segunda-feira, 2 de março de 2026

A Exegese de Conveniência: Uma Resposta a Ana Bárbara Pedrosa



Pensei e repensei se devia ou não responder a tamanha falta de conhecimento bíblico demonstrada por Ana Bárbara Pedrosa, no artigo "Votar contra Jesus" publicado pelo Expresso — esse jornal que se tornou uma espécie de Pravda da esquerda portuguesa. Ah, a ironia escorre mais espessa que o azeite da barba de um fariseu neste artigo de opinião de uma ateia «próxima do cristianismo» (seja lá isso o que for) que empunha o Novo Testamento como se fosse um pau de vassoura para bater nos adversários políticos, enquanto o Bloco de Esquerda — esse mesmo partido que defende o abate sistemático dos inocentes no ventre sob o eufemismo de «escolha», a dissolução da família ordenada por Deus em favor de identidades fluidas e a imposição da ideologia de género que escarnece do desígnio do Criador — tem a lata de nos dar lições sobre «votar contra Jesus».

Desde a perspectiva cristã reformada, firmada na soberania absoluta de Deus, na depravação total do homem (Romanos 3:10-18) e na autoridade inerrante das Escrituras, permitam-me responder com a acidez bíblica que tal hipocrisia merece.

Primeiro, a selecção piedosa de versículos: «Amai-vos uns aos outros», «O que fizerdes ao menor dos meus é a mim que o fazeis», «Era forasteiro e hospedastes-me», «Bem-aventurados os pobres», «Setenta vezes sete». Tudo verdade, glória a Deus. Mas Pedrosa torce-os como se a Bíblia fosse um panfleto do Bloco: acolhimento incondicional à migração descontrolada, estado-providência socialista infinito, perdão que anula a justiça penal e generosidade que ignora a responsabilidade pessoal. Ora, as Escrituras exigem discernimento e ordem. As muralhas de Jerusalém não foram erguidas por estética (Neemias 2:17-20), e o Bom Samaritano não convidou os salteadores a morar-lhe ao lado (Lucas 10:25-37). A posição do CHEGA por uma imigração controlada, com quotas e integração, não é «anti-Jesus»; é anti-caos, protegendo os vulneráveis da exploração e cumprindo o mandato romano de governação justa (Romanos 13:1-7). Quem realmente silencia o eco aramaico da misericórdia de Cristo? Os que facilitam redes de tráfico humano ou os que salvaguardam os cidadãos?

Quanto aos pobres e ao «bem-aventurados os pobres» contra a privatização: como se a Bíblia prescrevesse o socialismo, onde o Estado usurpa o lugar de Deus, redistribuindo à força em vez da caridade voluntária nascida da regeneração (2 Coríntios 9:7). A teologia bíblica reconhece a depravação total: programas estatais sem limites geram dependência, não dignidade. O CHEGA defende a família como célula básica de provisão e responsabilidade (1 Timóteo 5:8), não o Estado paternalista do Bloco que infantiliza os portadores da imagem de Deus. Pedrosa acusa o CHEGA de raiva contra «o outro», mas o ódio do Bloco dirige-se ao «outro» mais indefeso: o nascituro, cujos gritos mudos ecoam no Salmo 139:13-16 — «Tu formaste os meus rins, teceste-me no seio de minha mãe». Votar no Bloco não é só contra Jesus; é contra os pequeninos, que eles consideram descartáveis.

Sobre a prisão perpétua versus «setenta vezes sete»: o perdão é pessoal, não uma licença para a anarquia social. A Bíblia exige justiça: «Olho por olho» (Êxodo 21:24), e o Estado porta a espada por alguma razão (Romanos 13:4). A dureza do CHEGA contra o crime protege os inocentes, honrando a imago Dei ao punir o malfeitor, enquanto a leniência do Bloco deixa lobos soltos entre ovelhas.

E o truque racial — retratar Jesus como «homem árabe» para culpar o CHEGA por «crianças castanhas» nas creches? Barato. As Escrituras transcendem a etnia (Gálatas 3:28), mas não endossam a política identitária que divide o corpo de Cristo. O CHEGA acolhe todas as crianças, independentemente da cor, na família como Deus a instituiu — ao contrário do Bloco, que promove agendas que destroem essa mesma família.

No fim, quem vota «contra Jesus»? Não o CHEGA, que defende a vida desde a concepção, a família natural como base da sociedade, e rejeita a ideologia de género que troca o Criador pela criatura (Romanos 1:25). Vota contra Jesus quem instrumentaliza versículos isolados para justificar o assassínio pré-natal, a dissolução do matrimónio homem-mulher e um Estado que se faz deus. Como cristã, digo: a glória de Deus não se serve com mentiras, nem com políticas que pisam a Sua lei moral.

Que os eleitores discirnam, pois «de que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?» (Marcos 8:36). O CHEGA, com todos os seus defeitos humanos, alinha-se mais com a ordem criada por Deus do que o progressismo que a desfigura. Com isto, não se diga que o CHEGA é a resposta messiânica que o mundo espera, nem que o seu presidente é Deus, perfeito, sem mancha de pecado ou infalível nos seus equívocos; a nossa esperança reside na verdade bíblica de que Jesus voltará para reinar de forma plena num mundo finalmente sem pecado. Mas, no tempo que nos cabe, votar contra o que desvirtua a Lei de Deus não é votar contra Jesus — é votar a favor d’Ele.


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