Pensei e repensei se devia ou não responder a tamanha falta
de conhecimento bíblico demonstrada por Ana Bárbara Pedrosa, no artigo "Votar contra Jesus" publicado pelo Expresso — esse jornal que se tornou uma espécie de Pravda
da esquerda portuguesa. Ah, a ironia escorre mais espessa que o azeite da barba
de um fariseu neste artigo de opinião de uma ateia «próxima do cristianismo» (seja lá isso o que for) que empunha o Novo Testamento como se fosse um pau de vassoura para bater nos
adversários políticos, enquanto o Bloco de Esquerda — esse mesmo partido que
defende o abate sistemático dos inocentes no ventre sob o eufemismo de
«escolha», a dissolução da família ordenada por Deus em favor de identidades
fluidas e a imposição da ideologia de género que escarnece do desígnio do
Criador — tem a lata de nos dar lições sobre «votar contra Jesus».
Desde a perspectiva cristã reformada, firmada na soberania
absoluta de Deus, na depravação total do homem (Romanos 3:10-18) e na
autoridade inerrante das Escrituras, permitam-me responder com a acidez bíblica
que tal hipocrisia merece.
Primeiro, a selecção piedosa de versículos: «Amai-vos uns
aos outros», «O que fizerdes ao menor dos meus é a mim que o fazeis», «Era
forasteiro e hospedastes-me», «Bem-aventurados os pobres», «Setenta vezes
sete». Tudo verdade, glória a Deus. Mas Pedrosa torce-os como se a Bíblia fosse
um panfleto do Bloco: acolhimento incondicional à migração descontrolada,
estado-providência socialista infinito, perdão que anula a justiça penal e
generosidade que ignora a responsabilidade pessoal. Ora, as Escrituras exigem
discernimento e ordem. As muralhas de Jerusalém não foram erguidas por estética
(Neemias 2:17-20), e o Bom Samaritano não convidou os salteadores a morar-lhe
ao lado (Lucas 10:25-37). A posição do CHEGA por uma imigração controlada, com
quotas e integração, não é «anti-Jesus»; é anti-caos, protegendo os vulneráveis
da exploração e cumprindo o mandato romano de governação justa (Romanos
13:1-7). Quem realmente silencia o eco aramaico da misericórdia de Cristo? Os
que facilitam redes de tráfico humano ou os que salvaguardam os cidadãos?
Quanto aos pobres e ao «bem-aventurados os pobres» contra a
privatização: como se a Bíblia prescrevesse o socialismo, onde o Estado usurpa
o lugar de Deus, redistribuindo à força em vez da caridade voluntária nascida
da regeneração (2 Coríntios 9:7). A teologia bíblica reconhece a depravação
total: programas estatais sem limites geram dependência, não dignidade. O CHEGA
defende a família como célula básica de provisão e responsabilidade (1 Timóteo
5:8), não o Estado paternalista do Bloco que infantiliza os portadores da
imagem de Deus. Pedrosa acusa o CHEGA de raiva contra «o outro», mas o ódio do
Bloco dirige-se ao «outro» mais indefeso: o nascituro, cujos gritos mudos ecoam
no Salmo 139:13-16 — «Tu formaste os meus rins, teceste-me no seio de minha
mãe». Votar no Bloco não é só contra Jesus; é contra os pequeninos, que eles
consideram descartáveis.
Sobre a prisão perpétua versus «setenta vezes sete»:
o perdão é pessoal, não uma licença para a anarquia social. A Bíblia exige
justiça: «Olho por olho» (Êxodo 21:24), e o Estado porta a espada por alguma
razão (Romanos 13:4). A dureza do CHEGA contra o crime protege os inocentes, honrando
a imago Dei ao punir o malfeitor, enquanto a leniência do Bloco deixa
lobos soltos entre ovelhas.
E o truque racial — retratar Jesus como «homem árabe» para
culpar o CHEGA por «crianças castanhas» nas creches? Barato. As Escrituras
transcendem a etnia (Gálatas 3:28), mas não endossam a política identitária que
divide o corpo de Cristo. O CHEGA acolhe todas as crianças, independentemente
da cor, na família como Deus a instituiu — ao contrário do Bloco, que promove
agendas que destroem essa mesma família.
No fim, quem vota «contra Jesus»? Não o CHEGA, que defende a
vida desde a concepção, a família natural como base da sociedade, e rejeita a
ideologia de género que troca o Criador pela criatura (Romanos 1:25). Vota
contra Jesus quem instrumentaliza versículos isolados para justificar o
assassínio pré-natal, a dissolução do matrimónio homem-mulher e um Estado que
se faz deus. Como cristã, digo: a glória de Deus não se serve com mentiras, nem
com políticas que pisam a Sua lei moral.
Que os eleitores discirnam, pois «de que aproveita ao homem
ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?» (Marcos 8:36). O CHEGA, com todos
os seus defeitos humanos, alinha-se mais com a ordem criada por Deus do que o
progressismo que a desfigura. Com isto, não se diga que o CHEGA é a resposta
messiânica que o mundo espera, nem que o seu presidente é Deus, perfeito, sem
mancha de pecado ou infalível nos seus equívocos; a nossa esperança reside na
verdade bíblica de que Jesus voltará para reinar de forma plena num mundo
finalmente sem pecado. Mas, no tempo que nos cabe, votar contra o que desvirtua
a Lei de Deus não é votar contra Jesus — é votar a favor d’Ele.
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