O argumento do senhor doutor? Francisca não possui um
currículo académico visível (ou, pelo menos, não o exibiu como troféu); logo,
tudo o que diz é inválido. Os estudos Cass, o finlandês e o alemão? Para o
especialista, “não existem” ou “não contam”. Do alto da sua cátedra, assegurou
haver “milhares de estudos científicos” que validam a transição de menores.
Depois, num golpe de prestidigitação verbal, transformou a petição de Francisca
numa defesa das “terapias de conversão”. Curiosamente, este é um rótulo tão
vago e politizado que até profissionais de renome na área, como o psicólogo e
sexólogo clínico Dr. Abel Matos Santos, admitem desconhecer o que sejam
tecnicamente tais "terapias", uma vez que o termo não possui base
científica, servindo apenas para interditar o diagnóstico clínico real. Mas o
facto não interessa; o objectivo é desqualificar a mãe.
Esta é a falácia do momento, repetida como um mantra: quem não detém um diploma na área não pode ter uma opinião formada. É o novo dogma da esquerda académica que importa desmontar com algum humor cínico.
Primeiro, as universidades portuguesas (e europeias) deixaram de ser casas de saber para se tornarem centros de recrutamento ideológico da esquerda e dos colectivos LGBT+. António Gramsci deve estar a dar saltos de satisfação no inferno. O seu plano genial — tomar o poder não pelas armas, mas pelas salas de aula — funcionou na perfeição. Não são precisos tanques; basta um professor de Filosofia que, na primeira aula, destrua a ideia de Deus na cabeça dos jovens e coloque no seu lugar o socialismo, a queer theory de Judith Butler — que do alto de Berkeley ou Columbia dita as novas tábuas da lei académica — ou o filósofo da moda. Ou talvez baste um professor de Belas-Artes, de convicções socialistas, que, embora felizmente não domine a técnica de fabrico de um "cocktail molotov" para incendiar mulheres e crianças na Caminhada pela Vida, utiliza certamente a cátedra para disseminar o ódio contra quem defende a vida e se opõe ao aborto ou à eutanásia, instruindo os seus alunos, pelo exemplo, sobre como silenciar e perseguir quem pensa de forma diferente.
O ser humano é religioso por natureza: se Deus não ocupa o coração, algo ocupará o vazio — seja o Estado, o arco-íris ou o “sentimento pessoal”. O ateísmo contemporâneo não é a ausência de religião; é uma religião disfarçada de ciência.
Por isso, hoje temos “especialistas” para tudo. Médicos
recém-formados que, com ar solene, garantem poder transformar uma mulher num
homem e vice-versa — como se o cromossoma XY fosse uma sugestão negociável.
Pivôs de televisão que, desde que alinhados com a narrativa de Bruxelas, se
tornam peritos em economia, saúde, género, clima e até em educação parental.
Influencers com mestrados atacam ferozmente o cidadão comum que ouse estudar o
assunto durante anos, rodear-se de especialistas reais e chegar a uma conclusão
distinta da oficial.
Note-se, contudo, o cinismo supremo: o mesmo establishment que desqualifica Francisca Zacarias por ser “apenas” mãe e dona de casa, defende com unhas e dentes que o senhor Inácio Lula da Silva possui toda a legitimidade para governar o Brasil. Porquê? Porque Lula não só alinha com a narrativa, como é um comunista de gema, fundador do Foro de São Paulo. Os títulos só valem quando servem o projecto; quando não servem, tornam-se irrelevantes. Afinal, para que serve estudar quando se pode obter um título de Doutor Honoris Causa sem esforço?
Há sempre um governo populista ou uma reitoria alinhada — como aconteceu na Universidade de Coimbra — pronta a atribuir um galardão académico a quem nunca frequentou a academia, desde que o galardoado sirva a agenda política do momento. É a ditadura do “alinhamento”, não do conhecimento.
Quem governa a escola, governa o mundo. O que se ensina hoje
na sala de aula será o modelo mental da próxima geração. E o modelo actual é
simples: o sexo é uma construção social, a verdade biológica é “transfóbica” e
quem discorda é ignorante ou malévolo. Assim, os “tudólogos” carregados de
diplomas pedem-nos que acreditemos, com fé cega, que um ser humano pode mudar
de sexo. Isto não é ciência; é religião. Uma religião que exige sacrifícios: o
corpo saudável das crianças, o bom senso dos pais e a liberdade de consciência
dos médicos.
Francisca Zacarias não carece de um doutoramento para saber
que uma criança não tem maturidade para decidir algo irreversível. Basta-lhe
ser mãe. Basta-lhe atentar nos estudos que realmente existem (Cass, finlandês,
alemão, sueco…) e que revelam taxas alarmantes de desistência, comorbilidades
mentais não tratadas e arrependimentos crescentes. Mas esses estudos são
apelidados de “transfóbicos”, enquanto os outros — os tais milhares — são os
únicos “científicos”. É curioso como a ciência altera o critério consoante o
resultado pretendido.
A falácia dos títulos não é nova. Já os fariseus desqualificavam Cristo por não ter estudado nas suas escolas. O argumento é o de sempre: “Tu não tens autoridade”. A verdadeira autoridade, hoje, é o diploma alinhado com a ideologia. O resto é populismo, obscurantismo ou extremismo de direita.
Pois eu prefiro a autoridade de uma mãe que defende os
filhos à autoridade de um “especialista” que acredita que o pénis é opcional e
que a Lei 15/2024 protege a infância. Prefiro o bom senso cristão, enraizado na
realidade da criação — homem e mulher — ao delírio académico que transformou as
universidades em seminários da nova fé progressista.
A petição de Francisca não é contra ninguém; é a favor das
crianças. É contra a medicalização experimental de menores confusos. É contra a
criminalização de pais que dizem: “espera, vamos tratar primeiro a depressão, a
ansiedade ou o trauma”. Isto não é ódio. É amor. E o amor, ao contrário do que
pregam os novos sacerdotes, não necessita de um doutoramento para ser
verdadeiro.
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