Num momento em que o debate sobre a identidade de género
assume contornos cada vez mais polarizados, é imperativo que os pais estejam
atentos às práticas adoptadas por alguns profissionais de saúde em Portugal.
Com base no recente alerta lançado pela jornalista Marisa Antunes no LinkedIn —
que expõe uma lista de médicos e psicólogos defensores de intervenções rápidas
em crianças e jovens com questões identitárias —, este post visa
alertar para os perigos associados a tais abordagens. Estes profissionais,
muitos deles ligados ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), parecem ignorar as
crescentes evidências científicas que questionam a segurança e a eficácia de
tratamentos como os bloqueadores hormonais e as transições de género
aceleradas. Mais grave ainda: são os mesmos que subscreveram um parecer da
Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica (SPSC) para tentar descredibilizar e
travar o projecto de lei do CHEGA, que visa revogar a Lei 38/2018 (a lei da
autodeterminação de género), seguindo-se propostas semelhantes do PSD e do
CDS-PP.
As Práticas Questionáveis e a Ignorância Deliberada de
Evidências Científicas
A publicação de Marisa Antunes destaca profissionais como Pedro Morgado, coordenador regional de Saúde Mental na ARS-Norte, Marco Gonçalves, da unidade de género do Hospital Júlio de Matos, e André Ribeirinho Marques, do Hospital Egas Moniz. Estes, entre outros, defendem o modelo de "medicina de afirmação de género", que promove transições sociais e médicas imediatas baseadas apenas nas "percepções" dos jovens, muitas vezes após consultas curtas de 15 minutos.
Antunes acusa-os de prescreverem hormonas a crianças a partir dos 11 anos, negligenciando comorbilidades como o autismo, traumas ou homofobia interiorizada.
Este modelo segue as directrizes da World Professional
Association for Transgender Health (WPATH), uma organização internacional
criticada por priorizar dogmas ideológicos em detrimento da ciência. Em Março
de 2024, fugas de informação internas da WPATH — conhecidas como "WPATHFiles" — revelaram discussões alarmantes, incluindo admissões de que
pacientes adolescentes não compreendem plenamente os impactos na fertilidade e
na função sexual. Alguns médicos admitiram que falar de preservação da fertilidade
com um jovem de 14 anos é como "falar com uma parede em branco",
enquanto a presidente da WPATH, Marci Bowers, comentou os efeitos negativos dos
bloqueadores de puberdade na função sexual adulta. Os arquivos sugerem ainda
ligações potenciais entre terapias hormonais e riscos de cancro, como tumores
no fígado em pacientes jovens.
Apesar de haver quem aponte a descontextualização nestas
fugas, elas expõem uma falta de consenso ético e científico, com profissionais
a admitirem que os tratamentos são experimentais e carecem de evidência robusta
de benefícios a longo prazo. Adicionalmente, o Relatório Cass, publicado em
Abril de 2024 no Reino Unido após uma revisão independente de quatro anos,
concluiu que a medicina de género está "construída sobre fundações
instáveis". A evidência relativa a bloqueadores de puberdade e hormonas
cruzadas é considerada "fraca e inadequada". O relatório recomenda
uma abordagem holística, priorizando o apoio psicossocial e mental em vez de
intervenções médicas precipitadas, e alerta que as transições sociais precoces
tornam o caminho médico mais provável. Países como a Finlândia e a Suécia já
adoptaram posturas mais cautelosas, restringindo estes tratamentos. Contudo, em
Portugal, estes profissionais continuam a defender práticas refutadas
globalmente, apelidando-as de "medidas afirmativas", como sublinhado
por Antunes.
A Resistência Política: O Parecer da SPSC contra a Revogação
da Lei 38/2018
Não satisfeitos em manter práticas médicas questionáveis,
este grupo de profissionais subscreveu um parecer da Sociedade Portuguesa de
Sexologia Clínica (SPSC) para se opor ao projecto de lei do CHEGA, apresentado
em Janeiro de 2026, que visa revogar a Lei 38/2018. Esta lei permite a
autodeterminação de género a partir dos 16 anos sem diagnóstico médico
obrigatório. O CHEGA argumenta que a lei ignora evidências científicas recentes
e propõe o regresso a um modelo que exija diagnóstico clínico e maioridade para
mudanças de sexo.
O parecer da SPSC critica a proposta como "negacionismo
científico", alegando que o retrocesso ameaça a saúde mental das pessoas
trans. No entanto, esta posição ignora as conclusões do Relatório Cass e os
"WPATH Files". Os signatários — incluindo os clínicos listados por
Antunes — parecem priorizar a ideologia sobre a precaução. Seguiram-se
projectos do PSD e do CDS-PP que também propõem a exigência de validação
médica. Esta resistência não é neutra: ao subscreverem o parecer, estes profissionais
contribuem para perpetuar um sistema que expõe os jovens a riscos
desnecessários, bloqueando reformas baseadas em ciência actualizada.
Um Apelo à Vigilância e à Acção
Pais, não permitam que ideologias radicais ditem o futuro
dos vossos filhos. Exijam abordagens baseadas na evidência, tal como
recomendado pelo Relatório Cass: avaliações holísticas, apoio psicológico e
tempo para a maturação. Partilhem alertas como o de Marisa Antunes e apoiem
reformas legislativas que priorizem a protecção de menores. A revogação da Lei
38/2018 não é um ataque a direitos, mas sim uma defesa da ciência e da
dignidade humana. Ignorar os riscos é negligência; agir é um acto de responsabilidade.
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