Num artigo recente publicado no Público (27 de janeiro de
2026), intitulado «“Eu odiava tudo em mim”: quase 3300 pessoas mudaram de
género e de nome no Registo Civil desde 2018»,
somos confrontados com uma narrativa optimista sobre a “mudança de sexo” em
Portugal. O texto sublinha que, desde a entrada em vigor da lei em 2018, quase
3300 indivíduos alteraram o seu sexo e nome no registo civil, incluindo 323
menores entre os 16 e os 17 anos. A história pessoal de Xavier — um jovem que
aos 16 anos iniciou o processo legal e, posteriormente, tratamentos hormonais e
uma mastectomia — é utilizada para ilustrar o alívio e a reconciliação com o
corpo. O artigo menciona ainda um alerta de especialistas sobre o aumento do
discurso de ódio, que poderia dissuadir mais pessoas de procurarem o
reconhecimento legal da sua identidade de género.
No entanto, esta peça, como muitas outras na comunicação
social mainstream, promove uma visão unilateral da mudança de sexo,
ignorando deliberadamente os riscos graves associados, como as altas taxas de
suicídio entre indivíduos trans, mesmo após a transição, e os casos de
arrependimento e destransição. Esta omissão não é apenas jornalística; é
irresponsável, especialmente quando se trata de menores vulneráveis.
De uma perspectiva crítica da ideologia de género — que
questiona a ideologia trans como uma solução universal para o desconforto com o
corpo e o sexo biológico —, é essencial equilibrar o debate com evidências
científicas que revelam os perigos subestimados. Estudos internacionais mostram
que indivíduos transgénero enfrentam riscos mentais significativos,
independentemente da transição.
Por exemplo, um estudo dinamarquês de 2023, que acompanhou
quase sete milhões de pessoas ao longo de quatro décadas, concluiu que “pessoas
trans” têm 7,7 vezes mais tentativas de suicídio e 3,5 vezes mais mortes por
suicídio em comparação com a população geral. Nos Estados Unidos, dados do Williams
Institute da UCLA indicam que mais de 40% dos adultos trans já tentaram o
suicídio ao longo da vida, uma taxa nove vezes superior à média populacional.
Estes números não diminuem magicamente após a transição; pelo contrário,
algumas pesquisas sugerem que os riscos podem persistir ou até aumentar.
Um estudo publicado no Journal of the American Medical
Association em 2023, baseado em dados dinamarqueses, reforça esta
preocupação: mesmo em contextos com acesso amplo a intervenções de transição,
as taxas de suicídio permanecem elevadas. Outro trabalho, de 2024, no Cureus
Journal of Medical Science, analisou mais de 15 mil indivíduos e descobriu
que aqueles que passaram por cirurgias de “afirmação de género” tinham um risco
12 vezes maior de tentativas de suicídio nos cinco anos seguintes, em
comparação com quem não passou por esses procedimentos.
Estes dados contrastam com a narrativa optimista do artigo
do Público, que se foca no «alívio» sem mencionar que, para muitos, a transição
não resolve problemas subjacentes como depressão, ansiedade ou traumas não
relacionados com o sexo do indivíduo. Em vez disso, pode exacerbar
vulnerabilidades, especialmente em jovens cujos cérebros ainda estão em
desenvolvimento e que podem confundir disforia de género com outras questões,
como autismo ou orientação sexual.
Além disso, o artigo ignora olimpicamente o fenómeno
crescente da destransição — quando indivíduos revertem a transição após
perceberem que esta não resolveu os seus problemas. Embora alguns estudos, como
uma revisão sistemática de 2021 no Plastic and Reconstructive Surgery –
Global Open, indiquem taxas de arrependimento baixas (cerca de 1% para
cirurgias), as críticas metodológicas apontam falhas: muitos estudos sofrem de
altas taxas de perda de seguimento (até 50% dos participantes desaparecem das
amostras), o que pode subestimar o arrependimento real.
Relatos emergentes de destransicionadores, como os
compilados pela Society for Evidence-Based Gender Medicine (SEGM),
revelam motivos como complicações cirúrgicas, dor crónica, infertilidade
irreversível e a percepção de que a transição foi influenciada por pressões
sociais ou diagnósticos erróneos. No Reino Unido, o caso de Keira Bell que
processou a clínica Tavistock por aprovar tratamentos hormonais aos 16 anos e
depois se arrependeu, levou ao encerramento da instituição em 2022, destacando
os riscos de decisões precipitadas em menores. Segundo a revista Sábado (20 de
janeiro de 2024), a Clínica Tavistock é alvo de um processo movido por mil
jovens adultos, a par do caso de Keira Bell (pág. 66).
Em Portugal, onde a lei permite mudanças de sexo a partir
dos 16 anos com base na autodeclaração, sem requisitos rigorosos de avaliação
psicológica profunda, esta abordagem «afirmativa» — que o artigo do Público
implicitamente subscreve — pode estar a expor jovens a perigos desnecessários.
Estudos como o do Canadian Medical Association Journal
(2022) mostram que adolescentes que se identificam como trans têm taxas de
suicídio duas vezes superiores a outros grupos LGB, e que factores como a
rejeição familiar ou o bullying contribuem mais do que a falta de
transição. No entanto, promover a transição como panaceia sem discutir
alternativas, como a terapia exploratória, é um desserviço. Especialistas como
o psiquiatra Stephen Levine argumentam que muitos casos de disforia de género
em jovens se resolvem naturalmente (até 80-90% segundo estudos longitudinais
pré-2010), e que as intervenções médicas podem medicalizar problemas normais da
adolescência.
O aumento do discurso de ódio mencionado no artigo é real e
condenável, mas usá-lo para justificar uma narrativa acrítica ignora que o
verdadeiro ódio pode vir de dentro: o ódio ao próprio corpo fomentado por uma
sociedade que vende a mudança de sexo [transição] como uma solução rápida.
Precisamos de um debate honesto que inclua vozes críticas, incluindo feministas
de género crítico que argumentam que a transição reforça estereótipos sexistas
em vez de os desconstruir. Mulheres biológicas, por exemplo, vêem os seus
espaços (como prisões ou desportos) invadidos por indivíduos transmasculinos, o
que levanta questões éticas ignoradas na peça.
Em suma, enquanto o artigo do Público celebra as 3300
transições como um triunfo da inclusão, falha ao não alertar para os custos
humanos: suicídios elevados, arrependimentos silenciados e vidas alteradas
irreversivelmente. Um jornalismo responsável exige equilíbrio, não propaganda.
É tempo de priorizar as evidências em detrimento da ideologia, especialmente
quando vidas — muitas delas de jovens — estão em jogo.
Dou os meus parabéns ao CHEGA por ser coerente com os princípios da dignidade humana, ao fazer esta proposta de revogação do DL, 38, referente à autodeterminação de "género "! Aguardo novos desenvolvimentos
ResponderEliminarAguardamos!
EliminarGrande missão a sua! Parabens pelo seu trabalho e obrigada por existir para nós. O pouco que sei à cerca deste triste assundo é graças a si. 🙏🏽♥️
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