Por, Marisa Antunes
Há cerca de dois anos, pouco depois de ter publicado na revista Sábado a peça que a Visão não quis publicar porque o tema estava "colado à extrema-direita" (apesar de só incluir depoimentos de médicos, psicólogos, pais e miúdos em questionamento identitário..), fui contactada por um casal cuja filha andava na escola António Arroio.
Desaustinados, agradeceram-me por finalmente verem plasmado num OCS um tema-tabu no qual a sua filha se tinha também enrolado - o fenómeno ROGD (Rapid Onset Gender Dysphoria), espécie de Disforia de Género em combustão espontânea. A miúda, que em toda a sua vida nunca teve questões com o seu corpo, tinha descoberto que afinal a sua "identidade de género" era masculina, portanto, só poderia ser trans e tinha de rapidamente entrar em hormonas e cortar as maminhas.
Os pais contaram-me como souberam da inesperada novidade - numa banal reunião de encarregados de educação, a diretora de turma olhava para eles sempre que pronunciava um determinado nome masculino. Afinal, a professora estava a referir-se à filha...
Ou seja, a miúda fez a transição social na escola, sem o consentimento dos pais, com a escola toda em peso a tratá-la como um rapaz, uma intervenção psicológica avassaladora - como bem disse Stella O'Malley, numa outra peça que fiz para a Sábado - , feita 'ad-hoc', sem rede, sem diagnóstico e com consequências potencialmente terríveis (que vieram a acontecer, infelizmente).
Após a conversa com o casal, tive oportunidade de falar com alguns professores da Escola que confirmaram que sim, que há uma desproporcional vaga de miúdos que julgam ser trans e vários em hormonas. Que o fenómeno causa desconforto entre os professores com cérebro, que receiam, contudo, comentar com o colega do lado porque pode revelar falta de empatia e insensibilidade para a inclusão, etc, etc. Todo o bê-a-bá do wokismo de que já todos ouvimos falar, pratica-se ali ao vivo e a cores.
Enfim...
Este ambiente não caiu do céu. Basta fazer scroll nas redes da Arroio.
A Amplos, com a sua Família Biscoito, é um 'case-study' de promoção de ideologia de género. Já toda a gente percebeu isso.
https://lnkd.in/erPgU4bg
Portanto, como se explica que esta associação de pais convide a Amplos para uma "sessão" na António Arroio, escola dirigida por Carla Monereo?
Os restantes pais acham normal? Acham-se muito progressistas? Ou ficam acanhados em refilar? Estão ok com a lição sobre os conceitos de 'identidade de género' a que a Amplos chama de 'diversidade' e "amor' e que vai semear na cabeça dos miúdos? Acham que o fenómeno dos trans por combustão espontânea só acontece aos filhos dos outros? O que lhes passará pela cabeça?
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