«Imagine», de John Lennon, é uma
canção que se infiltra na mente e, quase sem darmos por isso, torna-nos mais
receptivos a uma visão socialista do mundo. Lennon canta um ideal onde não
existem países nem fronteiras, nem religiões (um mundo, portanto, ateu); onde
não há paraíso nem inferno, nem propriedade privada — ecoando o lema associado
à Agenda 2030: «Não terás nada e serás feliz». Restariam apenas o céu, a paz e
uma suposta irmandade universal.
Esta é a utopia
socialista/comunista: o paraíso na terra, com o Partido no lugar de Deus. Uma
promessa que, onde quer que tenha sido testada, colheu apenas miséria, fome e
milhões de mortos. Sem Deus e sem a consciência de que o pecado é a raiz dos
males humanos, os marxistas tratam a ferida do povo de forma superficial,
proclamando «Paz, paz», quando não há paz alguma (Jeremias 8:11). Apresentam o
homem como intrinsecamente bom, capaz de viver em harmonia perfeita sem nunca
prejudicar o próximo. Basta, porém, ler O Arquipélago Gulag, Fome Vermelha ou
Cisnes Selvagens para compreender a «bondade» com que os grandes líderes
comunistas trataram os seus próprios povos.
Deixemos o «Imagine» de Lennon.
Hoje, lembrando que os cristãos reconhecem o pecado como o maior problema da
humanidade — o abismo que nos afasta de Deus e nos deixa vulneráveis a falsos
ídolos —, partilho convosco uma outra visão, baseada na prosa poderosa de Paul
Tripp:
O pecado está em toda a parte,
deturpando e corrompendo a bondade da criação divina. Não é necessária uma
análise profunda para ver os problemas que nos habitam e nos cercam. Tendemos a
minimizar as nossas falhas, mas as dos outros perturbam-nos profundamente. O
pecado gera em nós uma raiva egoísta e latente; a sua presença mantém-nos sob
pressão e susceptíveis à tentação. É por isso que os jovens exigem trilhar os
seus próprios caminhos, acabando por se perder neles.
O pecado corrompe instituições,
inflama a agitação social, arrasta nações para a guerra e fractura famílias e
igrejas. Dá palco à falsidade e seduz através da insensatez. Acompanhar-nos-á
até que a trombeta final anuncie a libertação. Chegaremos ao fim com
cicatrizes, exaustos da luta, mas irrompendo numa alegria nunca antes
experimentada. Sim, o pecado é a doença suprema da humanidade, o seu dilema
mais sombrio, a sua maldição mais dolorosa.
Imagine agora como o casamento
seria sem o pecado.
Imagine a alegria de uma união
sem mácula, plena de compreensão e amor genuíno.
Imagine uma vida sexual sempre
pura e generosa.
Imagine o dinheiro nunca ser foco
de discórdia.
Imagine um matrimónio que jamais
conhecesse a sombra ou a violência.
Imagine uma família alargada sem
disputas de heranças ou conflitos de lealdade.
Imagine décadas de amor não
corrompido pelo egoísmo.
Imagine educar filhos sem a
interferência do pecado.
Imagine um mundo onde nenhuma
criança fosse abusada.
Imagine ser sempre paciente e
gentil com os seus filhos.
Imagine filhos de coração
obediente, livres da tentação de seguir caminhos sem Deus.
Imagine uma família unida no
serviço e no afecto mútuo.
Imagine nunca sofrer por causa
dos filhos, nem ter de se arrepender das próprias reacções.
Imagine amizades sem conflitos,
sem ciúmes mesquinhos nem ofensas fáceis.
Imagine nunca precisar de pedir
perdão, de se reconciliar ou de restaurar relações.
Imagine o trabalho sem a sombra
do pecado:
chefes movidos pelo bem real dos
colaboradores;
um ambiente livre de competições
destrutivas, traições, inveja ou roubo;
um lugar onde as pessoas valem
mais do que o lucro, e o amor mais do que o sucesso.
Imagine governos sem corrupção,
políticos honestos e altruístas,
cidadãos protegidos e sem medo,
um mundo sem escândalos, sem
violência, sem guerras, sem ameaças nucleares nem terrorismo.
Imagine não haver pobreza,
doença, fome ou campos de refugiados.
Imagine salas de aula onde se
ensinam apenas a verdade e a sabedoria.
Imagine a criação — as plantas,
os animais, os mares e a terra — cuidada com reverência pelo Criador. Imagine
toda a gente a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesma.
Imagine um mundo onde reina a paz
divina, ininterrupta e perfeita. Imagine um mundo sem pecado.
Agora, olhe para a sua própria
vida. Examine o seu coração e o seu trajecto. Como seria a sua história, os
seus relacionamentos, o seu dia-a-dia, se o pecado não os tivesse manchado?
Imagine agir sempre com um
coração puro, transbordante de amor e adoração a Deus.
Imagine nunca se irar
injustamente, nunca proferir palavras sem graça, nunca cobiçar o que Deus
proíbe.
Imagine amar sempre a verdade e
anunciá-la com coragem.
Imagine uma vida sem medo, sem
desilusão, sem o coração partido.
Imagine ser sempre bondoso,
paciente e um servo alegre no serviço a Deus e aos outros.
Imagine a sua vida como um
registo contínuo de rectidão.
Temo que nos tenhamos habituado
de tal modo ao pecado que já não o vemos como a tragédia que ele realmente é.
Habituámo-nos ao horror quotidiano, ao fardo que torna tudo mais difícil e
perigoso do que Deus projectou. Aquilo que deveria despedaçar-nos o coração
tornou-se rotina. Aprendemos a conviver com o que deveríamos abominar.
Quando minimizamos o pecado,
desvalorizamos a graça redentora de Deus. Mas, quando o pecado nos fere a alma,
nada é mais belo do que o amor reconciliador de Cristo. Quando reconhecemos o
estrago que ele causou, nada nos parece mais precioso do que o poder salvador
da graça divina.
Que a consciência do pecado nos
inunde de gratidão pela presença, pelas promessas e pelo poder de Jesus Cristo.
Que nos transforme em instrumentos de justiça, misericórdia e compaixão para
com todos os que sofrem as consequências do mal.
Não se pode diminuir o pecado sem diminuir a graça de Deus.
Desejo a todos uma Páscoa muito
feliz!
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