O ataque cerrado à masculinidade continua imparável, e a
comunicação social parece ter encontrado o filão perfeito para alimentar
narrativas tendenciosas que invertem, sistematicamente, a causa e o efeito. O
exemplo mais recente chega-nos pela mão da CNN Portugal que, ao repercutir um estudo publicado na revista Criminology & Criminal Justice a 7 de Maio de
2025, ilustra como a ideologia se sobrepõe ao rigor.
O estudo em questão, realizado por investigadores do ISPA,
baseia-se numa amostra curtíssima: apenas 231 rapazes portugueses de 18 e 19
anos. Através de um questionário de auto-relato — método sujeito a fortes
enviesamentos —, os académicos procuraram correlacionar a «visão tradicional de
masculinidade» com comportamentos delinquentes. Para estes investigadores, ser «tradicional»
resume-se a uma caricatura: aceitar a violência ou procurar múltiplas
parceiras. A conclusão, servida para o consumo sensacionalista, é que esta
conformidade explicaria 19,4% da variação na delinquência.
O que é verdadeiramente escandaloso é que o próprio artigo
científico admite ter «fraquezas graves». No entanto, tal admissão não obstou a
que se utilizassem títulos bombásticos, de pendor assumidamente feminista,
desenhados para enganar o leitor que se fica pelas «letras gordas». Ignora-se
deliberadamente que a correlação não é causalidade: não é a masculinidade que
causa o crime; é, frequentemente, a ausência de uma estrutura familiar sólida
que empurra os jovens para o abismo.
O Silêncio sobre a Pornografia e o Lar sem Pai
É também imperativo questionar o silêncio ensurdecedor deste
"estudo" sobre factores de risco muito mais reais e documentados. Por
que razão não se menciona que a exposição precoce à pornografia é um dos mais
elevados indicadores de violência sexual cometida por rapazes? Segundo dados
recentes, a esmagadora maioria destes jovens vive apenas com as mães, sem a
presença reguladora do pai. Sem o modelo varonil que ensina o respeito e o
auto-controlo, e entregues a um consumo digital degradante, os rapazes ficam
vulneráveis. O problema não é a "masculinidade tradicional", mas sim
a combinação explosiva de um lar desestruturado com o vício tecnológico.
O que os dados americanos nos dizem
Ao contrário desta amostra lusa reduzida, dados
longitudinais dos EUA (como o National Longitudinal Survey of Youth)
revelam uma realidade incontestável que o mainstream prefere esconder: a
ausência paterna é o maior indicador de criminalidade. Rapazes que crescem sem
pai têm o dobro da probabilidade de serem presos até aos 30 anos,
independentemente da raça ou rendimento. Cerca de 70% dos jovens em
instituições de detenção juvenil provêm de lares monoparentais. Mais ainda: 72%
dos assassinos adolescentes e 85% dos jovens na prisão cresceram sem a figura
do pai.
O estudo de Harper & McLanahan (2004) confirma:
mesmo controlando variáveis de pobreza, os jovens de lares sem pai enfrentam o
dobro do risco de encarceramento. A «masculinidade tradicional» — que une força
a responsabilidade — não é o veneno; a sua carência é que constitui o
verdadeiro factor de risco.
A Perspectiva Bíblica e a Falácia da
"Toxicidade"
A definição de masculinidade usada por estes estudos é
profundamente enviesada, misturando traços positivos (coragem e resiliência)
com patologias sociais. Do ponto de vista cristão, a Escritura é clara: a
masculinidade é um dom de Deus. O homem foi criado para ser líder, provedor e
protector (Génesis 1:27-28). O problema não reside em os rapazes serem «demasiado
masculinos», mas sim em serem criados sem o modelo varonil bíblico que canaliza
a força para o bem (Provérbios 22:6).
Após décadas de feminismo nas escolas, onde os rapazes são
patologizados e medicados, o resultado é uma raiva internalizada. Quando se
retira o pai — através de políticas que facilitam o divórcio e ridicularizam a
autoridade masculina —, os rapazes ficam à deriva. A masculinidade não
desaparece; distorce-se em violência sem propósito por falta de balizas.
O estudo do ISPA, e a propaganda que o amplifica, não
resolve o problema; agrava-o ao fazer os rapazes sentirem-se culpados pela sua
própria natureza. O antídoto não é a «flexibilidade de género», mas sim a
restauração da família: pais presentes e amorosos e igrejas que preguem a
doutrina da criação. A masculinidade bíblica não é o inimigo da sociedade — é a
sua salvaguarda. Os dados não mentem: os nossos rapazes precisam de pais, não
de mais estudos que os culpem por serem homens.
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