terça-feira, 7 de abril de 2026

O Activismo Pago de Tânia Graça




No dia 29 de Março de 2026, o jornal Público publicou a crónica de Tânia Graça, “Quando a identidade exige prova”, onde, com a solenidade de quem descobriu a roda quadrada, a autora afirma que os projectos de lei do Chega, CDS-PP e PSD para alterar a lei da autodeterminação de género de 2018 são um escândalo porque… “propõe-se revogar uma lei sem demonstrar que ela esteja a causar danos ou que não proteja quem dela precisa”. E remata, segundo os excertos públicos, com a defesa da “autodeterminação e dos direitos sexuais”.

Direitos sexuais, claro. Porque, para a doutora Graça, psicóloga clínica e sexóloga de serviço público, o direito das mulheres a espaços seguros, a desportos justos, a prisões sem violadores autoidentificados, ou o direito das crianças a não serem medicalizadas com base num sentimento passageiro é, evidentemente, secundário. O que importa é a “identidade”. Essa coisa etérea, subjectiva e, pelos vistos, imune a qualquer prova empírica.

Ora bem. Sejamos assertivos e directos, pois a senhora não se coíbe de o ser quando defende a sua causa.

Primeiro: Tânia Graça é uma transactivista assumida. Não é segredo, nem uma 'interpretação maldosa'. Basta ler o seu historial no próprio Público: em Julho de 2024, escreveu 'Junho acabou, mas o orgulho não', onde sentencia que 'a orientação sexual e identidade de género de cada um/uma não se ensina nem se aprende'. (Ora bem: se a orientação sexual e a identidade de género 'não se ensinam nem se aprendem', como Tânia Graça escreveu, então por que razão as associações LGBTQIA+ têm tanta pressa em invadir as escolas para falar exactamente disso? E por que razão a Tânia não pára de 'normalizar' e promover tais orientações como se fossem a salvação da humanidade? Estranha contradição esta: algo que 'não se ensina', mas que exige tanto activismo pedagógico…) Em Outubro de 2023, no texto 'Miss Portugal e a perseguição às pessoas trans', apela a que 'nos eduquemos, procuremos ler e ouvir pessoas trans'. É o alinhamento total com a narrativa: a identidade de género é sagrada e qualquer questionamento é 'perseguição'. O clássico activismo travestido de crónica 'progressista'.

Segundo: o seu trabalho é, efectivamente, financiado por dinheiros públicos. Não é uma freelancer puramente privada. É cronista no Público (privado, conceda-se), mas tem um segmento fixo, “Voz de Cama”, na Antena 3 da RTP, participa em “Divagar é preciso” na RTP Notícias e aparece regularmente em emissões do serviço público de rádio e televisão. A RTP é financiada pelo Orçamento do Estado e pela taxa audiovisual que todos pagamos. Além disso, é convidada recorrente em eventos sobre “igualdade de género” em institutos politécnicos públicos (IPS, IPCA, etc.), onde é remunerada para falar de sexualidade, empoderamento feminino… e, claro, "identidade de género". O seu ganha-pão tem um selo oficial: o dinheiro dos contribuintes.

Terceiro: por isso mesmo, quando escreve contra qualquer alteração à lei da autodeterminação de género, não está a fazer jornalismo, nem ciência, nem psicologia séria. Está a defender o seu sustento. Se a lei cair, se for exigida prova médica ou psicológica para a mudança de sexo legal (como em países sérios que já recuaram), se o debate se centrar em evidências (como o Cass Review, a explosão de raparigas autistas em transição, desportistas masculinos a retirar medalhas a mulheres, prisões mistas ou o arrependimento de detransitioners), o seu nicho ideológico perde oxigénio. E, com ele, desaparecem os convites, os podcasts, as crónicas e os honorários pagos com o nosso dinheiro.

É o conflito de interesses mais descarado: uma sexóloga cujo currículo se constrói sobre a promoção da ideologia de género vem dizer-nos, com um ar de superioridade moral, que não há 'prova' de danos na lei de 2018. Danos? Basta abrir os olhos — ou, em Portugal, tentar aceder aos dados que teimam em não ser tornados públicos — e observar o que sucede em países onde a ideologia de género foi implementada há mais tempo. Mulheres agredidas em casas de banho, raparigas a perder bolsas de estudo para rapazes que se 'identificam' como raparigas, clínicas de género a prescrever bloqueadores a menores sem um diagnóstico rigoroso… e, claro, o caso de um homem que se identifica como mulher e que, após ser colocado numa prisão feminina - em Portugal -, cometeu agressões. Mas tudo isto, para a doutora Graça, é irrelevante. Porque a 'identidade exige prova'… desde que não seja a sua própria identidade como activista profissional.

Isto não é opinião neutra; é activismo pago com impostos. É a mesma pessoa que enche auditórios públicos a falar de “igualdade de género” e que, coincidentemente, nunca questiona a ideologia que lhe garante visibilidade e rendimento. É o axioma clássico: quem vive da narrativa não pode permitir que a narrativa morra.

Enquanto houver dinheiro público a financiar esta doutrinação disfarçada de “educação sexual” e “defesa de direitos”, continuaremos a ter cronistas como Tânia Graça a carpir que “a identidade exige prova”. Pois exige, doutora. Exige prova de que a lei não está a destruir direitos das mulheres e a sacrificar crianças. E essa prova existe em abundância — basta ter a coragem intelectual de a encarar.

O resto é apenas um caldo ideológico, servido à custa do contribuinte. E o contribuinte já está farto de pagar para que lhe digam que 2+2=5, desde que o 5 se identifique como 4.

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