O Supremo Tribunal dos Estados Unidos deu um passo históricoao derrubar, por 8 votos contra 1, a lei do Colorado que proibia a chamada“terapia de conversão”. A decisão, redigida pelo juiz Neil Gorsuch, reconhece o
óbvio: a Primeira Emenda protege o direito à liberdade de expressão, mesmo
quando um profissional de saúde, num contexto terapêutico e consensual, discute
com um paciente – incluindo menores – questões de orientação sexual ou
identidade de género. Não se trata de violência, de electrochoques nem de
privação. Trata-se de conversa. De ajuda. De permitir que um terapeuta cristão,
como Kaley Chiles, possa oferecer orientação a quem, por razões de fé ou de
simples bom senso, não deseja seguir o caminho da medicalização irreversível.
Esta é uma vitória para a verdade. E é uma vitória que expõe, de forma cristalina, a inversão orwelliana que a ideologia de género impôs ao mundo ocidental: a verdadeira terapia de conversão não é a que ajuda um menor a explorar o desconforto com o seu corpo ou com as pressões sociais. A verdadeira terapia de conversão é a que o arrasta para a transição sexual – bloqueadores de puberdade, hormonas cruzadas, mastectomias, faloplastias ou vaginoplastias – prometendo-lhe que é possível “mudar de sexo”. Uma impossibilidade biológica que deixa para trás corpos mutilados, ossos enfraquecidos, infertilidade permanente e taxas de suicídio que não diminuem, mas aumentam após a “afirmação”.
Como pode um profissional de saúde ser diabolizado como
“terapeuta de conversão” só porque tenta proteger um menor de um caminho de
medicalização e mutilação para toda a vida? E como pode ser criminalizado o
facto de se impedir esses profissionais – aqueles que não se renderam à agenda
transactivista – de exercerem o seu dever ético? A resposta é simples e
assustadora: porque a ideologia de género transformou a “afirmação” num dogma
religioso. Qualquer hesitação, qualquer abordagem exploratória, qualquer tentativa
de tratar a disforia de género como um problema psicológico que possa ter
raízes em traumas, autismo, bullying ou pressão social, é agora classificada
como “ódio”. Enquanto isso, a verdadeira conversão – a que promete transformar
um rapaz numa “rapariga” através de químicos e bisturis – é apresentada como
“cuidados de saúde” e “direito humano”.
Portugal é o exemplo mais vergonhoso e recente desta loucura
europeia. A Lei n.º 15/2024, de 29 de Janeiro, que “proíbe as práticas de
conversão sexual”, é uma das mais radicais e repressivas do continente.
Criminaliza qualquer acto – psicológico, psicoterapêutico, comportamental ou
mesmo médico – que vise a “alteração, limitação ou repressão” da orientação
sexual, identidade ou expressão de género. A pena? Prisão até 3 anos ou multa.
Para intervenções irreversíveis, a pena sobe até aos 5 anos. Mas o mais perverso
é o resto: os profissionais de saúde condenados ficam proibidos de exercer
profissões com contacto regular com menores e perdem o exercício das
responsabilidades parentais por um período de até 20 anos. Os pais que procurem
ajuda não afirmativa para os seus filhos também podem ser penalizados da mesma
forma.
Ou seja: um psicólogo ou psiquiatra que, com base na
evidência científica (como a Cass Review no Reino Unido ou os relatórios da
Suécia, Finlândia e Noruega), recomende terapia exploratória em vez de
bloqueadores de puberdade, arrisca-se a perder a licença por décadas. Um pai ou
uma mãe que, preocupados com o bem-estar do filho, procurem um profissional que
não seja um activista trans, podem ver os seus filhos afastados durante 20
anos. Entretanto, clínicas que empurram menores para a transição – muitas vezes
sem um diagnóstico diferencial adequado – continuam a operar com a bênção do
Estado.
Esta lei não protege crianças. Protege uma narrativa. Protege a ideia de que o sexo é mutável, de que o desconforto com o corpo é sempre uma “identidade trans” e de que qualquer dúvida é “transfobia”. É a criminalização da medicina real. É a transformação de pais em criminosos por quererem proteger os filhos. É a consagração da transição sexual como a única “terapia” permitida – a verdadeira terapia de conversão, aquela que converte corpos saudáveis em pacientes crónicos, dependentes de hormonas e cirurgias para o resto da vida.
O Supremo dos EUA acabou de dizer “não” a esta censura.
Afirmou que a liberdade de expressão e a boa prática clínica não podem ser
sacrificadas no altar da ideologia. Decretou que um terapeuta tem o direito de
oferecer ajuda real, e não um dogma. É uma luz no meio da obscuridade que se
abateu sobre a Europa e sobre Portugal.
Que esta decisão ecoe deste lado do Atlântico. Que sirva
de aviso aos legisladores portugueses que aprovaram a Lei 15/2024 com os votos
do PS, PCP, BE, PAN, Livre e IL. Que sirva de alerta aos pais, aos
profissionais de saúde e aos cidadãos que ainda não se renderam: a verdadeira
protecção das crianças não passa pela afirmação cega. Passa pela verdade. Passa
pela coragem de dizer que o sexo é imutável e que mutilar menores para
satisfazer uma ilusão é, de facto, a mais cruel e irreversível das terapias de
conversão.
Parabéns ao Supremo Tribunal dos Estados Unidos. E que
Portugal, o mais breve possível, tenha a decência de revogar esta lei maldita antes que mais
crianças sejam sacrificadas no altar da ideologia.
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