Bárbara Reis questiona, com um indisfarçável tom de
superioridade moral: 'Que diz Ventura das faltas à escola por devoção à mãe deJesus?'. A resposta é cristalina e coerente com a linha do CHEGA: não existe
oposição à devoção cristã, mas sim à aplicação desigual da lei. Aliás, a autora
parece desconhecer — ou prefere omitir — que os católicos raramente precisam de
faltar por tal devoção, uma vez que o calendário escolar, assente na identidade
do país, já prevê feriados para esse efeito. Quando assim não é, experimente um
pai cristão pedir dispensa por motivos religiosos: a direcção da escola
responder-lhe-ia, de pronto, com a 'laicidade do Estado' para indeferir o
pedido. Seria, aliás, interessante perguntar à autora se, em nome dessa mesma
laicidade, abdica de gozar os feriados religiosos para ir trabalhar, ou se a
sua coerência termina no exacto momento em que o calendário lhe oferece um dia
de folga à custa de um santo ou de um dogma cristão.
O que está a acontecer nas nossas escolas é exactamente o
que denunciamos: estão a apagar os símbolos cristãos da esfera pública escolar
enquanto abrem excepções para outras religiões. Em Dezembro de 2025, o
Agrupamento de Escolas José Maria dos Santos, no Pinhal Novo, removeu
completamente quaisquer elementos natalícios dos cenários onde os alunos tiram
as fotografias de fim de ano. Nada de presépio, nada de árvore, nada de “Feliz
Natal”. Em Lisboa e noutras zonas do país, casos semelhantes multiplicam-se:
direcções escolares, pressionadas por uma certa ideologia “inclusiva”, decidem
que o Natal ofende minorias e, portanto, deve ser esterilizado. O mesmo se
passa na Páscoa: cada vez mais escolas evitam qualquer alusão à Ressurreição de
Cristo para não “excluir” quem não é cristão.
Isto não é laicidade. Isto é anticristianismo disfarçado de
neutralidade. A verdadeira laicidade não significa apagar a herança cultural
maioritária de um povo. Portugal é um Estado laico desde a República, mas nunca
deixou de ser um país de raiz cristã – 80% dos portugueses declaram-se
católicos ou cristãos. Retirar o presépio ou transformar o Natal num cenário
neutro e cinzento é, na prática, negar a identidade às crianças portuguesas em
nome de um multiculturalismo que só exige cedências de um lado.
E aqui entra a hipocrisia que o artigo do Público finge não
ver: enquanto se proíbem presépios e se “invernalizam” as férias para não
ofender ninguém, exigem-se salas de oração privativas, saídas mais cedo e
faltas justificadas para alunos muçulmanos em dias de Eid ou
sextas-feiras. André Ventura tem toda a razão ao questionar isto. Se um aluno
cristão quisesse faltar à aula para ir à missa num dia útil (fora dos feriados
já existentes), seria imediatamente acusado de “integrismo”. Se um aluno
protestante quisesse celebrar o Dia da Reforma a 31 de Outubro e faltar às
aulas, dir-lhe-iam que o calendário é “secular” e que não pode haver excepções.
Mas se um aluno muçulmano pede para rezar cinco vezes por
dia dentro da escola, ou faltar a provas por razões religiosas, a esquerda
aplaude e chama-lhe “direitos humanos”.
Imaginemos o inverso que o artigo nunca ousa imaginar:
- Alunos evangélicos levam a Bíblia para a escola e lêem-na no intervalo.
- Grupos de jovens rezam o terço antes das refeições.
- Um aluno cristão prega o Evangelho a colegas que queiram ouvir.
- Professores cristãos fazem uma oração breve antes de começar a aula (como se fez durante séculos).
Seriam os direitos destes alunos e professores respeitados?
Claro que não. Sob a égide de uma ideologia que promove o ateísmo como norma e
diaboliza a herança cristã, seriam rotulados de 'proselitistas' ou
'intolerantes' e rapidamente sancionados. Já vimos crucifixos arrancados das
paredes, presépios banidos e cânticos de Natal censurados sob o pretexto de um
progresso que nega o sagrado.
Enquanto isso, tapetes de oração são instalados e horários
são alterados. Esta é a 'laicidade' da esquerda: um mecanismo de exclusão
direcionado apenas contra o cristianismo. Perante o Islão, o que vemos é
submissão; perante o ateísmo militante, um silêncio cúmplice que revela a
verdadeira agenda: desconstruir a fé que fundou a nossa civilização.
O CHEGA não pede privilégios para os cristãos. Pede
igualdade real: que a maioria cristã não seja obrigada a esconder a sua fé e a
sua história para não “ofender” minorias que, aliás, escolheram vir para um
país cristão. Quem vem para Portugal adapta-se à nossa cultura e aos nossos
feriados – não o contrário.
Portugal sem Natal nas escolas não é mais inclusivo. É mais
pobre, mais cinzento e mais estranho à sua própria alma. É tempo de dizer
basta.
- Presépios nas escolas.
- Crucifixos nas paredes.
- “Feliz Natal” sem vergonha.
- E uma educação que respeite, acima de tudo, a identidade do povo português.
Porque, como diz Ventura: quem vem para cá adapta-se às
nossas regras. Não muda as nossas regras. Viva Portugal. Viva a fé que nos
construiu.
Sem comentários:
Enviar um comentário