terça-feira, 31 de março de 2026

O Tal Podcast e o Nó do Género

 


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Ah, Que Maravilha o Fluido Mundo do “Não Há Género, Mas Há Roupa de Homem”!

Resposta ao episódio de «O Tal Podcast» com Kai Fernandes

ERA UMA VEZ...

Era uma vez, em Fevereiro de 2019, na Escola Secundária de Santa Maria da Feira, um aluno do 11.º ano chamado Eduardo Couto — já então o mais jovem delegado a discursar numa convenção do Bloco de Esquerda. Num teste de Inglês, a professora pediu para classificar sete acessórios como “male”, “female” ou “both”. Eduardo, fiel à doutrina, marcou todos como “both”: mala de mão, gravata, boné, collants, colar, cachecol e cinto. A professora ousou discordar da gravata, do boné e dos collants. Seguiu-se uma discussão acesa, a ameaça de falta disciplinar e o caso tornou-se notícia nacional.

O jovem militante publicou, depois, no Público, o seu artigo de opinião: “Sou homem e uso collants. A minha prima é mulher e usa boné.”Porque, claro, “a roupa não tem género”… até ao dia em que uma professora de Inglês, essa terrível opressora heteronormativa do ano de 1743, se atreveu a dizer que talvez tivesse. E assim nasceu mais uma lenda gloriosa do fluido mundo em que “não há género… mas há roupa de homem”.

Meus queridos leitores progressistas, preparem os lenços de papel e os emojis de arco-íris, porque hoje vamos celebrar mais uma vitória épica da ideologia de género. Kai Fernandes, psicólogo negro, trans, não-binário, jovem e praticante de não-monogamias (porque uma só identidade já era pouco para tanto talento), concedeu-nos a pérola do ano: “Em Banguecoquepassei a ser quem eu era e ninguém me questionou. Nem por ser negro, nem por mevestir de forma masculina.”.

Alto lá e pára o baile!… Vestir de forma masculina?

Mas eu pensei que a grande conquista do século XXI era exactamente a descoberta revolucionária de que não existe roupa de homem nem de mulher! Que calças, camisas, gravatas, maquilhagem, saias e batom são meros “constructos sociais opressores” inventados pelo Patriarcado Branco Heteronormativo para nos prender no binário maligno. 

Não era isso que os activistas nos gritavam nas escolas, nas universidades, nas redes sociais e nos manuais escolares? “O género é uma performance! Qualquer pessoa pode usar qualquer coisa! Não há masculino nem feminino!”

Pois é. Até que… aparece um deles a contar, com lágrimas nos olhos, que sentiu “uma liberdade muito grande quando me expresso de uma forma masculina”. Liberdade, caros amigos! Liberdade de usar roupa que, segundo a própria ideologia, não tem género. Que lindo. É como um ateu que diz “Deus não existe” e depois agradece a Deus por ter encontrado estacionamento.

E o melhor vem a seguir. Kai confessa, com a sinceridade de quem acabou de descobrir a roda: “Há momentos em que sinto saudades de meter uma maquilhagem ou usar uma roupa mais feminina.” Ah, que ternura! Então a não-binariedade não-binária consiste em rejeitar o binário… mas só de segunda a sexta, porque aos fins-de-semana volta a ter saudades do binário? É como ser vegan de dia e churrasqueiro de noite, exigindo depois que toda a gente finja que o churrasco é tofu.

O contraste entre “o meu corpo feminino, de mulher biológica, com esta expressão da masculinidade define-me muito bem”. Define-te muito bem… usando palavras que pressupõem exactamente aquilo que a tua ideologia nega existir. Se o corpo é “feminino” e a expressão é “masculina”, então… existe masculino e feminino, não é? Ou será que o feminismo e o masculinismo são agora apenas marcas de roupa na Zara, disponíveis em “fluido” por 29,99€?

Mas a ironia não pára na alfândega de Banguecoque. Kai lamenta que ter sido adoptado por pais brancos “atrasou o processo de encontrar a minha identidade”. Ou seja: o racismo é mau (concordo, a Bíblia já dizia isso há 2000 anos), mas a solução é… reforçar ainda mais as identidades raciais fixas que supostamente também são constructos sociais. Porque a coerência é para os fracos.

Eis o clímax da comédia divina: este senhor é psicólogo e atende pessoas trans “que buscam semelhança”. Semelhança com quê, exactamente? Se cada identidade é única, intransferível e fluida como gelatina ao sol, por que é que alguém precisa de um terapeuta que “se parece comigo”? Não era suposto o género não ter padrão nenhum? Ou será que, no fundo, até os não-binários precisam de… binários para se sentirem representados?

Ah, e as não-monogamias! Claro. Porque se já rejeitámos o binário homem-mulher, por que não rejeitar também o binário “um parceiro de cada vez”? É tudo fluido, baby! Só não percebo por que é que, quando o casamento bíblico entre um homem e uma mulher dura 50 anos, ninguém faz um podcast a celebrar a “liberdade gigantesca” de não ter trocado de parceiro 17 vezes.

No final, a grande revelação de Banguecoque não foi encontrar-se a si próprio. Foi descobrir que, para se sentir livre, precisou de ir para o outro lado do mundo onde ninguém o questionasse por fazer exactamente aquilo que a ideologia diz não precisar de ser questionado: vestir-se “como homem”.

Meus amigos, isto não é liberdade. Isto é uma pessoa a fugir de si própria e a chamar-lhe viagem de autodescoberta. Enquanto isso, o Criador continua a olhar do Céu e a sussurrar: “Eu fiz-vos homem e mulher. Podiam ter poupado o bilhete de avião.”

Mas quem sou eu? Apenas uma mulher cristã, conservadora, “antiquada”, que ainda acredita que a verdade não se dissolve em linguagem neutra e hashtags. Continuem a celebrar as contradições. Cá fico, ancorada à natureza e à ciência factual, a rir-me baixinho. É que, honestamente, o teatro é bom demais para não se aplaudir de pé — ainda que seja uma armadilha trágica para quem nela cai. Entre o aplauso e o alerta, resta o choro por quem se perdeu.

Ámen… ou não, fica ao vosso critério.

1 comentário:

  1. Concordo e digo mais. O problema aqui não é liberdade, é incoerência elevada a doutrina.
    Durante anos venderam-nos a ideia de que tudo é construção social, que não existem categorias estáveis, que masculino e feminino são apenas invenções arbitrárias. Mas basta ouvir um testemunho destes com atenção para perceber que, no fundo, continuam a depender exatamente dessas categorias para se definirem.
    Não há nada de errado em alguém se expressar como quiser pois isso sempre existiu. O que é intelectualmente desonesto é negar a existência de referências objetivas e depois usá-las quando convém. Se “expressão masculina” faz sentido, então há um referencial masculino. Se há “corpo feminino”, então há uma realidade biológica que não desaparece com linguagem.
    Isto não é progresso. É apenas confusão conceptual embrulhada em discurso emocional. E o mais preocupante nem é a contradição em si. É o facto de isto estar a ser normalizado como verdade indiscutível, quando na realidade está cheio de falhas lógicas evidentes.
    No fim do dia, quem olha para isto com um mínimo de espírito crítico percebe que não estamos perante libertação nenhuma. Estamos perante uma narrativa que se desmonta a si própria.

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A Crise da Maturidade Masculina