terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A Ilusão Socialista da Habitação: Por que os Jovens de Hoje Reclamam de Casas que Não Caem do Céu



Ah, a eterna ladainha da "crise da habitação para jovens" em Portugal! Como se fosse uma novidade saída de um decreto divino ou, pior, de um manifesto socialista. Ouve-se por todo o lado: "Os jovens até aos 35 anos não conseguem comprar a primeira casa! Precisamos de mais habitação social, subsídios estatais e milagres governamentais!" E o mais grave é que até alguns partidos ditos de direita – aqueles que deviam defender a responsabilidade individual e o mercado livre – estão a embarcar nesta narrativa lamechas, como se as casas brotassem do chão por decreto e não pelo suor do trabalho honesto. Vamos lá desmontar este embuste com um pouco de realidade cáustica, daquelas que dói mas cura.

Antigamente – e não falo de um passado mitológico, mas dos anos 70 e 80, quando Portugal ainda tinha uma economia a sério e valores familiares intactos – os jovens não esperavam por esmolas do Estado para comprar casa. Começavam a trabalhar aos 18 ou 20 anos, muitas vezes logo após o ensino básico ou secundário. Aos 25 anos, já tinham anos de descontos no currículo, um emprego estável (nem que fosse na fábrica ou no campo) e, pasme-se, casavam-se! Sim, casavam-se cedo, formavam famílias e construíam vidas em conjunto. Recuando a 1970, a idade média do primeiro casamento situava-se nos 25 anos para os homens e nos 23 para as mulheres. Comprar casa? Era o passo natural: um empréstimo bancário, assente em salários reais e poupanças acumuladas, não em fantasias de "direito à habitação" como se o Estado fosse uma fada madrinha com uma varinha de condão.

Hoje? Hoje é uma comédia de erros. Os jovens esticam os estudos até aos 25 ou 30 anos – mestrados, doutoramentos, Erasmus pagos pelos pais –, gastam fortunas em festivais de verão, viagens low-cost e gadgets que duram menos do que um namoro de adolescência. Entram no mercado de trabalho aos 28 ou 30 anos, muitas vezes com contratos precários, porque "a vida é para viver" e o trabalho é uma chatice secundária. Resultado? A idade média de entrada efectiva no emprego é cada vez mais tardia: as gerações actuais têm apenas 0,4 anos de carreira contributiva aos 20 anos, contra os 2,7 anos das gerações anteriores. E o casamento? Esqueçam: agora acontece, em média, aos 35 anos para homens e 34 para mulheres. Construir família? Só depois dos 40, se tanto. Claro que comprar casa "cedo" se torna impossível – não por culpa de uma conspiração capitalista, mas porque a vida adulta é adiada em prol de um eterno recreio subsidiado.

E aí entra a narrativa socialista: "Falta habitação acessível! O Estado tem de construir casas baratas para todos!" Como se as casas caíssem do céu ou fossem fabricadas em impressoras 3D estatais. Ignoram que os preços subiram não só por via da especulação (que existe, sim), mas porque a oferta não acompanha a procura inflacionada pela imigração descontrolada e pelo turismo desregulado – políticas adoradas pela esquerda. A entrada massiva de imigrantes (que passou de cerca de 600-700 mil em 2020 para 1,54 milhões de cidadãos estrangeiros residentes no final de 2024, segundo o Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo da AIMA), quadruplicou em sete anos e disparou a procura por habitação, especialmente em Lisboa e no Porto. Resultado: uma sobrevalorização estimada em 35% em Portugal (a mais alta da UE), subidas de 20% no preço médio de venda em 2025 (de 350 mil para 420 mil euros) e rendas que não param de subir (com a média nacional nos 1.300 euros/mês, segundo dados do Idealista).

Parte desta inflacção advém precisamente de práticas como o overcrowding e o subarrendamento informal: apartamentos alugados por 2.000 euros (incomportáveis para uma família portuguesa média com filhos) são divididos por 10, 15 ou até 20 pessoas, cada uma pagando 100 a 300 euros por uma cama ou quarto improvisado. Isto permite que os proprietários maximizem rendimentos sem baixar os preços oficiais, inflacionando o mercado global e tornando-o inacessível para quem procura um arrendamento familiar normal. É um ciclo vicioso: a elevada procura alimenta a especulação, e a subdivisão "barata" por pessoa sustenta rendas estratosféricas no agregado.

Políticas de portas abertas sem planeamento da oferta habitacional agravaram o problema — não é apenas "falta de casas", é procura inflacionada por imigração descontrolada somada ao turismo e à escassez estrutural. Um exemplo gritante é Braga, que há poucos anos era uma das cidades com habitação mais barata do país e hoje se transformou numa das mais caras. Em 2025-2026, o preço por m² disparou para cerca de 2.150 €/m² (com subidas anuais de até 13,2% segundo o INE), e as casas abaixo de 200 mil euros praticamente desapareceram. Braga, outrora um refúgio acessível, exige agora 18 anos de salário médio para se comprar casa. Coincidência? Não: é o mesmo veneno da procura descontrolada que infectou Lisboa e o Porto, mas aplicado de forma mais acelerada.

A percentagem de jovens proprietários despencou de 70% em 2001 para 40% em 2021. Coincidência? Não: é o preço da imaturidade prolongada.

O mais irónico é ver partidos que se dizem de direita – como o PSD, o CDS ou até mesmo o Chega em certos momentos (talvez arrastado pela narrativa dominante e com receio que não chegar aos mais jovens) – a alinharem neste disparate. Propõem isenções de IMT para jovens até aos 35-40 anos e garantias estatais para empréstimos a 100%, como se isso resolvesse o problema de fundo. 

Senhores, acordem! Isso apenas inflaciona mais os preços e ajuda quem já ia comprar de qualquer forma. Em vez de apanharem o comboio socialista, defendam o óbvio conservador: reduzam impostos sobre o trabalho e a propriedade para todos (IRS e IMI), desburocratizem a construção privada, incentivem o casamento e a família cedo e promovam o ensino profissional em vez de universidades inchadas. Habitação social? Sim, mas pontual, para emergências, não para vidas inteiras à custa do contribuinte.

No fim do dia, a "dificuldade" dos jovens em comprar casa não é uma conspiração – é o resultado de escolhas culturais e de políticas que priorizam o hedonismo em detrimento da responsabilidade. Querem casa cedo? Trabalhem cedo, casem cedo, poupem cedo. Ou continuem a culpar o "sistema" enquanto vivem em casa dos pais até aos 35, 40. A direita verdadeira sabe: a liberdade vem com deveres, não com subsídios.


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