma histórico. Ninguém, em Portugal ou na Europa ocidental de 2026, defende ou pratica choques eléctricos, vómitos induzidos ou qualquer outra barbaridade dos anos 50-70 para “curar” a homossexualidade. Essas práticas foram abandonadas há décadas, condenadas pela ciência e pela ética, e não são o objecto da petição. O que está em causa é algo muito diferente: a Lei n.º 15/2024, de 29 de Janeiro, que alterou o Código Penal (artigo 176.º-C) e criminalizou não só actos coercivos, mas qualquer “prática” destinada à “alteração ou repressão da orientação sexual, identidade ou expressão de género”. Inclui explicitamente “procedimentos médico-cirúrgicos, práticas com recursos farmacológicos, psicoterapêuticos ou outros de carácter psicológico ou comportamental”.

Traduzindo: um psicólogo ou psiquiatra que, perante uma criança ou adolescente com disforia de género diagnosticada em 15 minutos (como acontece em muitas clínicas de género), se atreva a fazer o que a boa medicina sempre fez — explorar com cautela as comorbilidades (autismo, trauma, depressão, influência social via redes), propor psicoterapia exploratória em vez de afirmação imediata, ou simplesmente dizer “vamos esperar para ver se isto persiste” — arrisca pena de prisão até 3 anos (ou 5 se envolver qualquer intervenção farmacológica). E mais: proibição de exercer profissão com contacto regular com menores durante 5 a 20 anos. Para os pais que se oponham à medicalização, a lei prevê igualmente a perda temporária de responsabilidades parentais.

Esta é a verdadeira “conversão” que a lei protege: a conversão de crianças confusas — muitas das quais seriam simplesmente homossexuais ou lésbicas no passado — em pacientes médicos para a vida. O modelo afirmativo, imposto por activistas e adoptado acriticamente por parte da classe médica sob pressão ideológica, não cura a disforia; agrava-a. Bloqueadores da puberdade, hormonas cruzadas e cirurgias mutiladoras (mastectomias, faloplastias, vaginoplastias) são irreversíveis na prática: esterilidade, perda de densidade óssea, disfunção sexual, risco cardiovascular acrescido e um arrependimento que explode nos estudos de follow-up. O Público omite tudo isto. Não cita a Cass Review britânica, nem as restrições adoptadas na Suécia, Finlândia, Noruega, Dinamarca ou no Reino Unido. Não menciona que a maioria dos casos de disforia de género de início rápido (especialmente em adolescentes do sexo feminino) se resolve com tempo e terapia não afirmativa. Não diz que a Lei 15/2024 transforma médicos cautelosos em criminosos e protege quem injecta lupron ou testosterona em corpos de 13 anos.

É precisamente este enquadramento falso que denuncia o activismo do Público. Ao usar o termo “terapias de conversão sexual” — carregado de conotações de tortura dos anos 70 — o jornal tenta levar o leitor incauto a imaginar que a petição quer ressuscitar clínicas de “cura gay” com electrochoques. Não quer. Quer revogar uma lei que, sob pretexto de proteger pessoas LGBT+, impede os profissionais de saúde de exercerem medicina baseada em evidência quando o paciente é uma criança que declara “sou do sexo oposto”. A identidade de género é, por definição, subjectiva e mutável; o sexo biológico não. Confundir os dois e criminalizar quem não confunde é totalitarismo ideológico, não progresso.

O contexto político é claro. Em Março de 2026 o Parlamento já reverteu partes da lei de autodeterminação de género de 2018, limitando a mudança de sexo legal em menores. A petição surge nesse movimento de correcção de rota: devolve a neutralidade ao Estado, a prudência à clínica e a protecção real às crianças. O Público, fiel à sua linha editorial transactivista, transforma isso numa ameaça existencial aos direitos LGBT. É o mesmo jornal que, há anos, ignora os dados de desistência e detransição, silencia as vozes de jovens arrependidos e trata qualquer crítica ao modelo afirmativo como “ódio”. Activismo puro.

Desmontar esta notícia não é defender os choques eléctricos do passado — que já ninguém sério defende. É exigir honestidade intelectual: se o objectivo é proteger menores vulneráveis, proíba-se a coerção e a medicalização experimental sem diagnóstico rigoroso e sem acompanhamento psicológico sério. Não se criminalize a prudência. A Lei 15/2024 faz exactamente o contrário: protege a agenda transactivista e amordaça a ciência. O Público sabe disso. Prefere fingir que o debate ainda é sobre choques eléctricos em homossexuais. É mais cómodo. E mais desonesto.