Como diz um amigo, «o 25 de Abril é o dia em que toda a esquerda que passa o ano a defender ditadores, sistemas totalitários brutais e terroristas, de repente, se lembra de defender a liberdade».
Todos os anos, neste dia, inundamos o país de cravos. Numa espécie de evocação da lenda da Rainha Santa Isabel que, perante o Rei, viu o pão converter-se em rosas, hoje ouvimos uma nova versão: «Foram cravos, Senhores, foram cravos!».
E sim. Foram cravos. Foram também liberdade, coragem e esperança, aos quais presto a minha homenagem. Mas, passados cinquenta e dois anos, é tempo de completar a frase com a verdade: «Não foram só cravos, Senhores — foram também dores, prisões, torturas, bombas e mortes».
É tempo de recordar os filhos e netos de Abril que este processo não protegeu: os espoliados, os que perderam propriedades e dignidade, os militares abandonados e as vítimas de actos terroristas, mais tarde amnistiados. Esses também são portugueses.
Porque o 25 de Abril não libertou Portugal de todas as amordaças. Cinquenta e dois anos depois, o país continua profundamente amordaçado: pelo politicamente correcto, pela oligarquia partidária, pela burocracia clientelar, pelos media dependentes do poder e por quem rotula de «extrema-direita» qualquer voz discordante.
Hoje, este Portugal já não sabe sequer distinguir um homem de uma mulher. A ideologia de género, imposta coercivamente através de leis cozinhadas pelas maiorias de esquerda — por aqueles que se auto-intitulam «senhores de Abril» —, invadiu as escolas, apagou a realidade biológica, confundiu as crianças e fragilizou as mulheres. Pretendem até redefinir a linguagem do povo para a moldar a uma ideologia que exige de nós uma fé cega, num exercício de controlo do pensamento digno de estados totalitários. A verdadeira ameaça não é a extrema-direita, mas a extrema falta de vergonha de todos os partidos de esquerda.
É esta mesma esquerda que rotula de «discurso de ódio» todo o pensamento que não se alinha com a sua cartilha, enquanto, paradoxalmente, incentiva o ódio à direita nos desfiles que celebram o que apelidam de «dia da liberdade». Para estes senhores, a liberdade de expressão é um privilégio de quem consente e um crime para quem diverge.
A esquerda continua a julgar-se dona do 25 de Abril e da Democracia. Contudo, foi apenas a partir de 1985 que Portugal começou a viver a Democracia em pleno. Exceptuando os dez anos de Cavaco Silva e os quatro de Passos Coelho, o país foi praticamente capturado pelo Partido Socialista — com as consequências que todos conhecemos —, tornando-se hoje um dos países mais atrasados da União Europeia.
A mesma esquerda que ainda hoje rasga as vestes pelos ideais de Abril — Paz, Habitação, Saúde e Educação — foi a que capitulou o Estado Social após oito anos de «Costismo», depois de Passos Coelho ter recuperado o país da bancarrota deixada por Sócrates. O problema de Portugal é o PS. Foi o PS que nos trouxe até aqui, não o Chega.
O mesmo povo que em 1974 escolheu a liberdade é o mesmo que em 2024 escolheu um caminho diferente. Não há dois povos. Há um só povo, com o direito a decidir o seu futuro sem tutelas ideológicas.
Queremos um país livre de verdade. Um país que deixe o socialismo para trás e avance rumo à prosperidade. Um país fundado nos valores que construíram a nossa História: Deus, a Família como base da sociedade, a Pátria — livre da invasão provocada pelas políticas de portas escancaradas — e o Trabalho, como meio nobre de enriquecer, e não como um fardo sob uma carga fiscal insustentável para sustentar quem não trabalha.
Cinquenta e dois anos depois, chegou a hora de construir esse Portugal livre, próspero e orgulhoso da sua identidade.
Viva Portugal!
Viva a Liberdade verdadeira!

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