Erika Hilton afirma: “Uma mulher não é apenas a menstruação, não é apenas o útero, não é apenas a sua genitália.”
Tem razão numa coisa: a mulher é muito mais do que apenas órgãos reprodutores.
Uma mulher é filha de
Deus, criada à Sua imagem e semelhança (Génesis 1:27). É alma, espírito,
inteligência, capacidade de amar, de nutrir, de criar laços profundos, de
educar, de ser companheira, mãe (mesmo que não biológica), de manifestar a
beleza, a ternura e a força feminina que Deus projectou. A feminilidade vai
muito além da biologia — inclui virtude, carácter, dignidade e propósito
divino.
Mas Erika Hilton erra gravemente quando usa este argumento
para negar a própria base da realidade. Sim, uma mulher é muito mais do que
útero, menstruação e genitália; contudo, não é nada menos do que isso. A mulher
é, em primeiro lugar e de forma irredutível, a fêmea da espécie humana — um ser
humano adulto do sexo feminino. O sexo é determinado na concepção pela presença
do par de cromossomas X (XX na quase totalidade dos casos), pelo
desenvolvimento do sistema reprodutor organizado em torno dos óvulos (grandes
gâmetas), pelo útero, pelos ovários e pela capacidade potencial de gerar vida.
Mulheres que, por doença, idade avançada ou intervenção médica, não menstruam ou não têm útero, continuam a ser mulheres porque o seu corpo inteiro se desenvolveu segundo o plano feminino. São excepções que confirmam a regra, não a destroem.
Usar casos raros de intersexualidade (que são distúrbios do desenvolvimento sexual e não um “terceiro sexo”) para apagar a categoria “mulher” é má-fé intelectual.
Erika Hilton, que é um homem biológico, pode usar
maquilhagem, roupas femininas, hormonas, silicone e até recorrer a cirurgia.
Pode identificar-se como mulher, gritar, chorar e acusar de “discurso de ódio”
quem discorda. Nada disso o transforma em mulher. Continua a ser um homem
travestido. A maquilhagem não altera cromossomas. O vestido não cria um útero.
A autoidentificação não reescreve a biologia nem a criação de Deus: “Macho e
fêmea os criou” (Génesis 1:27; Mateus 19:4).
A ideologia de género tenta separar o “género” (supostamente
fluido e social) do sexo biológico. Mas isso é uma mentira moderna. Deus não
criou “identidades de género”; criou homens e mulheres com corpos sexuados
complementares, cada um com dignidade própria e papéis distintos na família e
na sociedade.
Quando um homem se declara mulher e exige ser tratado como tal — invadindo espaços femininos, competindo em desportos femininos ou redefinindo o que é uma mulher —, não está a expandir direitos. Está a apagar as mulheres reais e a negar a ordem natural criada por Deus.
A verdade não é ódio. Dizer que um homem não pode ser mulher não é violência — é misericórdia para com a realidade e protecção para as mulheres e meninas que perdem privacidade, segurança e oportunidades quando a biologia é ignorada.
A mulher não se resume a órgãos, é verdade. Mas sem a
realidade biológica feminina, não existe mulher. Erika Hilton pode ser muitas
coisas: pessoa, cidadão, deputado. Mas nunca será mulher. Porque Deus, a
ciência e a razão não mentem.

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